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Espécies de micos-leões dourados estão ameaçadas de extinção pela febre amarela em Casimiro de Abreu

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O vírus da doença, que já atinge cinco pessoas na cidade, chegou ao “habitat” dos pequenos primatas

Daniela Bairros

O atual surto de febre amarela em Casimiro de Abreu, onde cinco pessoas contraíram a doença, sendo que uma morreu, coloca em risco duas das mais ameaçadas espécies de macacos do mundo, símbolos internacionais da luta contra a extinção. Uma delas  vive em Casimiro de Abreu, o mico leão-dourado Leontopithecus rosalia. A outra, em Minas Gerais, está  a espécie  Brachyteles hypoxanthus. No estado mineiro, a doença se alastrou pelo território dos muriquis-do-norte.

Primatologistas afirmam que a febre amarela é uma tragédia humana e ambiental e que algo assim jamais foi visto. “Entre os macacos, não é mais um surto, e sim e uma epidemia, com consequências não apenas para elas, mas para toda a Mata Atlântica”, explicou Sérgio Lucena, da Universidade Federal do Espírito Santo.

Para o secretário executivo da Associação Mico Leão Dourado, Luís Paulo Ferraz, há muito com o que se preocupar com os micos-leões dourado. “A espécie só existe no Rio de Janeiro e está restrita a uma pequena área do estado. As pessoas estão ficando doentes perto dessa região (Casimiro de Abreu), uma morreu. Estamos sim em alerta, noite e dia. Se os macacos fossem sensíveis ao vírus, não terão escapatória. Não terão para onde ir. Será uma verdadeira devastação”.

A associação está há três décadas à frente de projetos de preservação do mico. Antes da chegada da febre amarela, esperava melhorar as chances das espécies com a construção de viadutos para passagem de animais sobre a BR-101 (que liga Niterói ao Espírito Santo) e que corta as florestas desses bichos dóceis, que vivem comendo frutas e insetos.

O primatologista Sérgio Lucena destacou ainda que a febre amarela já provocou em Minas Gerais e no Espírito Santo a maior mortalidade já registrada na Mata Atlântica. Morreram em massa bugios (Alouatta guariba) e sauás (Callicebus personatus). Em menor escala, micos do gênero Callithrix e macacos-pregos (Supajus nigritus).

Mortandade de micos

Na semana passada, dois micos-leões dourados morreram. A causa ainda é desconhecida, mas a mais provável é que tenha sido por atropelamento, mas a doença não está descartada. Por precaução, as reversas de Poço das Antas e União, localizadas em Córrego da Luz, em Casimiro de Abreu, estão fechadas à visitação. A região, segundo os especialistas, é habitada por grupos de primatas. E a única forma de proteger os micos é vacinar a população local.

A chegada da febre amarela à região também ainda é desconhecida, já que a área é distante das que foram confirmadas as mortes dos macacos pela doença. A possibilidade de que tenha sido por tráfico de animais está descartada. Ferraz explicou que neste caso,   o tráfico de animais, as espécies daqui seriam transportadas para outros lugares. “O mico-leão-dourado é que seria levado. As outras espécies de macacos daqui não são alvos de tráfico. Porém, tememos a transmissão por pessoas não vacinadas. Aqui há muito turismo, muita gente vem de Minas. Pessoas provenientes de área de surto, infectadas e assintomáticas, podem ter trazido o vírus”,  explica Ferraz.

Estudos já alertaram para possibilidade de o vírus ser introduzido por pessoas nas fases virêmica (em que o vírus está em circulação no sangue) e de incubação em áreas onde há mosquitos transmissores.

Os micos-leões dourados adultos pesam meio quilo; os bebês são bolinhas de pelos dourados.

Crédito: Divulgação

Legenda: Espécie de mico-leão dourado em Casimiro de Abreu pode estar ameaçada de extinção devido à febre amarela

 

 

 

 

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