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Grafiteiro macaense conhecido no Brasil e no mundo, lança exposição no Centro Macaé de Cultura

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De origem italiana, a palavra graffiti significa ‘escritas feitas com carvão’ e os antigos romanos tinham o costume de escrever seus anseios, suas insatisfações, nas paredes de suas construções. Parece até profecia e desde então, não é difícil perceber nos centros urbanos uma grande quantidade de figuras verbais e não verbais, com formatos elaborados, com tinta spray em locais públicos ou privados. Por toda a parte, o graffiti é algo que podemos observar em nosso cotidiano e faz parte da nossa cultura.

No final da década de 60, jovens de um bairro de Nova Iorque, EUA, resgataram essa forma de fazer arte, usando as famosas tintas em spray. Ao mesmo tempo, muitos afirmam que o graffiti surgiu de forma paralela à cultura de periferia, com origem nos guetos americanos, unindo o Rap, o break e o graffiti, que fugindo da origem oficial da palavra, significa também arte plástica do movimento cultural. Os artistas, também chamados de writers (escritores), começaram a escrever seus próprios nomes em seus trabalhos para chamar a atenção da sociedade em geral, para os problemas do governo ou questões sociais.

Aqui no Brasil, esse tipo de manifestação artística começou bem mais tarde, por volta do ano de 1985, na XVIII Bienal que lançou os primeiros nomes de grafiteiros. De lá pra cá, esse universo expandiu e muito.

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o graffiti é uma arte tão abrangente que possui vários estilos, que exige grande domínio técnico do grafiteiro na combinação de cores e formas. Vamos conhecer alguns estilos?

O graffiti 3D são desenhos criados a partir de ideias visuais de profundidade, sem contornos. O Bombing é considerado o graffiti ilegal, e não se encaixa nas definições do criador. O Crew tem como característica nomes por extenso que são abreviados por siglas, normalmente entre duas ou quatro letras. O Freestyle o próprio nome já diz e significa estilo livre. Existe também o Hall-of-fame, que é um estilo de graffiti mais pensado, mais trabalhado, que dá uma grande importância aos fundos. O Stencil vem se tornado um estilo muito utilizado e é composto por moldes recortados em cartolina, criando formas pré-definidas e muitos outros.

Em Macaé um forte representante deste cenário é o grafiteiro Felipe Talu, que é conhecido mundialmente e que recentemente foi participar do maior evento de graffiti do mundo. Seu estilo é o WildStyle, que tem como característica o formato de letras distorcidas, em forma de setas e que quase cobrem o desenho. Talu é bastante conhecido por ser um artista que vem desenvolvendo o seu estilo de forma muito criativa. Tanto que uma exposição foi criada e lançada ontem na Galeria Hindemburgo Olive na Fundação Macaé de Cultura. A exposição intitulada Traços e Escrita traz toda a multiplicidade de ideias do artista macaense que é um dos pioneiros da modalidade no interior do estado do Rio de Janeiro. Conhecido na Bahia, Pernambuco, Brasília, São Paulo, Minas e em países como Alemanha, Venezuela, Itália, Holanda, Tailândia e Peru, Felipe conseguiu reunir trabalhos que representam a sua identidade, com seu estilo clássico de graffiti, mas apresentado em telas para ambientes variados, com muitas cores e traços, que revelam sua trajetória artística que é mundialmente conhecida pela sua autenticidade. “Eu faço a essência do graffiti que é a escrita. Eu vou apresentar nessa exposição exatamente o que eu pinto na rua. Ao longo de uns três anos, eu venho pintando telas, que foi um recurso que encontrei para dar vasão a tantas ideias que eu tenho. Eu resolvi fragmentar todas essas ideias em telas e quando me dei conta, eu percebi que eu já tinha uma verdadeira exposição na minha casa.” Conta Talu.

Até o dia 16 de Setembro, quem quiser conferir esse jeito único de fazer arte, é só comparecer na Galeria de Artes Hindemburgo Olive, que fica no Centro Macaé de Cultura. Ao todo são 20 telas com o melhor do artista que representa muito bem a cidade pelo mundo. “Todas as telas são produzidas literalmente por mim, desde a confecção da base, com madeira e panos até a obra final. Minha expectativa é grande para essa exposição. Quero apresentar o meu trabalho para as pessoas terem uma noção de como a minha arte alcança pessoas dos mais diferentes lugares, além de tornar mais familiar essa expressão artística para as pessoas que ainda não conhecem. Hoje o que vemos é muito muralismo e pouca divulgação dos estilos que compõem efetivamente o graffiti. Eu faço um estilo voltado para o original. Graffiti é letra e está se perdendo um pouco dessa identidade. A maneira que a gente tem para preservar a nossa arte é essa.” Finaliza.

A Galeria está localizada na Avenida Rui Barbosa, 780 e o espaço está aberto para visitas gratuitas de segunda a sexta, das 9h as 17h.

Mariana Abrantes

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