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Atendimento especializado contribui para desenvolvimento de crianças autistas

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Com objetivo de construir uma base de trabalho sólida, a equipe envolvida com o acompanhamento dos bebês no Centro de Atenção Psicossocial Infantil, conta com a supervisão da psicanalista, Eliane Pessoa, que trabalha com a terapia pais-bebês há mais de 30 anos. Ela é responsável pela Clínica Pais-Bebês da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro (SBPRJ) e filiada à International Psychoanalytical Association (IPA).

Esses cuidados também são desenvolvidos por diversos serviços do município, entre eles equipes de saúde mental da infância e adolescência, Educação Especial, Centro Especializado de Apoio ao Escolar (Cemeaes), o programa Follow-up, além de neuropediatras e toda rede da Atenção Básica da Secretaria de Saúde.

"Hoje eu sou outra pessoa, a relação com minha filha mudou e a dela conosco é muito melhor. Sem essa equipe eu estaria perdida", disse a autônoma, Leila Cláudia Pereira, mãe da pequena Alexia, de 3 anos, assistida pela equipe do Capsi da Secretaria de Saúde de Macaé.

A menina que tem alguns sinais para patologias do espectro do autismo, recebe acompanhamento no Capsi há oito meses, por meio de um projeto inovador que atende crianças de zero a três anos que apresentam este tipo de sofrimento psíquico. Atualmente, 12 crianças nesta faixa etária participam das atividades na unidades. Semanalmente eles e seus pais se reúnem com a equipe multidisciplinar para atividades em grupo.

A coordenadora do Capsi, Iasmin Garcia, explica que a proposta é identificar e intervir precocemente nesta população de risco e favorecer um atendimento integral aos familiares e à criança, levando em conta suas necessidades clínicas, educacionais e sociais.

O relato da mãe do Heitor, de 2 anos e nove meses, a assistente administrativa, Caroline Araújo Figueiredo, também é emocionante. Ela conta que antes do filho completar um ano, ela percebeu que o menino tinha o desenvolvimento diferente da irmã.

“Eu ainda morava no Rio de Janeiro e ele tinha uns sete meses e eu já sentia um comportamento diferente, como movimentos repetitivos, depois, a demora na fala e no andar. Quando cheguei aqui em Macaé, fui atrás de um atendimento especializado e encontrei uma neuropediatra no Hospital Público Municipal (HPM), que fez todo processo até descobri que meu filho era autista”, falou.

Caroline acrescentou que hoje seu filho recebe toda assistência oferecida pela rede cuidados da prefeitura. O pequeno Heitor, além de estudar na rede municipal, faz equoterapia, fonoaudiologia, atendimento multiprofissional no Capsi e já vai começar o acesso à sala de recurso da Secretaria de Educação. "Aqui no Capsi, o tratamento é diferenciado, é o único lugar que o Heitor pode ser que ele é. Para ele é um local de liberdade e, para mim, de aprendizado e de comunicação com meu filho", afirmou.

A psiquiatra do Capsi, Paula Ferraz, lembra que o projeto surgiu de uma demanda crescente de bebês que necessitavam de atendimento especial, principalmente, os que apresentam atraso de desenvolvimento de linguagem, não interagem e os que têm comportamento repetitivo.

Ela explica que, em muitos casos, nestes primeiros anos de vida, o diagnóstico não é confirmado. "Nesta faixa etária, propomos intervenções precoces, que poderão proporcionar um desenvolvimento melhor destes bebês, não se restringindo a um olhar classificatório", observou Paula.

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