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A aprendizagem criativa tão necessária neste século 21

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O método de ensino ainda adotado na maioria das escolas brasileiras é aquele que impõe ao aluno ‘o que pensar’, no qual a instituição mantém a postura de transmitir informações por meio de métodos de ensino arcaicos, baseados em processos de repetição, em que o nível de aprendizado da criança é mensurado em avaliações estáticas. Será que este modelo educacional dá brecha a outras formas de aprendizagem, oferecendo meios para que a criança aprenda ‘como pensar’, como ter autonomia para desenvolver um pensamento próprio, reflexivo e crítico do mundo ao redor?

A escola precisa ser um lugar de criação e produção de conhecimento, e não de mera reprodução de conteúdo. É preciso que a criança tenha apoio para desenvolver sua criatividade, colocar suas ideias em prática e inovar; termo esse que muito tem sido usado ultimamente, visto que vivemos em um mundo onde o ‘mais do mesmo’ não tem vez, onde o que interessa é o novo, exclusivo, contemporâneo.

A criatividade é um fenômeno complexo, que envolve a neurociência, a psicologia, a filosofia, a estética. É um traço essencial para o ser humano e tem papel importantíssimo no desenvolvimento cognitivo de bebês e crianças durante o processo de conhecer e perceber o mundo. E o conhecimento não deve vir apenas por métodos de repetição. Essa forma racional de transmissão de conhecimento pode engessar o raciocínio e bloquear outras formas de pensar. A preguiça, a rotina, a acomodação e a falta de interesse desencadeadas pela educação tradicional não têm mais vez neste século 21 porque acaba por não permitir ao aluno desenvolver a habilidade de buscar o novo.

Hoje, informações são transmitidas quase que em tempo real por diversas fontes que ligam o mundo inteiro a uma velocidade inacreditável. É nesse ritmo que nossas crianças vivem. Precisamos formar seres humanos indagadores, curiosos, exploradores, capazes de encontrar meios para solucionar problemas.

É preciso estimular a criatividade com liberdade para explorar, criar, fazer à sua maneira; dar aos pequenos autonomia para gerar novos conhecimentos. Quando despertamos o processo criativo de uma criança, estamos dando a ela a oportunidade de compreender a si próprio, sua mente, seu coração, seu modo de agir em sociedade. Mas a realidade é que muitas escolas ainda não estão muito adaptadas a esse novo modo de pensar a Educação. Comumente vemos salas de aulas cheias de mesas e cadeiras, com pouco espaço para transitar e quase nenhum lugar para o pensamento criativo, para a expressão artística e a brincadeira. Nossa escola mais reprime do que estimula o processo criativo dos alunos. Entender a importância da criatividade e de como ela pode ser estimulada para enriquecer o processo educacional é o primeiro passo para que a escola se conecte com o mundo atual.

Os professores têm um papel primordial nesse processo, atuando como agentes transformadores do pensamento e não como meros executores de currículo. A criatividade não pode ser ensinada, mas estimulada, treinada e isso deve ser um desafio permanente no cotidiano de uma sala de aula, uma vez que os currículos não são pensados para tal. Por isso, o educador precisa do apoio dos pais, das instituições e dos gestores de ensino, no intuito de ter liberdade para experimentar em sala de aula junto a seus alunos, inovar na tarefa de não apenas ‘ensinar a aprender’, mas de ‘ensinar a pensar’.

É possível trabalhar os conteúdos tradicionais das disciplinas ao mesmo tempo em que se incentiva o processo criativo dos alunos, sem associar o tema somente às aulas de artes. Porém, para o professor desenvolver bem essa ferramenta, é preciso que ele tenha primeiro uma atualização de seus métodos de ensino, em novas capacitações que despertem nele a necessidade de mudar sua postura como educador. É preciso que ele domine bem os temas a serem abordados e esteja preparado para aceitar novas ideias sobre uma mesma questão. Além de favorecer a aprendizagem criativa, o método instiga os alunos a pensar, a buscar saídas diferentes, novos conceitos e a desafiar o modo como as coisas são feitas.

Docente, seja um profissional reflexivo, pesquisador, comprometido. Estimule seu aluno a se libertar de uma possível inibição para se expressar, se comunicar, resolver problemas. Não critique pensamentos contrários ao seu ou dos demais. Promova o debate sempre que houver oportunidade para isso. O comportamento meramente autoritário, que promove a censura, bloqueia a percepção do novo. Instigue. Provoque. Não vá para a sala de aula com a percepção de oferecer um conteúdo fechado, pronto e acabado, mas sim exerça a mediação sempre que possível, estimulando a participação dos alunos nas aulas. Quanto mais o professor colaborar para tornar seus alunos criativos, mais eles terão suas próprias ideias. Serão os nossos novos formadores de opinião, tão necessários para que o Brasil dê um salto de qualidade em sua inserção nesta aldeia global.

(*) Luis Antonio Namura Poblacion é Presidente da Planneta (www.planneta.com.br)

 

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