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Fundador da ONG Viva Rio fala dos problemas de segurança no Estado do Rio na Câmara de Macaé

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Antropólogo aproveitou a vista à cidade e confirmou que deixou o Viva Rio e se filiou ao PPS tendo em vista as eleições para o governo estadual, em outubro deste ano

O antropólogo e fundador da Organização Não Governamental (ONG) Viva Rio, Rubem César Fernandes, esteve na Câmara Municipal de Macaé na última quinta-feira, 7, onde palestrou sobre a crescente onda de violência que aflige o Estado do Rio de Janeiro.

“Estamos em guerra. Os números da violência nos mostram isso”, declarou ele, afirmando que não se trata apenas de uma crise de segurança pública.

Mas para Rubem, esta não é uma guerra convencional, pois envolve o enfrentamento das forças do Estado e de um conjunto de pessoas mais ou menos organizadas que se espalham pelo território em ações criminosas.

A entrada dos cidadãos nessa guerra, sobretudo em áreas carentes, seria fruto da desigualdade social, da falta de oportunidades e da ausência de políticas públicas de educação, cultura, esporte, lazer, trabalho e renda.

O antropólogo defendeu as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) em comunidades de pequeno e médio porte, mas não em grandes territórios, como o Complexo do Alemão.

“Para Macaé acho que seria uma boa estratégia, capaz de dar conta das demandas locais”, pontuou ele.

O antropólogo também se mostrou favorável a entrada do Exército para conter a violência no Rio, apesar dos enormes gastos do governo federal com a intervenção e os dados que comprovam que a violência no estado aumentou depois da medida.

“Acho um desperdício não utilizar forças que têm essa competência e podem contribuir com ações e estratégias de forma macro. Assim, é possível deixar que a polícia atue no varejo, isto é, no dia a dia das ruas”, analisou.

A palestra foi aberta pelo presidente do Legislativo macaense, Dr. Eduardo Cardoso (PPS), e contou com a participação do vereador e presidente do PPS Macaé, Welberth Rezende (PPS).

Rubem César terminou a palestra afirmando que é possível baixar a temperatura dessa fervura. Para ele, o caminho é a união de forças municipais, estaduais e federais no enfrentamento do problema, além da recuperação da confiança e da capacidade das polícias.

“Hoje, a média é de dois a três PMs mortos por semana no Rio. Eles sofrem com a desvalorização do Estado e o deboche da população desacreditada. Somado a isso, vivem em um ambiente de grande risco e pressão, o que favorece a depressão, o suicídio e os desvios de conduta dentro das corporações”, relatou o antropólogo.

No entanto, se essas ações não forem acompanhadas de uma forte política de educação, geração de renda e oportunidades para superar a pobreza e diminuir a desigualdade social, todo o esforço será vão, alerta o novo integrante do PPS.

Também participaram os parlamentares Robson Oliveira (PSDB), Guto Garcia (MDB), Maxwell Vaz (SD) e Julinho do Aeroporto (PMDB).

Pré-candidatura – Desde 1993 à frente da Viva Rio, o escritor, pesquisador e antropólogo Rubem César Fernandes deixou este ano a direção executiva da ONG e se filiou ao PPS, visando uma possível candidatura ao governo do Estado do Rio.

Com 14 anos de experiência na mediação de conflitos junto ao Exército Brasileiro, no Haiti, é a primeira vez que ele se candidatará a um cargo político.

Segundo ele, essa é uma tentativa de contribuir para solucionar o caos que vivemos no Estado do Rio, diante do profundo desencanto da sua geração e da crise moral e financeira que enfrentamos atualmente.

“Não será uma tarefa fácil. Será preciso reduzir as despesas, elencar prioridades, negociar as dívidas, transferir responsabilidades que não são do Estado e tentar fomentar algumas áreas capazes de nos dar uma resposta mais rápida, como o turismo”, avisou ele, que, no entanto, reconheceu a dificuldade e a complexidade desse desafio.

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