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PGR pede sequestro de R$ 36 milhões que Pezão recebeu de propina

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Ele atuava principalmente na lavagem e ocultação de dinheiro. 

Tânia Garabini

 

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, destacou nesta quinta-feira (29), em coletiva de imprensa, a necessidade da reparação dos danos causados ao patrimônio público por atos de corrupção cometidos por agentes públicos. Ao pedir a prisão do governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (MDB) e de outras oito pessoas, Raquel Dodge solicitou também o sequestro de bens dos investigados no valor de R$ 39,1 milhões. De acordo com as investigações, o governador integra o núcleo político de uma organização criminosa que, ao longo dos últimos anos, cometeu vários crimes contra a administração pública, como organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção. Foram identificadas treze infrações criminosas muito graves que continuavam sendo praticadas e “precisavam ser interrompidas.”

O montante a ser bloqueado (R$ 39 milhões) corresponde, em valores atualizados, ao que o governador teria recebido, a título de propina, no período de 2007 a 2015 – R$ 25 milhões. “O foco da atuação não tem sido só na punição dos infratores e na paralisação das atividades criminosas, mas também de reparação do dano causado ao patrimônio público. É um dinheiro oriundo de impostos cobrados da população. Por esta razão que crimes dessa natureza são extremamente graves", argumentou a procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

Além do governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, foram pedidas as prisões de outras oito pessoas. Também foram cumpridos 30 mandados de busca e apreensão nas cidades do Rio de Janeiro, Piraí, Juiz de Fora, Volta Redonda e Niterói. Foram presos o secretário de Obras do Rio, José Iran e operadores financeiros ligados a Pezão. Outros alvos são Affonso Henriques Monnerat Alves da Cruz, secretário de Governo; Luiz Carlos Vidal Barroso, servidor da secretaria da Casa Civil e Desenvolvimento Econômico, e Marcelo Santos Amorim, sobrinho do governador, Cláudio Fernandes Vidal, sócio da J.R.O Pavimentação; Luiz Alberto Gomes Gonçalves, sócio da J.R.O Pavimentação; Luis Fernando Craveiro de Amorim e César Augusto Craveiro de Amorim, ambos sócios da High Control.

Assim como a Procuradoria Geral da República, participaram da operação desta quinta-feira a Força Tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro e em Brasília, bem como outras instituições como a Polícia Federal e Receita Federal, numa operação que levou seis meses para culminar com a detenção dos envolvidos.

A operação tem como base a delação do economista Carlos Emanuel Carvalho Miranda, ex-operador do ex-governador Sérgio Cabral e delator premiado que detalhou o esquema que teria garantido uma mesada de R$ 150 mil a Pezão, entre 2007 a 2014, período que era vice-governador. De acordo com Miranda, ele tinha direito a 13º salário e a dois bônus, cada qual no valor de R$ 1 milhão.

Witzel assegura que a prisão de Pezão não irá afetar os trabalhos da equipe

Em nota oficial o governador eleito do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), afirmou hoje (29), em nota, que a transição não será afetada com a prisão do atual governador Luiz Fernando Pezão (MDB). Segundo ele, o esforço será para reconstruir o estado e, assim, confia nas ações da Polícia Federal.

“A transição não será afetada. A equipe do governador eleito seguirá trabalhando para mudar e reconstruir o Rio de Janeiro”, diz a nota, acrescentando que Witzel “confia na Justiça e na condução dos trabalhos pelo Superior Tribunal de Justiça e pela Polícia Federal”. O vice governador, Francisco Dornelles assume o governo estadual e esta semana deverá cumprir com o pagamento do 13º salário.

Crédito: Marcelo Sayão

 


 

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