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Nova diretoria do Hospital da Mulher de Cabo Frio participa de oitiva promovida CPI da Câmara dos Vereadores

Thaiany Pieroni

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A nova diretoria do Hospital da Mulher de Cabo  Frio participou, na condição de testemunhas, da oitiva promovida pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) formada pela Câmara Municipal de Cabo Frio para investigar a morte de recém-nascidos na unidade de saúde. Na ocasião, a diretora geral da unidade, Tânia Lydia Matosinhos; a diretora técnica, Cristina Vale Faria e a diretora administrativa, Simone Sant´Anna, responderam perguntas feitas pelos vereadores sobre a morte de bebês na unidade.

O secretário de Saúde, Marcio Mureb, que é médico, também foi convidado para a oitiva, mas por ter cirurgias agendadas para esta quarta-feira, 15, remarcou o compromisso com a Câmara para a próxima segunda-feira, 20.

Sobre o protocolo de atendimento adotado pela atual gestão, a diretora geral informou que o novo modelo visa ter um olhar atento às necessidades da paciente e bom senso no encaminhamento de cada caso. “A gestação é um período naturalmente conturbado, em que muitas vezes a paciente apresenta um quadro influenciado por medo ou outras questões que acabam interferindo no seu estado. Por isso, fazemos o que for necessário para tranquilizá-la e constatar o seu real estado de saúde. E, após todas as constatações, decidir se é caso de internação ou de alta médica”, explicou.

Ao ser questionada pelas conclusões da Comissão de Verificação de Óbitos, Dra. Tânia informou que houve um grande número de óbitos provenientes de sífilis, uma doença sexualmente transmissível, e de infecções graves.

“A situação epidemiológica do município nos preocupa. Cabo Frio e também os municípios vizinhos apresentam alto índice de casos de sífilis. Os números que apresentamos são encaminhados para a Saúde Coletiva, e as ações de Saúde acontecem a partir de lá”, explicou.

Ainda segundo ela, para tentar minimizar o problema, o Hospital está se reunindo com as unidades de ESF (Estratégia Saúde da Família), onde são feitos os acompanhamentos pré-natais e com o Departamento de Saúde Coletiva, que está realizando capacitação das equipes de enfermeiros, para que estejam aptos a realizar todos os exames necessários na primeira consulta e no primeiro trimestre de gestação. Outra iniciativa, junto com o Departamento de Vigilância Epidemiológica, é a realização de ações de conscientização, em consonância com a Secretaria de Estado, para que não só a mãe fique ciente dos riscos, mas também o pai.

Além da sífilis e das infecções graves, outros motivos identificados como causa dos óbitos foram: má formação congênita, circulares de cordão e ainda hábitos e condições de higiene desfavoráveis, entre outros.

A diretora explicou ainda que apesar de todo o esforço da nova diretoria para oferecer um tratamento mais humanizado e intensivo às mulheres, a equipe enfrenta dificuldades de acompanhar a paciente no período da gestação e também no pós-parto. Isto porque um grande número apresenta endereços falsos e também porque a cidade está recebendo um grande fluxo migratório de pessoas provenientes de outras localidades do estado, que ainda não definiram moradia.

“Nosso objetivo é fazer uma busca ativa das pacientes, tanto para o acompanhamento da gestação como depois do nascimento, mas nem sempre é possível devido a esses fatores”, afirmou Dra. Tania.

Ao ser perguntada sobre a informatização da área administrativa, em especial a recepção, a diretora administrativa Simone Sant´Anna informou que nesses dois meses da nova gestão já identificou a necessidade de equipar e informatizar alguns setores administrativos, o que já foi solicitado à Secretaria.

A respeito da entrega dos prontuários médicos, a diretora administrativa explicou que o documento é entregue à paciente quando fica pronto, no prazo de até cinco dias após a alta médica.

Outra iniciativa que visa à melhoria é a capacitação dos funcionários desses setores, cujo objetivo é oferecer um atendimento humanizado do início ao fim.

As diretoras afirmaram que o maior desafio da nova gestão é desfazer uma imagem que foi amplamente reproduzida sobre o Hospital e que gerou medo e insegurança na população.

“Nos últimos meses, chegaram para as gestantes informações que as faziam sentir-se em risco ao se internarem ali. Nós nos colocamos no lugar dessas mulheres, para que elas tenham tranquilidade ao chegar no Hospital e no lugar dos profissionais que as atendem, que também ficaram assustados com essa situação. Mas já estamos conseguindo mudar esse cenário. Temos a certeza de que os problemas enfrentados não são de origem técnica nem estrutural. A equipe é excelente, os médicos gostam de trabalhar ali, a equipe de manutenção e administrativa não mede esforços para o bom funcionamento da unidade. O Hospital da Mulher é um ótimo lugar para trabalhar e também para as mulheres terem seus filhos”, concluiu Dra. Tania.

 

CPI da Alerj - A investigação do alto número de mortes de recém-nascidos também continua na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Uma audiência pública foi realizada na terça=feira, 14, para tratar sobre o caso.

Na ocasião, a coordenadora na Baixada Litorânea da Associação de Doulas do Estado (AdoulasRJ), Lídia Sá Barreto, afirmou que há diversos casos de doulas que são impedidas de acompanhar a gestante, que deve escolher entre a profissional ou o acompanhante.

Na ocasião, a deputada Renata Souza (PSol) afirmou que o prazo de encerramento dos trabalhos da CPI pode ser estendido em prol do encaminhamento que será dado pela Polícia Civil aos casos e da coleta de outros depoimentos. Na próxima reunião, dia 21, será ouvida a atual diretora do hospital, Tânia Lídia Lowen, que era presidente da Comissão de Óbitos da instituição durante as mortes dos nascituros.

 


 

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