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Queda do preço do barril do petróleo não afeta retomada do setor no Brasil, diz Secretário de Desenvolvimento de Macaé

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Considerada Capital Nacional do Petróleo, Macaé segue avançando em soluções logísticas, e mira futuro, acreditando que queda dos preços não freia momento de retomada do mercado do petróleo no país

Depois de atingir US$ 81,87 dólares em setembro desse ano, o preço do barril do petróleo abriu esta quarta-feira, 14, com valor de US$ 65,59, segundo a cotação de vários sites que monitoram a variação do preço do barril no mundo.

A queda é a maior desde fevereiro deste ano, quando o preço chegou a US$ 65,42, causando uma desvalorização na cotação de 25% desde outubro, ficando agora em níveis que não atingia desde o início do ano.

A desaceleração se intensificou nesta terça-feira, 13, também com os futuros norte-americanos sofrendo sua maior perda em um dia em mais de 3 anos. Em seu relatório mensal, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) afirma que a demanda mundial por petróleo em 2019 aumentará em 1,29 milhões de barris por dia (bpd), o que representa uma queda de 70 mil bpd a menos que o previsto no mês passado e o quarto corte consecutivo de previsão.

Mesmo assim, a produção aumentou em 127 mil bpd, chegando a 32,9 milhões de bpd, segundo a Opep, que estaria preocupada com a desaceleração da demanda e à oferta recorde da Arábia Saudita, da Rússia, e dos Estados Unidos (EUA), o que estaria fazendo a Organização cogitar uma proposta de redução da produção para o ano que vem.

À agência internacional de notícias Reuters, o ministro da Energia da Arábia Saudita, Khalid al-Falih, explicou na última segunda-feira, 12, que a Opep concordou que há uma necessidade de reduzir o fornecimento de petróleo no próximo ano em cerca de 1 milhão de barris por dia a partir dos níveis de outubro para evitar excesso de oferta, que faria despencar ainda mais os preços do barril.

Mesmo com os sauditas prometendo reduzir a oferta, a produção dos EUA chegou a 11,6 milhões de bpd na semana mais recente, atingindo um novo recorde, assim como a Rússia, que teria dado sinais contrários à uma possível proposta de redução da produção, conforme disse o chefe-executivo da russa Lukoil, Vagit Alekperov, que, também na segunda, teria dito a Reuters que não vê necessidade de cortes na produção.

“Eles não conseguem se decidir por uma redução ou não”, disse Bob Yawger, diretor de futuros de energia da Mizuho, completando que “esses companheiros estranhos não parecem mais estar na mesma cama”.

O mercado está sofrendo reflexos da preocupação com o enfraquecimento da demanda global e o excesso de oferta, mas por enquanto, o fantasma de uma nova crise internacional no setor parece muito distante.

Os futuros dos EUA fecharam em queda de 7,1%, para o recorde de 12ª queda consecutiva e o menor desde novembro de 2017, com mais de 980 mil contratos mudando de mãos, com os fundos perdendo posições.

“É como uma corrida ao banco”, disse Phil Flynn, analista do Price Futures Group em Chicago, que acrescentou ainda que “está chegando ao ponto em que não parece ter relação com os fundamentos, mas um colapso total no preço”.

Traders, como são chamados operadores do mercado financeiro que buscam ganhar dinheiro a curto prazo, se aproveitando das mudanças do mercado, avaliam que a cotação foi uma extensão da segunda-feira e que foi desencadeada depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, postou um tweet pressionando a Opep a não cortar a oferta para sustentar os preços.

O tweet de Trump seguia os relatórios de fim de semana de que a Arábia Saudita estava considerando um corte de produção na reunião da Opep em dezembro, com o aumento do alarme de que a oferta começou a superar o consumo.

Segundos os traders ouvidos pela Reuters, especuladores teriam recuado em apostas pesadas em um rally de petróleo, um processo que teria continuado na terça-feira, mas desde a semana passada, os fundos de proteção e outros gestores de recursos reduziram sua posição comprada em contratos de petróleo para o menor nível desde agosto de 2017.

Os traders também acreditam que a queda recente no mercado de ações tem alimentado preocupações sobre o crescimento global, o que estaria contribuindo para o declínio do petróleo, ameaçando assim o momento de retomada do setor.

 

Macaé – No entanto, para Macaé e para o mercado de petróleo no Brasil, a queda dos preços não assusta muito. Segundo o Secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda de Macaé, Gustavo Wagner, mesmo com a queda, o ano foi bom.

“Apesar da queda do preço, que chegou a 65 dólares, para a gente, isso não afeta tanto. Em 2017, a previsão do mercado para o preço do barril neste ano era de 65 dólares. E mesmo assim, a gente chegou a mais de 80 dólares esse ano. Isso foi muito surpreendente. Tanto que a gente está agora estranhando o preço cair para o que ele foi previsto há 1 ano. Isso significa o ano foi muito bom para o mercado”, analisou o secretário.

Além disso, Gustavo explica que apesar da preocupação com a queda de demanda no mercado internacional, para o mercado brasileiro, a situação continua sendo de retomada, já que o foco do setor do país é a exploração, ou seja, um processo mais lento e que voltará a trazer crescimento econômico para o país e para a região da Bacia de Campos.

“Continuamos num momento de retomada e a cidade continua avançando. Com os avanços das questões do aeroporto e do novo porto, com a audiência pública, isso coloca Macaé num caminho ótimo. Quando a gente fala de retomada no mercado nacional, os contratos, os empregadores, estamos falando de exploração e não de produção. Esse óleo leva aí uns 10 anos para ir para o mercado. Agora é hora de cavar, perfurar, licenciar, concretar, e com esses avanços logísticos, a cidade se coloca numa condição muito boa para receber esse mercado”, avaliou.

O gestor da pasta do Desenvolvimento Econômico adiantou também que a situação do aeroporto segue avançando, e revelou que segundo o novo superintendente da Empresa Brasileira de Infrestrutura Aeroportuária (Infraero), Wagner Martins, a nova pista será entregue em dezembro deste ano e os voos devem voltar em 2019.

“As coisas estão avançando. O Wagner, que é o novo superintendente da Infraero, garantiu que a pista será entregue em dezembro e que na Brasil Offshore do ano que vem já estaremos voando”, revelou Gustvao Wagner.


 

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