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Execução da vereadora Marielle Franco no Rio de Janeiro chegou até a ONU

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Na quinta-feira, 15, deputado estadual do Rio, Marcelo Freixo (PSOL), esteve com o chefe da Polícia Civil do Estado, Rivaldo Barbosa, que declarou que o crime “atenta contra a democracia”

O caso da vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada no Rio de Janeiro na noite da última quarta-feira, 14, chegou à Organização das Nações Unidas (ONU). Em nota, a ONU diz que espera rigor na investigação do caso e breve elucidação, com responsabilização pela autoria do crime.

“Quinta vereadora mais votada nas eleições municipais de 2016, Marielle era um dos marcos da renovação da participação política das mulheres, diferenciando-se pelo caráter progressista em assuntos sociais no contexto da responsabilidade do Poder Legislativo local”, afirmou a organização, em nota publicada pela Empresa Brasil de Comunicação.

No dia seguinte ao crime, o presidente Michel Temer (PMDB) se reuniu com ministros para discutir o crime que chocou o país e provocou grande comoção em diversas capitais brasileiras, além de outras questões relacionadas à segurança pública do Estado do Rio.

Segundo informações da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), participam da reunião os ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB-RS), do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, general Sérgio Etchegoyen, da Secretaria-Geral, Moreira Franco (PMDB-RJ), além do secretário-executivo do Ministério Extraordinário da Segurança Pública, o general Carlos Alberto Santos Cruz.

Pelas redes sociais, Temer lamentou o crime cometido contra a vereadora e reafirmou que acompanha a apuração do caso, além de ressaltar que o crime não ficaria impune.

“Lamento esse ato de extrema covardia contra a vereadora Marielle Franco. Solidarizo-me com familiares e amigos, e acompanho a apuração dos fatos para a punição dos autores desse crime”, disse Temer em sua conta no Twitter.

Ainda na noite de quarta-feira, o Palácio do Planalto divulgou nota informando que o governo federal acompanharia toda a apuração do assassinato da vereadora e do motorista que a acompanhava. Marielle Franco e Anderson Pedro Gomes estavam no carro alvejado por 13 tiros quando a vereadora voltava de um evento pelas causas das mulheres negras, no centro do Rio.

Na nota, a presidência explicou que o Ministério de Segurança Pública colocou a Polícia Federal (PF) à disposição para auxiliar a investigação, mas, em entrevista o chefe da Polícia Civil do Estado do Rio, Rivaldo Barbosa, disse que o crime “atenta contra a democracia”, e declarou, já na quinta-feira, que a corporação tem condições de resolver o caso sozinha.

“É um caso extremamente grave, que atenta contra a dignidade da pessoa humana e que atenta contra a democracia”, disse Barbosa.

Ainda na quinta, o chefe da Polícia Civil recebeu em seu gabinete o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), bem como os delegados Fábio Cardoso e Gineton Lages, que estão, respectivamente, à frente das Delegacias de Homicídio e da Delegacia de Homicídios da Capital.

“Nós temos nossos protocolos estabelecidos. Quem quiser nos ajudar, receberemos a ajuda, de qualquer instituição. Entretanto, quero dizer que a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro tem capacidade para resolver esse caso”, declarou Rivaldo Barbosa.

Segundo a EBC, o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, já teria acionado a PF, e esteve no Rio junto com o diretor-geral do órgão, Rogério Galloro.

Marielle Franco foi morta a tiros no bairro do Estácio, região central da capital carioca, na noite da última quarta-feira, quando o carro em que ela estava foi abordado por outro veículos, que teria disparado 13 tiros, dos quais 4 atingiram a vereadora.

Ainda de acordo com Barbosa, as informações levantadas na investigação até a tarde de quinta-feira estão sob sigilo, e nenhuma hipótese de investigação está descartada, inclusive a de se tratar de um caso de execução.

Uma assessora de Marielle, que não teve seu nome divulgado pela Polícia e também estava no carro no momento do crime, sobreviveu aos disparos, e já foi ouvida como testemunha, além de receber proteção do Estado.

Durante o encontro com o chefe da Polícia Civil, Marcelo Freixo, de quem Marielle foi assessora parlamentar antes de ser eleita vereadora em 2016, com 46,5 mil votos, também comentou o crime.

“Quem matou a Marielle tentou matar a possibilidade de uma mulher negra, que nasceu na Favela da Maré, que era feminista, estar na política. É um crime contra a democracia”, declarou o deputado, dizendo ainda que tinha contato constante com Marielle e sua família, e que não há nenhuma informação de que a vereadora tenha recebido ameaças.

Marielle era moradora do Complexo da Maré e defensora dos direitos humanos, autora de frequentes denúncias de violações cometidas em ações policiais contra negros, moradores de favela, mulheres e pessoas LGBT.

Marcelo Freixo destacou a atuação da vereadora, que denunciava crimes cometidos por policiais, o que não impedia que ela tivesse bom diálogo com a polícia e inclusive fosse amiga de Rivaldo Barbosa.
“O trabalho da Marielle, como o meu, nunca foi um trabalho contra a polícia. Denunciar policiais que cometem crimes não é [ser] contra a polícia. Temos que acabar com a ideia que existe no Rio de Janeiro de que quem defende direitos humanos é contra a polícia ou que a polícia é ameaçada pelos direitos humanos. Quem pensa assim é uma sociedade doente”, defendeu o deputado.

Para Freixo, que chegou a ser ameaçado de morte por conta da CPI das Milícias, que presidiu em 2008, e que levou à prisão de vários políticos, policiais militares, civis e bombeiros, a morte de Marielle não provocará silenciamento, mas uma resposta de mais mobilização e luta pelas bandeiras que ela defendia.

“A resposta virá. Quem matou achando que ia calar a Marielle, transformou a Marielle em um símbolo que vai fazer com que muitas Marielles brotem nas praças públicas a partir de hoje. Isso não vai ficar impune e não vai ficar em silêncio”, afirmou Freixo, de acordo com a EBC.

Outro que falou sobre o caso na quinta-feira, foi o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luiz Fux, abriu a sessão ordinária da Corte expressando “profundo pesar” da Justiça Eleitoral pelo assassinato da vereadora Marielli Franco.

De acordo com o órgão oficial de comunicação do governo federal, Fux falou em nome da Justiça Eleitoral, dizendo que todos defendem o processo democrático ficaram “chocados” com o ocorrido que ele qualificou como uma tentativa de “calar a voz da política”.

“Nesses momentos a sociedade sofre muito, mas a sociedade não se cala nem há de se calar. Nós aqui, em nome de todos os colegas [magistrados], das bancas [de advocacia] e dos eleitores, gostaríamos de manifestar profundo pesar pela trágica morte dessa vereadora”, disse Luiz Fux.

Presente na sessão, a advogada Maria Cláudia Bucchianeri Pinheiro falou, em nome do Movimento Mais Mulheres no Direito, lembrando as lutas da vereadoras pelos direitos humanos, em especial os direitos das mulheres.

“Hoje (quinta, 15) é dia em que nós mulheres estamos todas enlutadas pela morte de Marielle, uma vereadora combativa, defensora dos direitos humanos e feminista ativa que lutava pelos direitos de todos nós”, declarou Maria Cláudia.

O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cláudio Lamachia, também divulgou nota comentando o caso, chamando o crime de um ato contra a sociedade e a democracia.

“O assassinato da vereadora Marielle Franco é um crime contra toda a sociedade e ofende diretamente os valores do Estado Democrático de Direito. O Conselho Federal da OAB acompanha o caso e espera agilidade na apuração e punição exemplar para os grupos envolvidos”, dizia a nota, segundo a EBC.

Marielle foi a quinta vereadora mais votada nas eleições de 2016 no Rio de Janeiro, com 46.502 votos. Nascida no Complexo da Maré, era socióloga, com mestrado em Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense (UFF), tendo feito dissertação sobre o funcionamento das Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs) nas favelas.

Trabalhou em organizações da sociedade civil como a Brasil Foundation e o Centro de Ações Solidárias da Maré, e também coordenou a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj.

Em primeiro mandato como parlamentar, Marielle Franco presidia a Comissão Mulher da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, além de, recentemente, ter assumido a relatoria da comissão da Câmara responsável por monitorar a intervenção federal na Segurança Pública do Estado do Rio, fazendo frequentes denúncias contra a violência policial em comunidades da capital fluminense.


 

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