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Governador do Rio e prefeitos da região contrariam Bolsonaro e mantêm orientações para que população fique em casa

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Em pronunciamento em rede nacional, na noite desta terça-feira, 24, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) contrariou as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e criticou a imprensa, e governadores e prefeitos que decretaram medidas extremas de combate ao avanço do coronavírus em todo o país.

Mesmo com mais de 2,2 mil casos confirmados em todos os estados brasileiros, e mais de 47 mortes em menos de 1 mês desde o 1º caso da doença confirmado pelo Ministério da Saúde, em 26 de fevereiro, Bolsonaro pediu que a população “volte à normalidade” e afirmou que o avanço da doença na Itália não acontecerá no Brasil porque o país europeu é “um país com grande número de idosos e com clima totalmente diferente do nosso”.

“Devemos sim voltar à normalidade. Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada, a proibição de transportes, o fechamento de comércio e o confinamento em massa”, afirmou Bolsonaro.

Mas as declarações não caíram bem para diversos políticos, seja em Brasília, ou no Estado do Rio e seus municípios, gerando críticas de governadores como o de São Paulo, João Doria (PSDB), e o de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM).

Primeiro a responder as declarações, o Senado Federal emitiu nota horas depois do pronunciamento chamando de grave a posição tomada pelo presidente e pedindo uma “liderança séria, responsável e comprometida com a saúde da população”.

Consideramos grave a posição externada pelo presidente da República hoje (terça, 24), em cadeia nacional, de ataque às medidas de contenção ao covid-19 (sigla, em inglês para a expressão Coronavirus Disease 2019). Posição que está na contramão das ações adotadas em outros países e sugeridas pela própria OMS. Reafirmamos e insistimos: não é momento de ataque à imprensa e a outros gestores públicos. É momento de união, de serenidade e equilíbrio, de ouvir os técnicos e profissionais da área para que sejam adotadas as precauções e cautelas necessárias para o controle da situação, antes que seja tarde demais. A Nação espera do líder do Executivo, mais do que nunca, transparência, seriedade e responsabilidade. O Congresso continuará atuante e atento para colaborar no que for necessário para a superação desta crise”, dizia a nota divulgada pela Agência Senado, ainda na noite desta terça-feira, assinada pelo presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), e pelo vice-presidente, senador Antônio Anastasia (PSD-MG).

Outro a responder rapidamente as declarações do presidente foi o governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), que apesar de ter revelado que conversou em videoconferência com o presidente após o pronunciamento, pedindo diálogo e união, reafirmou que continuará segundo as orientações da OMS, e pediu que as população fluminense se mantenha em isolamento.

“A manifestação em cadeia de rádio e televisão do presidente da república contraria as determinações da Organização Mundial da Saúde. Nós continuaremos firmes, seguindo as orientações médicas, preservando vidas. Eu peço a você, por favor, fique em casa”, publicou o governador do Rio em vídeo também na desta terça.

Outro a se manifestar sobre as declarações do presidente da república em sua conta no Twitter foi o prefeito de Macaé, Dr. Aluizio (PSDB), que, bem mais comedido que o governador, apenas manteve as orientações que vem dando, até mesmo de forma pioneira no Estado, para prevenção do coronavírus na cidade.

“Sigo convicto. Fica em casa”, publicou o prefeito, que é médico, minutos depois da declaração de Bolsonaro em rede nacional.

Também no Twitter, o deputado federal de Campos dos Goytacazes, Wladimir Garotinho (PSD-RJ), foi outro a criticar as declarações do presidente da república, em tom muito mais grave que do prefeito da cidade vizinha ao seu reduto eleitoral.

“Discurso desastroso em rede nacional. Os brasileiros precisam de um líder, não de alguém que divida ainda mais o país em um momento de pânico e incertezas. Entre as opiniões próprias e a ciência, não hesite nunca. Lamento escrever isso, torço pelo Brasil, mas a bola fora foi grande”, escreveu o deputado, filho dos ex-governadores do Rio, Anthony e Rosinha Garotinho.

Também do Estado do Rio, o presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), usou seu perfil no Twitter para apoiar a nota do Senado, elogiando o posicionamento de Alcolumbre, mas sendo mais brando ao criticar o presidente.

“Desde o início desta crise venho pedindo sensatez, equilíbrio e união. O pronunciamento do presidente foi equivocado ao atacar a imprensa, os governadores e especialistas em saúde pública. O momento exige que o governo federal reconheça o esforço de todos – governadores, prefeitos e profissionais de saúde – e adote medidas objetivas de apoio emergencial para conter o vírus, e aos empresários e empregados prejudicados pelo isolamento social. Cabe aos brasileiros seguir as normas determinadas pela OMS e pelo Ministério da Saúde em respeito aos idosos e a todos que estão em grupo de risco. O Congresso está atento e votará medidas importantes para conter a pandemia e ajudar os empresários e trabalhadores. Precisamos de paz para vencer este desafio”, publicou Rodrigo Maia.

Em vídeo no Facbeook horas depois da manifestação de Bolsonaro, o prefeito de Campos, Rafael Diniz (CIDADANIA), município que teve o 1º caso confirmado do coronavírus na região nesta segunda-feira, 23, reafirmou um pacto feito com autoridades estaduais para coibir a aglomeração de pessoas nas ruas, mas também sem citar o presidente da república.

“A ordem tem sido clara, a palavra chave tem sido clara: ficar em casa, quem puder ficar em casa, evitar aglomerações de pessoas”, falou o prefeito, lembrando o decreto que fechou todo o comércio de Campos, exceção de gêneros alimentícios e farmácias, entre outros, e reafirmou que vai endurecer as medidas de prevenção ao coronavírus.

Em sua página do Facebook, a prefeita de Quissamã, Fátima Pacheco (DEM) fez coro aos prefeitos da região, mas se limitou a publicar uma imagem, com uma frase em que diz que continuará seguindo as orientações da OMS e reforçando o pedido para que as pessoas continuem em isolamento.

“Continuaremos seguindo todas as orientações da Organização Mundial da Saúde no combate ao coronavírus. A prioridade é preservar a vida das pessoas. Por favor, fique em casa”, dizia o texto na imagem que tinha ainda a assinatura da prefeita.

Em todas as cidades da região e no Estado do Rio, os comércios seguem fechados, exceto os de atividades consideradas essenciais, e as orientações são para que a população continue em casa, evitando aglomerações.

De acordo com um mapa elaborado pela Microsoft para acompanhar a evolução dos casos de coronavírus em todo o mundo, são mais de 445 mil casos confirmados da doença, com mais de 19 mil mortes, com a maioria dos casos confirmados na China, na Itália, nos EUA, e na Espanha.

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