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Presidente da Alerj é citado em delação premiada da Lava Jato e aumenta crise do PMDB do Rio

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Depois de ser envolvido nas investigações da Operação Quinto do Ouro, Jorge Picciani agora também deve responder à Lava Jato

 

Tunan Teixeira

 

Não é de hoje que o Governo do Estado do Rio, comandado pelo PMDB desde 2004, quando a então governadora Rosinha Garotinho (PR) deixou o PSB, enfrenta uma grave crise política e financeira. Mas o que já estava ruim, parece piorando a cada dia.

Depois de denúncias envolvendo os ex-governadores Sérgio Cabral (PMDB) e Anthony Garotinho (PR), presos em escândalos de corrupção no ano passado, e processos de cassação contra o atual governador, Pezão (PMDB) e seu vice, Francisco Dornelles (PP), agora a mira da Justiça está de vez sobre o Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj), Jorge Picciani (PMDB), antes principal homem-forte do governo no Legislativo.

Envolvido nas investigações da Operação Quinto do Outro, que apura esquema de corrupção em que conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) receberiam propina para aprovação de licitações de obras públicas, desta vez, Picciani teve seu nome cita em delação premiada da Operação Lava Jato, aumentando ainda mais o clima de instabilidade política no Estado do Rio.

Segundo o ex-executivo responsável pelo departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht, Benedicto Barbosa da Silva Júnior, o deputado estadual teria participado do recebimento de 5 milhões de reais em doações de campanha pagamentos a campanhas políticas do PMDB do Rio.

De acordo com o delator, os pedidos teriam sido feitos pelo próprio Picciani, que além de Presidente da Alerj, também ocupa a presidência do partido no estado. O delator teria dito ainda que, em um desses pedidos, o intermediário foi o dono do banco BVA, José Augusto Ferreira, banco que faliu e já foi liquidado pelo Banco Central.

Nos documentos enviados aos procuradores da Lava Jato, Benedicto Júnior relata um segundo encontro com Jorge Picciani, também no diretório do PMDB no Rio, em 2010, em que o deputado pediria ajuda financeira para concorrer ao Senado, já que, de acordo com a delação, ele estaria preocupado em concorrer com o atual Senador, Lindberg Farias (PT), e o ex-prefeito do Rio, César Maia (DEM).

“Ia ser uma disputa acirrada, dentro dessa visão dele de dificuldade, ele demonstrou a necessidade de que eu fizesse uma doação de 5 milhões de reais. Tendo em vista a relação que ele já detinha com algumas pessoas do grupo por conta dele ser empresário privado, na área de criação de boi, tendo em vista a relação que ele desenvolveu comigo; a partir dessa relação com as pessoas que ele convivia no grupo e a proeminência dele no PMDB do Rio de Janeiro, eu avaliei que pra nós seria muito bom se ele ganhasse a eleição e fosse um senador pelo Rio de Janeiro”, descreve Benedicto em trecho da delação.

Em nota, Picciani teria dito que todas as doações às campanhas dele foram espontâneas, legais e declaradas à Justiça Eleitoral, e que vai responder com tranquilidade às acusações se o inquérito for aberto.

 

Tem mais – E não foi apenas o Presidente da Alerj que apareceu na lista divulgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na semana passada. Além de Picciani, a lista contém um ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), ministros da república, ex-presidentes, prefeitos, ex-prefeitos, senadores, deputados federais e governadores, dentre os quais o Governador do Rio.

De acordo com o STF, a maioria dos casos trata de doações eleitorais por meio de Caixa 2, o que, segundo o ex-presidente da empreiteira, Marcelo Odebrecht, era uma das medidas adotadas frequentemente pela empresa.

“Eu estimo que ¾ das campanhas (eleitorais) do Brasil eram de Caixa 2. Aí você criava um círculo vicioso”, declarou o empreiteiro aos procuradores da Operação Lava Jato, completando que “o Caixa 2, você não tem controle do que vai para a campanha e do que não vai para a campanha. Quer dizer, era um processo, que tinha de ser rompido”.

Com mais essa, fica cada vez mais difícil imaginar que o atual governo do estado consiga chegar ao final de seu mandato, em 31 de dezembro de 2018. E vale lembrar que o processo de cassação dos mandatos do governador e de seu vice espera apenas julgamento do Tribunal Superior Eleitora (TSE), e caso seja confirmado, além da perda de mandato dos dois políticos, também resultará em eleições imediatas ao Governo do Estado do Rio.

Foto: Reprodução

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