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Caderno D

Quissamã abriga um dos maiores patrimônios culturais do nosso país

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Quem conhece a cidade de Quissamã, sabe de sua importância e provavelmente quem nunca foi, também, mas quem nunca ouviu falar de um lugar mágico, onde a história é sentida assim que colocamos os pés, precisa saber mais sobre um local muito especial que foi reconhecido oficialmente no dia 13 de dezembro de 2006, mas a bagagem que este lugar revela vem décadas, muitas décadas atrás.

A comunidade quilombola de Machadinha, em Quissamã, é um verdadeiro patrimônio da nossa história. O local e composto por cinco territórios: Fazenda Machadinha, Sítio Boa Vista, Mutun, Sítio Santa Luzia e Bacurau. Ao todo, são 300 famílias descendentes de escravos, que no passado trabalharam em sua maioria, em plantações de cana de açúcar, que ficava na Fazenda Machadinha.

Ruínas belíssimas da Fazenda e a capela de Nossa Senhora do Patrocínio(1833), atuam como sede física e oficial de toda esta longa história. Lá é possível encontrar diversos espaços, devidamente restaurados, onde toda a tradição quilombola é preservada. No local também funcionam o Memorial Comunitário e a Casa das Artes, além de uma escola municipal e um posto de saúde, que atendem diretamente todos os moradores dos cinco núcleos do Quilombo.

Uma vasta e intensa programação acontece em todas estes locais, e podemos destacar o trabalho de prospecção e articulação realizado por alguns representantes locais. Visitas guiadas foram criadas com muito critério para que o território seja explorado com responsabilidade, já que todos estes espaços mantém suas características originais preservadas. Os laços criados com a antiga história destes bravos trabalhadores é fomentada através de festividades e de um importante trabalho direto de consciência de sua relevância, com a intenção única e exclusiva de levar adiante, passagens que contam também o berço da nossa existência.

Preservação e disseminação

Manter a cultura dos Quilombos viva e acontecendo em sua plenitude, requer um trabalho imenso e que é realizado por ONGs, Universidades em conjunto com a Prefeitura de Quissamã. O fortalecimento do patrimônio ainda se faz necessário e a estratégia para que os trabalhos prossigam, se dá através do fortalecimento da história entre as crianças e jovens. As festas e manifestações culturais contagiam os mais jovens e os turistas sempre ficam muito encantados. Um grupo muito especial e que conta de forma belíssima os costumes dos antigos escravos, revela o quanto a dança é uma manifestação incrível. O jongo, chamado antigamente de tambor, é uma das pérolas desta cultura e através do grupo Jongo da Machadinha, lindas apresentações são realizadas.

Culinária e Artesanato

Como acontece em todas as culturas, além das manifestações artísticas, outros pontos são marcantes e contam de forma muito específica a história de um povo. Na comunidade quilombola de Machadinha, podemos destacar a rica culinária e o artesanato, que são passados de geração a geração, como o bolo falso, a sopa de leite, sopa de abóbora com queijo minas, entre muitas outras receitas. No artesanato, o destaque vai para a palha de taboa, onde cestos, assentos e descansos de pratos são confeccionados.

Intensa programação

Durante o ano todo, acontecem encontros, festividades, celebrações que mantém viva a cultura quilombola. Rodas de Jongo são realizadas de 15 em 15 dias, festas em louvor a santos e feijoadas imperdíveis. Um projeto bem interessante também pode ser aproveitado pelos turistas: o Pernoite Quilombola, é um espaço criado para receber os turistas que queiram conhecer mais profundamente sobre o Complexo Cultural Fazenda Machadinha. As portas estão abertas pela população local do Mutum, Sítio Boa Vista, Sítio Santa Luzia e Bacurau. Para mais informações, basta entrar em contato através dos telefones: (22) 99930 – 8484 / (22) 99940 – 5519 / (22) 99705 – 4901.

O Memorial Machadinha funciona a partir de quarta-feira, das 10h as 17h. Nos finais de semana e feriados, funciona das 10h as 15h30.

Mariana Abrantes

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