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Novo laboratório para diagnóstico do coronavírus instalado em Campos pode iniciar operação já na próxima semana

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Com mais de mil casos confirmados do novo coronavírus somando 7 cidades da região, os municípios do entorno da Bacia de Campos estão prestes a ganhar um laboratório de referência regional para diagnóstico da doença.

O laboratório, implantado em parceria entre a Prefeitura de Campos dos Goytacazes e a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), estaria em fase final de instalação no Hospital Geral de Guarus, na cidade campista.

A informação foi dada em uma live da universidade realizada nesta quinta-feira, 14, com a participação dos professores Milton Kanashiro e Renato DaMatta, que explicaram que, inicialmente, será possível realizar de 50 a 100 exames diariamente, mas o volume pode ser ampliado para até 300.

A implantação do laboratório foi anunciada pela Prefeitura de Campos no último dia 7 de abril, após reunião com representantes da UENF, e deve ser avaliado pelo Laboratório Central Noel Nutels (LACEN-RJ), que vem analisando os testes feitos no Estado do Rio.

De acordo com os pesquisadores da UENF, com a instalação do novo laboratório na região, que pode ter o início das atividades já na próxima semana, os resultados passam a ficar disponíveis entre 24 e 48 horas, ampliando a capacidade de resposta das autoridades de saúde da região para a contenção do vírus.

Os professores da UENF reafirmaram ainda que as políticas de distanciamento social são essenciais para garantir a contenção do vírus, criticando a maneira como o governo federal vem ignorando informações da comunidade científica e das autoridades de Saúde internacionais.

As críticas dos pesquisadores parecem ressoar de recentes declarações do presidente da república, Jair Bolsonaro (sem partido), cobrando do mais novo ex-ministro da Saúde, Nelson Teich, a ampliação da recomendação do uso da cloroquina no tratamento ao coronavírus, mesmo com a eficácia do medicamento sendo questionada por autoridades de Saúde nacionais e internacionais.

Nesta sexta-feira, 15, Teich pediu demissão do cargo menos de 1 mês depois de ter sido escolhido pelo presidente para substituir Luiz Henrique Mandetta, que também não concordava com algumas exigências feitas pelo presidente.

Entre as discordâncias entre Jair Bolsonaro e Nelson Teich estavam justamente o uso de cloroquina que o presidente insistia que o Ministério da Saúde deveria recomendar no tratamento do coronavírus, assim como um decreto presidencial que pegou o agora ex-ministro de surpresa sobre a ampliação das atividades essenciais, entre elas, salões de beleza, barbearias e academias.

Sobre a cloroquina, ou hidroxicloroquina, como também é conhecida, a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) já informou que o uso do medicamento ainda não teve a eficácia comprovada no tratamento do coronavírus, apesar de seguir com testes sobre o uso do remédio pelo mundo.

Nesta semana, após o presidente voltar a defender o uso do remédio para o combate da doença, a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) alertou sobre o risco da automedicação após o que ela chamou em reportagem do site do jornal Estado de Minas como “interpretações precipitadas afirmando que medicamentos antimaláricos são eficazes para tratamento e prevenção de formas graves da COVID-19 (sigla para a expressão, em inglês, Coronavirus Disease 2019)”.

Além das informações sobre a eficácia do medicamento no Piauí terem sido desmentidas pelo próprio médico, Dr. Saba Vieira, que aparece em um vídeo verdadeiro, mas que teria sido editado na internet, a reportagem do site do jornal mineiro cita o resultado de uma pesquisa realizada nos Estados Unidos (EUA) que não encontrou comprovação de que o uso da cloroquina tenha eficácia no tratamento do vírus.

Na última quinta-feira, o site Piauí Hoje confirmou que o hospital que aparece no vídeo editado como se tivesse “zerado” o número de casos nas Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs), teria registrado 6 mortes no dia anterior (quarta,13), sendo 3 delas já confirmadas como casos fatais de coronavírus, e as outras 3 ainda sob investigação.

Ainda segundo a reportagem do Estado de Minas, um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Albany, no Estado de Nova York, e publicado na revista Journal of The American Medical Association (Jama) no último dia 11 de maio, também não encontrou relação entre o uso do medicamento e a redução da mortalidade pela doença.

Como ainda não há remédio nem vacina para a doença, as recomendações das autoridades de Saúde internacionais ainda são pelas medidas de isolamento social e restrição de circulação, e a testagem em massa da população, para tentar conter os avanços da pandemia.

Por isso, a instalação de um laboratório na região pode ser de grande importância para que os prefeitos das 7 cidades do entorno da Bacia de Campos possam avaliar suas medidas de prevenção ao coronavírus.

“A ideia é que ele seja um laboratório para toda região. Rio de Janeiro e Vitória têm laboratórios. Então, como Campos fica nesse meio do caminho, nosso objetivo é atender os municípios que fiquem nesse entorno, no Norte e Noroeste Fluminense e [Região dos] Lagos. Os municípios que têm interesse precisam buscar o laboratório para fornecer insumos, como EPI (equipamento de proteção individual) e material de coleta”, explicou o professor Milton Kanashiro, na live da UENF.

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