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Presidente Michel Temer deve ter sigilo bancário quebrado por decisão de ministro do STF

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Decisão anunciada na noite desta segunda-feira, 5, acontece menos de 24 horas depois de Temer ter sido envolvido em novo esquema de corrupção

Menos de dois dias depois de informações divulgadas pelo jornal Estado de São Paulo, de que o presidente Michel Temer (PMDB) estaria articulando candidatura própria de seu partido à sua sucessão na presidência, o presidente sofreu novo revés na Justiça.

Depois de ter seu nome novamente envolvido em esquema de corrupção juntamente com dois de seus ministros, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso determinou a quebra de sigilo bancário do presidente.

Em nota, divulgada na noite desta segunda-feira, 5, a presidência da república informou que Temer iria solicitar ao Banco Central todos os seus extratos bancários com a finalidade de divulgar esses dados depois da decisão judicial.

“O presidente Michel Temer solicitará ao Banco Central os extratos de suas contas bancárias referentes ao período mencionado hoje no despacho do iminente ministro Luís Roberto Barroso. E dará à imprensa total acesso a esses documentos. O presidente não tem nenhuma preocupação com as informações constantes em suas contas bancárias”, diz a nota, assinada pela Secretaria Especial de Comunicação Social, divulgada pela Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), através da Agência Brasil.

Barroso é o responsável no STF pelo inquérito que investiga o suposto favorecimento da empresa Rodrimar S/A por meio da edição do chamado Decreto dos Portos, assinado por Temer em maio do ano passado, e que culminou com a demissão do ex-diretor-geral da Polícia Federal (PF), Fernando Segovia.

Na ação, além de Temer, são investigados o ex-deputado Rocha Loures (PMDB-PR) e os empresários Antônio Celso Grecco e Ricardo Mesquita, donos da Rodrimar, empresa que atua no Porto de Santos.

Em janeiro, ao responder por escrito aos questionamentos dos delegados responsáveis pelo caso, a defesa do presidente Temer declarou que ele nunca foi procurado por empresários do setor portuário para tratar da edição do decreto, tampouco autorizou qualquer pessoa a fazer tratativas em seu nome.

Fernando Segovia – O ex-diretor-geral da PF começou a “fritar” no cargo em 9 de fevereiro, quando, em entrevista à agência de notícias Reuters, sugeriu que justamente esse inquérito do Decreto dos Portos fosse arquivado.

Como conseqüência, o ministro Luís Roberto Barroso pediu explicações sobre como o delegado poderia se manifestar a respeito de um inquérito que ainda não fora concluído, ao que o então diretor da PF alegou ter sido mal interpretado.

Segovia deixou o cargo no último dia 27, quando o recém nomeado ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann decidiu pela saída do delegado para nomear Rogério Galloro, que, por sinal, já trocou 6 diretores executivos nomeados pelo ex-diretor-geral da PF.

Rocha Loures – O ex-deputado federal e ex-assessor de Temer aparece em mais um caso de esquema de corrupção, depois de ter virado réu, e ter sido preso por envolvimento no caso da mala de 500 mil reais que seria destinada, a mando de Temer, para a compra do silêncio do ex-presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso em novembro de 2016.

A denúncia, que surgiu da delação premiada do dono da JBS, Wesley Batista, em dezembro de 2017, não foi à frente para o presidente graças às articulações junto à Câmara Federal, que barrou as investigações contra Temer.

Em janeiro deste ano, Rocha Loures negou, em depoimento à PF, que recebeu propina ou fez qualquer pressão para atender os interesses da Rodrimar na edição do Decreto dos Portos, minimizando também sua relação com Temer, dizendo que ela é de “trabalho amistosa, não podendo afirmar que é de amizade”, conforme noticiou o jornal Valor Econômico na época.

Novo inquérito – Na última segunda-feira, 5, Temer foi alvo de novo pedido de investigação do STF, dessa vez por voto do relator, Edson Fachin, que aceitou denúncia da procuradora-geral da república, Raquel Dodge, para que ele fosse inserido em inquérito que investiga a participação dos ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB-RS) e da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco (PMDB-RJ), em mais um esquema de corrupção.

Dessa vez, o inquérito apura se integrantes do grupo político liderado por Temer e pelos dois ministros teriam, em 2014, ou seja, antes do golpe político-institucional que retirou do poder a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) através de impeachment, recebido recursos ilícitos da Odebrecht como contrapartida ao atendimento de interesses das empresas pela Secretaria de Aviação Civil, órgão comandado sucessivamente por Eliseu Padilha e Moreira Franco entre 2013 a 2015.

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