Mídias Sociais

Cidades

Vereador eleito em Rio das Ostras, Carvalhão espera poder fazer diferença na cidade

Avatar

Publicado

em

 

Nascido em uma família humilde na zona rural de São Fidélis, no Norte Fluminense, Paulo Fernando Carvalho Gomes enfrentou muitas dificuldades na vida até ser eleito vereador pelo PV, em Rio das Ostras, no último dia 2 de outubro.

Com 722 votos, eleito por média, Carvalhão, como é conhecido na cidade em que atua como policial militar desde 1990, pode parecer apenas mais um dentre tantos brasileiros que passou de uma infância difícil para a vida pública. Mas ele garante que não.

“Essa é a 5ª vez que eu concorro para vereador na cidade. Mas nunca fiz muita questão da política, porque eu amo ser policial, mas eu sentia que precisava fazer mais para tentar combater as injustiças sociais que eu via desde pequeno. É com esse objetivo que eu vou para a Câmara agora”, conta ele.

O subtenente aposentado da Polícia Militar (PM) revela que desde que criança, ainda aos 6 anos, sonhava ser policial, o que conseguiu quase 16 anos depois, quando passou na prova realizada na então 5ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM), em Macaé, em 1988.

Chegando em Rio das Ostras 2 anos depois, como cabo da PM, Carvalhão lembra das ruas de terra de um pequeno lugarejo em que todos se conheciam, e que na época, contava apenas com 3 policiais militares para fazer a segurança.

Muito menos do que os atuais 100 homens de que dispõe a 9ª CIPM da cidade, que responde ao 32º Batalhão da PM (32º BPM), de Macaé, e que nem de longe são suficientes para manter a segurança de uma população flutuante que ultrapassa as 200 mil pessoas.

Uma das bandeiras do vereador eleito, inclusive, passa pela sua boa relação com o Comando da PM em Macaé, na figura do Tenente-Coronel Marco Aurélio Vollmer e do Major Scherrer, comandante e sub do 32º BPM, responsável pela segurança de Macaé, Rio das Ostras, Carapebus, Quissamã, Conceição de Macabu e Casimiro de Abreu.

“Se preciso for, a gente vai até Brasília pedir pela segurança da cidade. Eu tenho certeza que o Carlos Augusto (ex-prefeito eleito pelo PMDB), que é meu amigo, não vai se opor. A cidade não pode mais ficar a mercê do tráfico de drogas, dos estupros, dos assaltos e da violência como está. Se for preciso, até auxílio da Força Nacional de Segurança eu vou pedir”, adiantou Carvalhão, que fez questão de ressaltar a retidão de Vollmer e Scherrer, que, segundo ele, “servem de exemplo” para a corporação.

O futuro vereador rebateu ainda os boatos de que estaria envolvido com uma suposta milícia da cidade, ressaltando que, em mais de 26 anos de PM, nunca recebeu dinheiro de ninguém, e só recebeu uma única punição em toda carreira.

“Eu nunca recebi dinheiro de ninguém na polícia. Não aceito. Nunca aceitei e nunca vou aceitar. Eu posso mentir para o jornal, que não me conhece, para as pessoas na rua, para todo mundo, mas não se mente para a sua consciência, que é Deus. Eu entrei na política para fazer a diferença, para combater as injustiças sociais que eu via na minha infância e vi na minha carreira. As pessoas não têm ideia das coisas que a gente é obrigado a ver e a lidar dentro da polícia. Às vezes eu fico pensando, será que eu vou me decepcionar? Mas eu sou o beija-flor da história. Eu vou fazer a minha parte. E se eu não puder fazer nada para mudar essas injustiças, se eu não puder fazer algo por alguém eu garanto para você que eu entrego meu cargo de vereador”, diz ele, que antes da PM, serviu à Marinha de Guerra do Brasil.

Com uma fala direta e sem rodeios, o homem largo e robusto, de voz grave e fama de mau, diz que é um sonhador nato e deseja apenas que a população volta a acreditar nos homens públicos, que deveriam estar ali para servir e proteger. Mas reconhece que a realidade é um pouco mais dura. Não tão dura, porém, do que aquela com que conviveu na infância humilde na zona rural de São Fidélis, quando sonhou em ser policial.

“A gente morava na roça em São Fidélis, e só ia pra cidade uma vez por mês, para fazer as compras. Lá em casa, a gente tinha uma vida simples, mas tinha tudo, inhame, milho, ovos da roça, mas não tinha óleo, por exemplo; mamãe cozinhava com banha. Também não tinha sabão, macarrão, essas coisas. Então, uma vez por mês a gente ia à cidade para fazer as compras, e eu lembro de uma vez que eu queria muito um algodão doce e comecei a puxar a saia da minha mãe, pedindo para ela comprar. Mas eu não sabia que ela não tinha dinheiro; sabe como é criança, né. E eu fiquei pedindo e gritando e ela viu o policial e falou: se você continuar, eu chamo o policial para te prender. E eu olhei para aquele policial, fardado, com a arma, e fiquei morrendo de medo, e me escondi atrás dela, mas olhando o algodão doce. E o policial percebeu e trouxe o algodão doce para mim. Eu, morrendo de medo; e minha mãe disse: se é de coração, pode aceitar. E eu aceitei e comi aquele algodão doce e foi o melhor algodão doce da minha vida até hoje. Aquele policial foi o meu herói naquele dia. É isso que eu quero ser para as pessoas. Eu jurei servir e proteger a sociedade, mesmos que custe a minha vida. É isso que eu vou fazer, principalmente pelas 722 pessoas que acreditaram em mim, e que votaram em mim acreditando que ainda pode existir gente honesta na política. Eu posso dizer que eu gastei 30 mil reais na minha campanha, e não precisei gastar nem 1 centavo com ninguém comprando voto. Tudo que eu quero é cuidar das nossas crianças agora para evitar punir os adultos no futuro”, contou Carvalhão, o policial que se dispôs a trocar a arma pela caneta, as ruas pela Câmara, sonhando em ser para a população de Rio das Ostras o que um dia um policial foi para aquela criança de 6 anos, ao lhe dar um algodão doce: um herói, alguém em quem se possa acreditar em um cenário política justamente tão desacreditado.

Tunan Teixeira

Mais lidas da semana