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Diretores do Hospital da Mulher de Cabo Frio são afastados do cargo durante investigação realizada por CPIs

Thaiany Pieroni

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Os diretores do Hospital da Mulher de Cabo Frio, Paul Hebert Dreyer e Lívea Natividade, foram afastados do cargo. A notícia foi confirmada logo após os diretores terem prestados seus depoimentos a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) que investiga a morte de nascituros e recém-nascidos no Hospital.

De acordo com a Prefeitura, o motivo da solicitação é para evitar qualquer suspeita de interferência nas investigações das CPIs da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e da Câmara Municipal.  Os novos nomes que ocuparão a diretoria ainda não foram divulgados.

 

 

Sobre o depoimento - Os até então diretores do Hospital Paul Hebert Dreyer e Lívea Natividade tiveram que responder a um questionamento, nesta terça-feira, 02, feio por membros da CPI criada pela Alerj sobre a morte de 16 mortes de bebês, somente nos três primeiros meses do ano.

O diretor Paul Hebert alegou que as mortes registradas estão relacionados a doenças, como sífilis e hipertensão, e ao consumo de drogas ilícitas. Ele disse que a ausência ou a má realização do acompanhamento pré-natal também foi um fator decisivo. “Eram fetos que já estavam em um sofrimento crônico que não havia sido diagnosticado. As mulheres chegavam no hospital e não podíamos operá-las imediatamente. Segundo o protocolo, era preciso estabilizá-las primeiro e, muitas vezes nesse intermédio, os filhos faleceram porque eles já estavam em sofrimento fetal”, justificou.

No entanto, para a presidente da comissão, deputada Renata Souza (PSol), a justificativa de Hebert não condiz com os relatos e os documentos apresentados pelas mães que perderam seus bebês. “Culpabilizar a vítima por perder o seu filho é um equívoco. A gente precisa saber se foi antes, durante ou depois do parto que esses bebês tiveram um sofrimento que os levaram à morte. Nós tivemos acesso a diversos exames pré-natal dessas mulheres e todas tinham a indicação de que seus filhos nasceriam saudáveis. A gente precisa saber o que está acontecendo”, declarou

A parlamentar solicitou ao hospital o envio de documentos, entre eles os prontuários dos 16 casos de falecimento, que serão analisados por uma equipe técnica de apoio à CPI. Souza também solicitou o livro com os registros de entrada na instituição desde novembro de 2018, o relatório de fiscalização do Conselho Municipal e as atas das reuniões da comissão interna do hospital que atestou a causa das mortes.

A comissão informou ainda que convidará para esclarecimentos o secretário municipal de Saúde, Márcio Mureb, e estuda convidar o prefeito de Cabo Frio, Adriano Moreno.

O Hospital da Mulher realiza de 150 a 200 partos por mês e, segundo o diretor Helbert, a taxa de óbitos dos primeiros meses de 2019 se assemelha ao registrado em anos anteriores, sendo 50 mortes em 2017 e 53 em 2018.

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