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Retrospectiva 2018

Uma greve que durou 10 dias e que parou o Brasil

Daniela Bairros

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Macaé, a Capital Nacional do Petróleo, sofreu o efeito da paralisação. O preço da gasolina disparou, chegando a R$ 6,25. Filas quilométricas se formaram nos postos. Nos supermercados, falta de alimentos e frota reduzida de ônibus nas ruas da cidade.

Daniela Bairros

Em maio, os brasileiros sentiram os efeitos da greve dos caminhoneiros, que durou 10 dias e que parou o país. Macaé, a Capital Nacional do Petróleo, sofreu e muito com a paralisação. O preço da gasolina disparou, chegando a R$ 6.25. As filas quilométricas se formaram nos postos de combustíveis. Era preciso se programar, com antecedência, para abastecer. Alguns postos da cidade chegaram a fechar por falta de combustíveis para revenda.

Nos supermercados, falta de alimentos gerou “correria” da população para garantir comida na mesa. Quem utiliza o transporte público na cidade também sofreu. As frotas de ônibus foram reduzidas. A alternativa era se locomover a pé. De carro, só se conseguisse abastecer. As cidades vizinhas também foram atingidas.

Houve risco de o diesel não chegar às garagens de ônibus, o que atrasou e até faltou coletivos na cidade.

Nos postos que ficaram abertos em Macaé, Conceição de Macabu, Rio das Ostras e no único posto de combustível existente em Carapebus, motoristas formaram filas para abastecer. Chegaram a invadir faixas de ruas e avenidas, comprovando um caos no trânsito.

Nos supermercados, muita correria. Legumes e verduras, como alface, agrião, batata inglesa, cenoura e inhame não foram repostos e acabaram nos estabelecimentos. Ovos também faltaram em alguns estabelecimentos. No bairro Riviera, em Macaé, um supermercado chegou a fixar aviso na entrada, alertando o consumidor sobre a possível falta de produtos.

Normalmente, as mercadorias perecíveis são estocadas no dia anterior à venda. Uma grande rede de supermercados  de Macaé não recebeu mercadorias por conta da greve. Para evitar os bloqueios de caminhoneiros em protesto nas principais vias de acesso à capital, o motorista do mercado fez um trajeto por Angra dos Reis, já que os caminhões que deveriam ter chegado no prazo determinado não conseguiram.

Em uma grande rede do setor de frutas e verduras no Centro, clientes disputaram alimentos para estocarem. Alguns mercados fazem reposições simultâneas de alimentos, por conta da grande procura.  Além disso, carnes e produtos industrializados que levam proteínas na fabricação ficaram com entregas comprometidas em razão de atrasos no reabastecimento. Os alimentos tiveram alta e afetaram o bolso do consumidor, que sentiu  os efeitos da manifestação. Nos mercados, próximo às bancas de verduras e legumes, o que vimos foi o olhar preocupado e a surpresa por parte de quem resolveu ir às compras.

As sacas que sobraram de pimentão, tomate e repolho tiveram o preço redobrado Os reflexos dos protestos dos caminhoneiros chegaram à Central de Abastecimento do Estado do Rio de Janeiro (Ceasa-RJ), em Irajá, na Zona Norte do Rio. Dos 340 caminhões que deveriam fazer entregas, cerca de 75 conseguiram chegar ao mercadão. A saca com 50 quilos de batatas, que costuma ser vendida por R$ 70 ou R$ 80, foi comercializada por quase quatro vezes mais: entre R$ 250 e R$ 300.

Os problemas de abastecimento aconteceram porque Minas Gerais é um dos principais estados produtores a enviar mercadorias para os estabelecimentos locais. Foi a região que concentrou mais  de protesto de caminhoneiros.

Os caminhoneiros pararam no dia 21 de maio para exigir uma redução nos preços do óleo diesel, que subiram mais de 50% nos últimos 12 meses. A principal reivindicação da categoria era que os impostos que incidem sobre o combustível, como PIS-Cofins, fossem reduzidos. Eles também exigiram a fixação de uma tabela mínima para os valores de frete.

Ao longo da greve, discursos anticorrupção também se juntaram às bandeiras defendidas pelo movimento, que em poucos dias se tornou expressivo e provocou impactos à população, em diversos segmentos. Alguns grupos de manifestantes passaram a expressar apoio a um golpe militar.

 

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