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Em meio a denúncias de corrupção, Governo do Rio garante entrega de hospital de campanha de Campos

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O hospital de campanha do governo estadual na cidade de Campos dos Goytacazes para tratamento do coronavírus voltou a ser assunto neste sábado, 23, após o governador Wison Witzel (PSC) “tranquilizar” o prefeito Rafael Diniz (CIDADANIA) sobre a entrega da unidade que segue em construção no centro da cidade.

“Acabei de falar com o prefeito de Campos, Rafael Diniz, e o tranquilizei sobre a entrega do hospital de campanha da cidade. Há muitas dificuldades a serem enfrentadas para que, menor prazo possível, tudo esteja pronto e operando. Vamos vencer. Seguimos firmes”, escreveu Witzel em sua página no Twitter no fim da tarde deste sábado.

A declaração foi dada um dia depois de o Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ) apontar sobrepreço de 123 milhões de reais na compra de mil respiradores na gestão do ex-secretário estadual de Saúde, Edmar Santos, exonerado pelo governador no último dia 17 após denúncias de fraudes nas licitações justamente para compra de respiradores.

A publicação do governador do Rio também serve como uma resposta às declarações do novo secretário estadual de Saúde, Fernando Ferry, que, na última sexta-feira, 22, chegou a dizer que parte dos hospitais de campanha do Estado do Rio poderiam não sair devido às investigações de corrupção.

Além da publicação no Twitter, de acordo com o portal Folha1, Witzel também teria garantido a entrega do hospital de campanha de Campos em conversa, por telefone, com o prefeito Rafael Diniz, quando também teria dado prazo de entrega para o mês de junho.

A nova promessa, já que a 1ª previsão para a entrega da unidade foi dado para o último dia 30 de abril, também veio 1 dia depois da conclusão da obra ser cobrada em ofício, tanto pelo prefeito de Campos, quanto pelo deputado federal Wladimir Garotinho (PSD-RJ), cuja família tem forte influência política no município.

O sobrepreço de R$ 123.588.000,00 na compra dos mil respiradores foi apontado na noite de sexta-feira, após a divulgação de relatório de uma auditoria da Secretaria Geral de Controle Externo (SGE), do TCE-RJ, que apontou como responsáveis pelas irregularidades o ex-secretário e o ex-subsecretário estadual de Saúde, respectivamente, Edmar Santos e Gabriel Neves.

“O estudo técnico do TCE-RJ apontou que os respiradores foram comprados com preços que equivaliam, em média, ao triplo adotado como referência no mercado, implicando um sobrepreço médio aproximado de 200%. A empresa ARC Fontoura aplicou um sobrepreço de 183%, enquanto a A2A, 230%, e a MHS, 212%. A auditoria apontou 7 achados de possíveis irregularidades: contratação de empresas inaptas ao fornecimento emergencial pretendido; direcionamento ilícito da contratação; pagamento antecipado sem a prestação de garantia; ausência injustificada de estimativas de preço; ausência injustificada de estimativas de quantidade; sobrepreço injustificado das contratações emergenciais; e liquidação irregular de despesa, pelo recebimento de equipamentos inservíveis para os fins a que se destinava a contratação”, detalhou o TCE-RJ.

Ainda de acordo com o site do Folha1, as investigações podem afetar também o hospital de campanha que está sendo construído na região, na cidade de Casimiro de Abreu, já que o contrato assinado entre o Governo do Estado e a Organização Social (OS) Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas), custaria 20 milhões de reais por mês só para a implementação das duas unidades, em Campos e Casimiro.

O site diz ainda que o valor seria 10 vezes maior que a construção de um hospital de campanha em São Paulo, que terá maior capacidade, situação que já está na mira do Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ), que instaurou inquérito civil para investigar as suspeitas.

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