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A corrupção nossa de cada dia

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Existe no Brasil uma percepção sobre a corrupção que traduz algo não verdadeiro. Explico. Muitas pessoas acreditam que a corrupção é fruto da má índole do povo. Não creio que a gênese e a existência da corrupção estejam ligadas a sustentação tão frágil.

Falar de corrupção no Brasil é abordar um problema crônico. Para muitos o problema é decorrente da falta de caráter daqueles que corrompem e dos que se deixam corromper, isto é, daqueles que possuem um feitio moral condenável, a falta de firmeza e coerência de atitudes, não sendo, porém, algo inerente à nossa índole enquanto povo.

Na maioria dos casos, vejam o presente de nossa história, a corrupção é fruto de um Estado mal estruturado, pessimamente dimensionado, infectado por uma burocracia inoperante e apresentando grandes falhas de gestão. Outro grande fator de favorecimento da corrupção encontramos na esfera das leis que oferecem enormes brechas para que a corrupção encontre terra fértil e prolifere.

Muitos pesquisadores, mestres e doutores em política, afirmam que a gênese da corrupção no Brasil está diretamente relacionada ao clientelismo. Sabemos que o clientelismo é uma prática nociva que existe para permitir que certos políticos favoreçam determinados grupos econômicos ou pessoas em troca de apoio para suas campanhas. Ele funciona da seguinte forma: alguém é candidato a deputado e precisa de apoio para se eleger. Apoio que, na maioria das vezes, é em dinheiro. Em troca o candidato, sendo vitorioso, vai oferecer ao apoiador cargos no gabinete, empenho na aprovação de leis, edição de licitações viciadas, ou seja, que apresentem regras que só uma empresa pode cumprir, o que já definiria o resultado antes mesmo do seu lançamento. Neste jogo de atos perversos contra o bem público não só os políticos devem ser condenados. Com o passar do tempo parte do corpo de funcionários da máquina administrativa também se compromete com a corrupção.

Saindo da esfera pública, do âmbito dos poderes constituídos, na esfera privada de nosso país também percebemos manifestações veladas ou não, grandes ou pequenas, de corrupção. Quantos de nós já cometeu atos ilícitos, como comprar produtos piratas, subornar um guarda para livrar-se de uma multa, furar fila, vender o voto em troca de algum favor? Quantos?  Quantos? Quantos de nós já solicitou de profissionais amigos ou não atestados que não traduziam a verdade para justificar falta injustificável em nosso mundo de trabalho?

Se queremos diminuir a corrupção no Brasil, precisamos, em primeiro lugar, fortalecer alguns valores culturais que estão relativizados, tais como responsabilidade, honestidade e cuidado com a coisa pública e com as nossas intencionalidades. Em segundo lugar, não menos importante do que o primeiro, devemos continuar lutando por uma reforma do nosso modelo de estado, enfatizando a necessidade da redução dos cargos públicos comissionados, a reforma da legislação, a adoção de pagamentos justos a todas as categorias profissionais e a regulação e a fiscalização efetiva e eficaz de todas as instituições do governo.

Se ficarmos dependentes somente dos políticos não venceremos essa batalha. Somente a nossa união, apesar das possíveis divergências ideológicas e partidárias, poderá fazer diferença, acabar gradativamente com a corrupção.

José Augusto Abreu Aguiar

 

 

 

 

 


 

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