Mídias Sociais

Economia

Estudo da Firjan revela que a região Norte Fluminense é a mais atingida pela crise do estado

Publicado

em

Uma das principais cidades do Norte Fluminense, Macaé tem importância fundamental no desempenho econômico da região devido à sua relevância para a indústria do petróleo

A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) divulgou nesta semana o resultado de uma pesquisa sobre o cenário econômico de todas as regiões do Estado do Rio que constatou que a região Norte Fluminense foi a mais afetada pela crise financeira que atingiu o Rio de Janeiro.

Os resultados foram revelados junto com a série Retratos Regionais – Cenário Econômico, com palestras online sobre economia do Estado do Rio, e a pesquisa analisou ainda a atividade econômica e o ambiente de negócios a região.

“O Rio perdeu, em média, 11% do seu mercado de trabalho no período, sendo assim, em termos relativos, podemos dizer que o Norte Fluminense sentiu duas vezes mais a crise que atingiu o estado”, afirmou o coordenador de estudos econômicos da Firjan, William Figueiredo.

Quanto à atividade econômica, a pesquisa aponta que, em dezembro de 2017, as empresas do Norte Fluminense produziram menos do que pretendiam, indicando que o setor ainda não apresentou uma retomada significativa das atividades.

Diante da fraca atividade econômica na região, no ano passado, houve queda de 11% das importações, além da extinção de 11.860 vagas de emprego, sendo a cidade de a mais atingida, fechando 8.904 postos em 2017.

Apenas o setor da construção fechou mais de 6 mil postos de trabalho na região, mais da metade de todas as vagas extintas, enquanto que a indústria de transformação abriu 1.135 vagas no mesmo período.

No total, nos últimos 3 anos, o Norte Fluminense fechou mais de 52 mil vagas, estando atualmente com um mercado de trabalho quase 20% menor que em 2014, ano em que estourou a crise internacional do petróleo, que afetou drasticamente esses números, principalmente os do desemprego.

Com mais de 900 mil habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em mais de 68 bilhões de reais em 2015, números que representavam 10% do PIB de todo o estado, o Norte Fluminense é uma região com atividade econômica bastante expressiva devido, principalmente, à indústria de petróleo e gás.

De acordo com os dados da Firjan, a maior região do estado, com uma área de 9.730 km², que representa 22,3% do território do Rio de Janeiro, tem uma indústria que emprega atualmente 27% do total de trabalhadores da região, somando um total de 65 mil empregados, média superior a 15%, que é a média estadual de trabalhadores empregados.

Os estudos apontam ainda que além de gerar tributos para os municípios, a indústria local também contribui para a geração de emprego e renda, destacando que a região tem o maior polo industrial de máquinas e equipamentos do Rio, além de grande destaque na produção de materiais para construção, e das indústrias, naval e de alimentos.

Mas se a crise representou a extinção de muitas vagas de trabalho, fazendo com que muitos trabalhadores retornassem às suas regiões de origem, por outro lado, elevou números relacionados ao empreendedorismo.

A Firjan revelou que o número de registros de Microempreendedores Individuais (MEIs) na região cresceu 16% de 2016 para 2017, mesma coisa acontecendo com o registro de empresas cadastradas no Simples Nacional, que aumentou 9% em relação a 2016.

Há se somar nesses dados as recentes políticas das prefeituras de Quissamã e São João da Barra, que aderiram ao Sistema de Registro Integrado (Regin), possibilitando a emissão de alvarás eletrônicos online, importante ferramenta para desburocratizar a legalização de empresas e para fomentar a atividade econômica dos municípios e da região.

“Ao observar o ambiente de negócios e como Norte Fluminense está estruturado para receber novos investimentos, é importante olhar, entre outros fatores, para a segurança, energia e telecomunicações. Na região, o número de ocorrências de roubo de carga caiu 38,5%, saindo de 130 ocorrências em 2016 para 80 no ano passado. A queda dos números na região não significa mais segurança para as empresas. Quem segue transportando suas cargas pelas estradas do Rio continua correndo riscos. No estado, houve aumento no número de ocorrências. Foram registrados 10.599 casos de roubo de cargas em 2017, o equivalente a um crime a cada 50 minutos. O prejuízo chegou a 607,1 milhões de reais. O maior número de registros aconteceu na capital, que concentrou mais de metade das ocorrências do estado. Os números de letalidade violenta (homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e homicídio decorrente de oposição à intervenção policial) no Norte Fluminense também recuaram [-24%] entre 2016 e 2017”, explica a Firjan, sobre a análise feita sobre ambiente de negócios, um dos fatores da pesquisa.

Segundo os dados, em 2017, o número de horas que a região ficou sem energia elétrica aumentou, chegando a 29,7 horas, fazendo da região a que mais tempo ficou sem fornecimento no estado.

A Firjan ressalta ainda que a qualidade da banda larga em 2016 registrou a 6ª pior colocação em todo o estado, e, de acordo com os estudos, em média, todos os municípios do Norte Fluminense têm velocidade média menor que a do estado.

“Nesse cenário, os esforços para aprimorar o ambiente de negócios são fundamentais, uma vez que melhoram as condições para novos investimentos, que têm a capacidade de gerar emprego e renda. A boa notícia é que o Sistema Firjan mapeou grandes investimentos futuros na região, no valor de quase 9 bilhões de reais. Entre os principais estão a construção do terminal de regaseificação e duas termelétricas no Porto do Açu, e a implantação de uma usina termelétrica com fonte de gás natural em Macaé”, lembra a Firjan.

Mais lidas do mês