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Possibilidade de Jorge Picciani aceitar proposta de delação faz advogado pensar em abandonar defesa

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Ex-presidente da Alerj estaria pensando em colaborar com as investigações para livrar os filhos e deixar a cadeia. 

Preso em novembro de 2017, por envolvimento em mais um escândalo de corrupção envolvendo a alta cúpula do partido no Estado do Rio, o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj), Jorge Picciani (PMDB), estaria pretendendo se tornar delator nas investigações.

O motivo para o deputado estadual e um dos homens fortes do partido no estado seria a possibilidade de deixar a cadeia e de livrar os próprios filhos, entre eles, Felipe Picciani, também preso pela Polícia Federal em decorrência das investigações da Operação Cadeia Velha, que investiga a participação de políticos em esquema de corrupção para beneficiar empresários de diversos setores em contratos públicos.

Mas, segundo seu advogado, Nélio Machado, caso Picciani aceite a proposta de se tornar delator e colaborar com o Ministério Público do Rio (MP-RJ) nas investigações que culminaram com a prisão dos também deputados Edson Albertassi (PMDB) e Paulo Melo (PMDB), o chefão do partido no estado ficará sem advogado de defesa.

A afirmação teria sido feito ao repórter Luiz Maklouf Carvalho, do jornal O Estado de São Paulo, e também se refere ao ex-presidente da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) e do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman.

“Ser quiserem fazer delação premiada deixarão de ser meus clientes”, teria disparado Nélio Machado.

O advogado, apontado como um dos maiores criminalistas do país, e que defendeu Alberto Youssef, Paulo Roberto da Costa e Fernando Baiano, três dos principais réus da Lava Jato, antes deles se tornarem delatores, teria criticado ainda a maneira como as delações premiadas vêm sendo conduzidas do Brasil.

Para Nélio Machado, que está escrevendo um livro intitulado “Covardia”, em que critica as práticas adotadas por advogados que trabalham com a delação e abrem mão da defesa, a Lava Jato age fora do “devido processo legal e das garantias fundamentais” e por isso, “faz muito mal ao país”.

“Existem monstros que foram criados de forma artificial. Há algum tempo era o comunismo. Depois, o narcotráfico. Hoje, é a corrupção. Sempre existirá, e tem que ser combatida de forma inteligente. E não transformar a corrupção em referência nacional. A fome é mais importante. A saúde é mais importante, a educação é mais importante”, defende o advogado.

Por outro lado, uma possível delação de Jorge Picciani poderia abrir novos caminhos nas investigações de diversas operações em que o deputado é citado, já que além da Cadeia Velha, o nome do ex-presidente da Alerj aparece em investigações e delações das operações Quinto do Ouro e na própria Lava Jato.

Picciani, assim como Paulo Melo e Edson Albertassi, está preso na Cadeia Pública José Frederico Marques, no bairro de Benfica, na capital fluminense, desde novembro do ano passado, acusado de participar de esquema de propina que beneficiava empresários de setores como transportes públicos, lixo e limpeza urbana, em contratos de prestação de serviços públicos.

Foto: Marcio Alves

Tunan Teixeira


 

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