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Trabalhadores da Personal Service de Macaé fazem assembleia para reivindicar pagamentos atrasados

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Empresa tem R$ 22 milhões bloqueados em uma conta judicial. Acordo irá discutir a aprovação do fundo para pagar ou não FGTS e os 40% dos ex-funcionários, avaliados em R$ 18 milhões

 Bertha Muniz e Daniela Bairros

 

 

Os cerca de 700 trabalhadores da Empresa Personal Service Recursos Humanos e Assessoria Empresarial Ltda, demitidos sem justa causa em novembro do ano passado, reúnem-se em assembleia nesta quinta-feira (23) para novamente reivindicar pagamento das verbas rescisórias. O movimento vai acontecer às 12h no Ginásio Juquinha.

De acordo com Vinicius de Oliveira, 40 anos, que trabalhou na empresa no setor de controle de produção, e que também foi demitido,  a assembleia vai ser realizada para que os demais trabalhadores aprovem u não um acordo feito pela empresa, prevendo o pagamento do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e os 40%. “A empresa tem R$ 22 milhões bloqueados em uma conta judicial. Esse acordo que vamos discutir hoje é para aprovar ou não o pagamento do FGTS e os 40%, avaliados em R$ 18 milhões, mas acredito que os trabalhadores vão rejeitar a proposta”, explicou.

Os trabalhadores, de acordo com Oliveira, estão sem receber, desde novembro, o 13º salário, férias (quem tem direito), 40% da multa do FGTS e o depósito do fundo referente ao mês em que ocorreram as demissões.

Em dezembro, durante audiência de conciliação na Vara do Trabalho de Macaé, a empresa, ainda segundo Vinicius, propôs pagamento das verbas rescisórias em até 24 vezes, o que foi rejeitado pelos trabalhadores. “A categoria rejeitou e fizemos uma contraproposta para recebermos tudo, principalmente os salários e os demais benefícios. Em dezembro, a empresa entrou, em segunda instância, com mandado de segurança tentando desbloquear o dinheiro na Justiça, o que não foi feito. O Ministério Público de Macaé já pediu a condenação da empresa, bem como pagamento de indenização de danos morais coletivos. Caso a empresa não efetue os pagamentos, a Petrobras tem que pagar. Estamos aguardando a sentença tanto em Macaé, como na capital, onde um colegiado vai julgar o desbloqueio dos valores”, declarou.

 

Relembre o caso

Os trabalhadores foram desligados da empresa no dia quatro de dezembro de 2016, com a promessa de que teriam suas verbas rescisórias pagas até o dia 14 do mesmo mês. Porém, de acordo com funcionários, a quantia depositada na data foi considerada “ínfima” por ser muito abaixo do valor de suas verbas. Além disso, os trabalhadores alegaram que a Personal não teria detalhado os depósitos.

“Não sabemos se esse valor se referia ao pagamento dos dias trabalhados em novembro, ou a alguma parcela de nossas rescisões. O que sabemos é que estava extremamente abaixo do que deveríamos receber”, avaliou um funcionário que estava há três anos na Personal. Dentre as demissões, estão trabalhadores com até 15 anos de casa.

Sem acordo, um protesto pacífico dos trabalhadores foi iniciado em 17 de dezembro de 2016 após a empresa convocar os funcionários para uma reunião realizada no mesmo dia, em turmas de 100 trabalhadores. Durante as sessões, que ocorreram em um hotel na Praia dos Cavaleiros, a Personal informou que o pagamento da verba rescisória dos quase 900 contratados seria parcelado em 24 vezes. A proposta foi considerada “indecente” pelos trabalhadores, que decidiram iniciar o manifesto.

 

Na ocasião, cerca de 300 funcionários da empresa decidiram acampar e bloquear a entrada de cargas na base da Petrobras na Praia Campista, onde ficaram durante dois dias. No local havia um carro de som e várias barracas de camping.

Personal já foi citada na Lava Jato

 

A Personal Service Recursos Humanos, já foi citada na operação Lava Jato pelo lobista e delator Milton Pascowitch como fonte de propina ao ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, em contratos com a Petrobras entre 2006 e 2015, alguns dos quais ainda estão em vigor. Os valores dizem respeito a contratos de terceirização de mão de obra e outros serviços de gestão, de acordo com os registros da Petrobras. As quantias mensais somavam, em média, R$ 500 mil, podendo alcançar cifras no patamar de R$ 800 mil por mês. Os valores eram sempre entregues em espécie, conforme o delator. O maior contrato da petroleira com a empresa, no valor de R$ 972 milhões — para “serviços suplementares de apoio administrativo”—, foi assinado em dezembro de 2010 e é válido ano passado. Em 2015, a empresa assinou R$ 268 milhões em contratos com a Petrobras, o que indica que mesmo após o início da Operação Lava Jato, a Petrobras continuou a celebrar contratos com a Personal Service.

 

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