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Deputado estadual de Macaé elogia plebiscito pela municipalização da água e comenta batalha geopolítica pelo porto

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O deputado estadual, Welberth Rezende (PPS), esteve em Macaé na manhã desta quinta-feira, 25, para participar de um programa de entrevistas numa rádio local, onde comentou a situação problemática entre a prefeitura e a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (CEDAE), que decidem pela prestação dos serviços de abastecimento e fornecimento de água no município na Justiça.

Para o ex-vereador da cidade, que assumiu uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj) em fevereiro desse ano, a iniciativa do Prefeito Dr. Aluízio (sem partido), de convocar a população para opinar a respeito da municipalização da água é muito importante para a cidade.

“Essa questão da audiência pública eu acho muito interessante. Parabenizar o prefeito. Acho que foi uma grande sacada dele porque é importante a votação popular”, elogiou Welberth.

Aliado de grupo político ligado ao prefeito, o deputado citou o plebiscito que acontecerá na cidade no próximo domingo, 28, quando a população poderá se manifestar através do voto sobre a municipalização ou não dos serviços de responsabilidade da CEDAE, que é alvo de uma enxurrada de críticas no município.

O plebiscito acontece no Centro de Convenções Jornalista Roberto Marinho, das 8h às 17h, e para votar, os cidadãos devem estar munidos do título de eleitor e de um documento oficial com foto.

O deputado do PPS comentou ainda sobre a questão da construção do Terminal Portuário de Macaé (Tepor), que em janeiro, foi apontada primordial pelo novo Governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), mas que segue travado por uma liminar da Organização de Desenvolvimento Cultural e Preservação Ambiental Ama Brasil, de São Paulo.

A organização teria entrado com uma ação judicial contra a licença ambiental para a construção do porto em Macaé, o que, segundo Welberth, vai além de preocupação com o meio ambiente, sendo uma disputa geopolítica.

“Nosso mandato está totalmente voltado para essa atividade portuária na cidade, a atividade de óleo e de gás, e agora o gás se colocando como grande forma de desenvolvimento local e a economia da nossa região. E o porto, ele é muito importante para a gente. Eu estive agora há pouco tempo procurando, tentando entender, e realmente é um ataque geopolítico que estão fazendo com a gente. Existe uma grande disputa porque esse porto é muito mais do que só um porto. Essa ONG [na verdade, ela é uma OSCIP, Organização da Sociedade Civil de Interesse Público] de São Paulo é uma ONG que não é ONG coisíssima nenhuma. Tem interesses econômicos por trás dela. Muitos desses sócios que estão nessa ONG são empresários da região de São Paulo. Nós temos uma questão aqui. Eu estive conversando com o pessoal do porto, com o Carramenha [José Eduardo Carramenha, consultor do projeto do Tepor Macaé], para poder entender essa situação. Ele me explicou o seguinte, que ficou uma grande herança do óleo em Macaé, foi muito forte o movimento do óleo em Macaé, mas hoje em dia já são campos maduros, e agora a grande discussão está em volta do pré-sal, mas ficaram aqui os dutos. E o gás, que vem de toda plataforma no Brasil, ele se manifesta fortemente em duas regiões. Aqui, uma linha que vem para Macaé, sai em Cabiúnas, e outra grande linha que vai para São Paulo. E aí, as duas cidades que têm essa zona que o gás chega, estão brigando pela colocação de um porto. Então, essa região lá de São Paulo também está na corrida do porto. Esse porto só Macaé que disputa. O problema não é Porto do Açu, não é Porto de Maricá, não são esses outros portos, porque quem tem o gasoduto é Macaé”, explicou o deputado estadual.

Ainda segundo Welberth, os interesses por trás da busca pelo porto estariam não apenas nas atividades portuárias do empreendimento, mas também no aproveitamento dos gasodutos dessas duas regiões citadas, pois, na planta do porto haveria a previsão de uma Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN), que separa o gás que vem do oceano, gerando outras matérias-primas importantes para a indústria, e em alguns casos, até mais valiosas que o gás.

“Junto dessa planta do porto, por baixo da base desse porto, vão passar também os dutos de gás. E os dutos de gás combinados com uma UPGN, porque o gás, na verdade, ele vem do mar e vem sujo. E a sujeira não é sólida, é uma sujeira líquida. O que vem junto do gás que suja o gás é a nafta, que é um produto muito mais valioso do que o gás. A nafta é um produto em que o barril vale, 3, 4, 5 vezes mais do que o preço do gás. Nós temos aqui a nafta, que é praticamente um solvente, tem cheiro de solvente, um solvente forte, uma matéria-prima que vai chegar do mar separado do gás. Tendo aqui a nafta perto, ela faz, além do solvente, aí abre a possibilidade de indústria de tinta, abre também, através da nafta, é ela também que abre as resinas para poder fazer polietileno, para poder fazer PVC, para poder fazer garrafa pet, e essas indústrias também podem se instalar aqui em Macaé por conta de ter aqui a matéria-prima principal que a nafta. E por que é que há a corrida contra São Paulo? Porque lá também tem isso e estão tentando fazer o porto. Se eles conseguirem primeiro, essas indústrias podem ir para lá, e depois, possivelmente, não viriam para Macaé. Então tem uma grande discussão, uma grande corrida contra o tempo, que é de conseguir esse projeto do porto, porque junto dele, vem a UPGN, que abre várias possibilidades e o caminho para o desenvolvimento econômico, e de trabalho e de emprego para a nossa gente”, detalhou ele.

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