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Discussão sobre Projeto da Escola Sem Partido foi iniciada na Câmara dos vereadores de Cabo Frio

Thaiany Pieroni

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A sessão da Câmara dos vereadores desta quinta-feira, 29, foi acalorada por conta do início da discussão sobre o projeto "Escola Sem Partido". O projeto ainda não está tramitando na Casa, mas devido aos diversos comentários a respeito do assunto, o Legislativo decidiu iniciar o debate sobre o tema, antes que a proposta entre, oficialmente, em pauta.

O clima foi tão intenso, que antes mesmo de iniciar a discussão, o presidente da Casa, Aquiles Barreto, precisou solicitar a compreensão da assistência por quatro vezes, já que as manifestações eram constantes.

Para dar inicio ao debate, a Tribuna Livre foi aberta para dois pronunciamentos. Por cerca de 12 minutos, a representante do Movimento Brasil Livre - Cabo Frio, Joana Figueiredo falou sobre os pontos positivos da Escola Sem Partido.

Joana afirmou que existe, atualmente, doutrinação nas escolas e mostrou vídeo de alunos da rede municipal relatando alguns casos. "A doutrinação nas escolas é algo  real e o projeto abomina e condena isso", frisou a representante. Ela ainda tentou desmistificar alguns pontos sobre o assunto. "O professor não vai ser proibido de trazer o debate para sala de aula. Pelo contrário, ele será incentivado a trazer os dois lados de um assunto. O aluno tem o direito de receber informações de todos os lados. E ele decidir o lado que ele quer seguir. Eles precisam ter o senso critico deles", frisou Joana. Para finalizar, afirmou que o projeto  trata de democracia, liberdade de expressão, pluralidade de ideias.

Já para se posicionar de forma contrária ao projeto, ocuparam a Tribuna Livre representantes do Sindicato dos Profissionais da Educação, do PSOL e do grupo Iguais.

Para a representante do Sepe, Denise Teixeira, o projeto já inclui com ele a idéia de que não quer formar cidadãos pensantes. "A Escola sem Partido separa o educador do professor. Ele coloca que o professor tem que dar a matéria e ponto. O professor não pode mais fazer a correlação com a atualidade", criticou Denise Teixeira. A representante do Sepe ainda afirmou que para observar o radicalismo do projeto basta acessar o site. "Vocês vão ver o radicalismo do projeto. Não dá pra gente trabalhar com a censura e mordaça. É um desrespeito aos professores", frisou.

A professora e militante do PSOL, Carolina, também utilizou a tribuna. Para ela o projeto é um debate para permitir a volta da perseguição contra o professor. "A quem interessa uma escola com mordaça?", questionou Carolina, que ainda utilizou seu tempo para denunciar que há pessoas que estão defendendo o projeto, mas que ao mesmo tempo utilizou as escolas municipais para fazerem campanha para um determinado candidato a presidência.

Após a fala dos convidados, o vereador Vaguinho, que iniciou o debate afirmou que tem consciência da polêmica, que engloba esse debate e propôs uma audiência pública para debater o assunto.

Em contrapartida a vereadora Letícia Jotta propôs, que seja realizada uma reunião na sala da presidência com os representantes das duas opiniões, tendo em vista que devido aos trâmites necessários, uma audiência pública, talvez não fosse possível antes do recesso parlamentar.

"É importante que os representantes possam esclarecer bem o projeto para que na hora de votar, cada vereador esteja consciente do seu posicionamento.

Notas de repudio - Durante a sessão, o presidente da Casa Legislativa fez uma fala de repúdio contra as manifestações da plenária, que interromperam por diversas vezes o andamento da sessão. O motivo era as discussões acaloradas sobre o projeto em discussão.

Diante desta fala, o vereador Vaguinho teria se posicionado contra o Sepe, o Psol e o movimento LGBT. "Vindo do Sepe, do Psol e do Grupo Iguais, eu vou esperar o que?", ironizou o vereador.

No final da sessão, professores também acusaram o vereador de ter pronunciado palavras de baixo calão contra professores. Situação que foi negada pelo vereador.

Diante desta situação, o Sindicato dos profissionais da Educação de Cabo Frio emitiu uma nota  repudiando veementemente "o discurso homofóbico e machista do vereador Vaguinho, de Cabo Frio".

"O vereador, autor do projeto de lei que visa instituir o "Escola Sem Partido" na rede municipal de ensino, atacou o SepeLagos, o grupo LGBT Iguais e a militância que estava acompanhando a sessão e realizando ato na Câmara contra a aprovação do projeto. Em sua fala, o vereador não apresentou argumentos que justifiquem a implementação do projeto, mas dirigiu palavras ofensivas ao Sepe Lagos e ao grupo Iguais. Antes de se retirar da sessão, o vereador citado direcionou xingamentos para uma professora da rede municipal que questionou a sua postura enquanto no legislativo diante de outras situações que afligem a educação. Esperamos que a Comissão de Ética da Casa Legislativa se posicione diante desta atitude inaceitável, sobretudo partindo de quem tem o papel de zelar por toda a sociedade e não apenas de quem o elegeu", dizia trecho da nota.

 

 


 

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