A campanha da vereadora de Campos dos Goytacazes, Thamires Rangel (DEMOCRATA), eleita em 2024 quando ainda estava no Ensino Médio, com apenas 18 anos, pode ter se beneficiado do suposto esquema de corrupção de seu pai, o deputado estadual Thiago Rangel (AVANTE), preso pela Polícia Federal (PF).
É o que aponta uma denúncia feita à PF por um diretor de uma escola pública estadual, que teria sofrido pressão do parlamentar para liberar 200 mil reais que seriam destinados à campanha da filha por uma cadeira no Legislativo campista.
Thiago Rangel foi preso no último dia 5, pela 4ª fase da Operação Unha e Carne, a mesma que colocou atrás das grades o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) o deputado estadual, Rodrigo Bacellar (UNIÃO), também de Campos, e apontado como líder da organização criminosa.
De acordo com apuração do jornal O Globo, a denúncia do diretor escolar teria sido anexada à investigação, relatando um esquema de cobrança de propina dentro da Secretaria Estadual de Educação, com direito a uma videochamada de Rangel pressionando o servidor.
Segundo o relato, o dinheiro sairia diretamente da conta do colégio localizado na Região Noroeste Fluminense, por meio da emissão de uma nota fiscal fraudulenta, e seria devolvido 15 dias depois, conforme promessa do próprio deputado.
Na denúncia, o diretor escolar conta que as cobranças foram reforçadas após sua recusa inicial, com direito a uma chamada de vídeo do assessor parlamentar, Luis Fernando Passos de Souza, na qual o próprio o deputado teria aparecido defendendo a liberação do pagamento.
De acordo com a PF, Luis Fernando apareceria em conversas extraídas do celular de Thiago Rangel e seria apontado como operador financeiro do esquema responsável por fraudes em contratos de obras em escolas da rede pública estadual no Norte e Noroeste Fluminense.
A chamada de vídeo teria acontecido depois do servidor recusar a proposta, com Luis Fernando em frente a uma obra, em que o próprio Thiago Rangel apareceria dizendo que havia dinheiro suficiente, e que mandaria mais através de emendas parlamentares.
De acordo com o servidor, as cobranças eram feitas por WhatsApp e o esquema incluía outros diretores da rede pública estadual, além de empresários do setor de obras, que também teriam relatado cobranças de propina de 30% sobre a venda de mercadorias destinadas às escolas da rede.
Os relatos estariam em um dossiê reproduzido pela PF na representação policial enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), apontando que o esquema envolvia direcionamento de obras em escolas estaduais para empresas previamente escolhidas, que depois devolveriam parte dos recursos à organização criminosa.
Para os investigadores, a denúncia do diretor escolar conversaria com provas reunidas em outra apuração, a Operação Postos de Midas, iniciada em 2024, e que levantou suspeitas sobre o enriquecimento de Thiago Rangel, que saltou de um patrimônio declarado de 224 mil reais em 2020 para mais de 1,9 milhão de reais em 2022, quando foi eleito deputado estadual.
A PF encontrou ainda um vídeo no celular do deputado que mostra uma mala com cerca de 500 mil em dinheiro, parte de um suposto esquema de Caixa 2 para financiar campanhas políticas em Campos nas eleições municipais de 2024.
No documento enviado ao STF, a PF acredita que quase 3 milhões de reais teriam sido obtidos pelo esquema dessa forma, usados em campanhas eleitorais como a de Thamires Rangel e de outros candidatos aliados no Norte Fluminense.
Em nota publicada por O Globo, a defesa de Thiago Rangel nega todas as acusações e afirma que se trata de uma denúncia anônima “sem qualquer tipo de verificação prévia”, com alegações consideradas “absolutamente inverídicas”.