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Região discute e adota medidas mais restritivas de combate à pandemia para evitar turismo fora de hora no feriadão

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Depois da aprovação do super feriado no Estado entre os dias 26 de março e 4 de abril, pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), vários municípios da Região dos Lagos e do Norte Fluminense, preocupadas com o aumento da movimentação no litoral, começaram a adotar medidas mais restritivas para prevenção da pandemia do coronavírus.

A 1ª cidade a se manifestar preocupada com o aumento do turismo fora de hora devido ao super feriado foi Rio das Ostras, que colocou em vigor, já na última segunda-feira, 22, um novo decreto fechando diversos estabelecimentos comerciais, como bares, lanchonetes, restaurantes, pizzarias, entre outros serviços, que poderão funcionar apenas nos sistemas delivery e drive thru.

Outra preocupação em todas as prefeituras é com o litoral, que sempre atraiu milhares de visitantes para os municípios da região todos os anos, mas que, durante a pandemia, tem se tornado um problema, já que os governos municipais enfrentam dificuldades em impedir que aglomerações nas praias e orlas, bem como em fiscalizar suas enormes faixas litorâneas.

“A grande preocupação é que, com o “super feriadão” no Rio de Janeiro, aconteça uma migração de pessoas para a cidade. Por isso, [a prefeitura] vai intensificar as ações de fiscalização, com equipes da Coordenadoria Geral de Fiscalização e Postura (Comfis) e do Grupamento de Operações Especiais (GOE) da Guarda Civil Municipal. A administração também vai contar com o apoio da Polícia Militar (PM)”, declarou a prefeitura de Rio das Ostras nesta segunda-feira.

Já o prefeito de Cabo Frio, José Bonifácio (PDT), defendeu, em reunião com secretários municipais, representantes de entidades comerciais, jurídicas, sindicatos municipais, e de hospitais particulares, uma ação conjunta entre os prefeitos da região depois da aprovação do super feriado.

“É uma situação grave e não são decisões fáceis nessa pandemia. Precisamos sinalizar aos turistas que não é o momento de vir para Cabo Frio e para a Região dos Lagos. Tenho me reunido com os demais prefeitos para que possamos ter ações conjuntas de bloqueio, de fiscalização e que sejam efetivas. Ações que mandem um recado à capital, sobre a vinda das pessoas nesse momento delicado para a saúde da população”, disse José Bonifácio, que promete um novo decreto de combate à pandemia para os próximos dias.

Nesta terça-feira, 23, após a aprovação do super ferido no Estado, o presidente da Alerj, deputado estadual André Ceciliano (PT), recebeu uma comitiva de prefeitos da região para discutir os impactos da medida do governo estadual em suas cidades.

Entre os representantes da região estava o prefeito de Campos dos Goytacazes, Wladimir Garotinho (PSD), que disse entender a medida, mas que também cobrou ações do governo estadual para impedir o aumento de visitantes nas cidades do interior do Estado, principalmente as de maior apelo turístico, como as da Região dos Lagos e do Norte Fluminense.

“Nós compreendemos o objetivo do decreto do Governo do Estado, que cria o ‘super feriado’ para conter as aglomerações, mas se não for adotada alguma medida estratégica para evitar os deslocamentos em massa das cidades da região do Grande Rio para as cidades do interior, principalmente para as praias, provocando efeito contrário que é o de evitar aglomerações. São em ambientes com muitas pessoas que o vírus se espalha, contaminando muita gente. Precisamos da compreensão das pessoas e do apoio e da ajuda do Governo do Estado para ter esse suporte necessário para conter os deslocamentos em massa entre as cidades neste feriado prolongado. Do contrário, não adianta alugar mais leitos de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo), contratar mais médicos e sair em busca de medicamentos de UTI, porque cada vez mais teremos muita gente em estado grave precisando de UTI”, pontuou o prefeito de Campos.

Também presente ao encontro na Alerj, a prefeita de São João da Barra, Carla Machado (PP), preferiu não esperar a ajuda do Estado e decretou confinamento na cidade a partir desta quarta-feira, 24, até o final do super ferido, no próximo dia 4 de abril.

Entre as principais medidas estão, o limite de horário entre 5h e 18h para atendimento presencial dos estabelecimentos comerciais e de serviços considerados essenciais, e a proibição de circulação de pessoas em ruas, praças e demais espaços públicos de uso comum entre 22h e 5h.

Outra representante da região que esteve na reunião com o presidente da Alerj, a prefeita de Quissamã, Fátima Pacheco (DEM), também participou de uma reunião regional com o Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ), que recomendou isolamento social maior, com alterações de funcionamento das atividades econômicas não essenciais e que provocam aglomerações.

“O país passa pelo momento mais complicado desde o início da pandemia. É uma decisão difícil, mas essencial nesta situação, pois cada vida importa. A gravidade é tão grande que recebemos, assim como os outros municípios do Norte Fluminense, um documento do Ministério Público recomendando medidas mais restritivas. Peço a compreensão da população de Quissamã, pois só assim vamos sair dessa situação difícil. E não podemos deixar de ressaltar que todos devem cumprir as medidas dos decretos e também devem adotar ações básicas do nosso dia a dia, como usar máscaras, evitar aglomerações e lavar as mãos com água e sabão ou higienizar com água e sabão”, defendeu Fátima Pacheco.

A reunião com o presidente da Alerj contou ainda com a presença dos prefeitos de São Francisco de Itabapoana, Francimara (SOLIDARIEDADE), e de São Fidélis, Amarildo do Hospital (SOLIDARIEDADE), além do secretário adjunto de Relações Institucionais de Macaé, Alexandre Cruz.

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