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Depois de polêmicas e alfinetadas, governo federal anuncia compra da vacina contra o coronavírus do Instituto Butantan

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Depois de muitas polêmicas e alfinetadas entre o presidente da república, Jair Bolsonaro (sem partido), e o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), o Ministério da Saúde anunciou a assinatura de contrato com o Instituto Butantan para adquirir, ainda este ano, até 100 milhões de doses da vacina contra o coronavírus produzida em parceria entre o instituto paulista e a farmacêutica chinesa Sinovac Biontech.

O contrato para a compra da Coronavac envolve a compra inicial de 46 milhões de doses, prevendo a possibilidade de renovação com a aquisição de outras 54 milhões de doses posteriormente.

De acordo com a Agência Brasil, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), órgão oficial do governo federal, esse modelo foi adotado pelo Ministério da Saúde pela falta de orçamento para comercializar a integralidade das 100 milhões de doses.

Nesta semana, o Instituto Butantan anunciou que a eficácia da Coronavac é de 78%, número que parece ter sido suficiente para convencer o governo federal do que o governo estadual de São Paulo já vinha defendendo há meses.

Além do governo federal e do governo paulista, a eficácia da vacina também já havia convencido alguns municípios da região do entorno da Bacia de Campos, entre eles Macaé e São João da Barra, que, no fim de 2020, assinaram termos de intenção com o Instituto Butantan para a compra de doses do imunizante já este ano.

Em sua conta no Twitter, o agora ex-prefeito de Macaé, Dr. Aluízio (sem partido), responsável pelo contato com o instituto paulista para garantir a compra de 500 mil doses da vacina já em janeiro, comemorou a decisão do governo federal.

“Cá pra nós o [Instituto] Butantan bombou. O dia de hoje (7) entra pra história como o dia em que a ciência, a perseverança, venceram a intransigência e o desrespeito com a vida .Valeu Butantan”, escreveu o ex-prefeito.

Dr. Aluízio se referia à entrevista coletiva dada pelo ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, no Palácio do Planlto, nesta quinta-feira, 7, horas antes da publicação do ex-prefeito de Macaé no Twitter, em que o ministro e representantes da pasta anunciaram o contrato de compra da vacina e trataram da situação da vacinação contra a coronavírus.

O ministro afirmou que a aquisição do lote da Coronavac foi possível graças à uma medida provisória editada nesta quarta-feira, 6, permitindo a contratação de vacinas antes do registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“A MP [medida provisória] nos permite fazer contratação de vacinas e outros insumos antes mesmo de estar concluído o registro na Anvisa, coisa que não era permitida. Não podia fazer nenhuma contratação que não houvesse incorporação anterior no SUS [Sistema Único de Saúde] para poder comprar”, explicou Eduardo Pazuello.

Segundo a Agência Brasil, a perspectiva da pasta é de que sejam disponibilizadas em 2021 até 354 milhões de doses de vacinas contra o coronavírus, total que deve ser formado por 2 milhões de doses da Astrazeneca, da Índia; 10,4 milhões da vacina produzida até julho pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Rio de Janeiro; 110 milhões fabricadas no Brasil pela Fiocruz a partir de agosto; 42,5 milhões do mecanismo Covax Facility, provavelmente da Astrazeneca; e mais 100 milhões da Coronavac oriundas do contrato com o Instituto Butantan.

A vacina produzia em parceria entre a farmacêutica chinesa e o Instituto Butantan deve custar cerca de US$ 10,00 por dose, sendo que são necessárias duas doses para cada pessoa ser imunizada contra o coronavírus.

O preço é muito maior do que as vacinas da Astrazeneca, que tem preço de US$ 3,75 por dose, e que, diferente do imunizante chinês, só precisaria da aplicação de apenas uma dose para ter resultado, de acordo com o ministro da Saúde.

Eduardo Pazuello atualizou ainda os 3 cenários de início da vacinação anunciados anteriormente, explicando que, no melhor caso, o processo começaria em 20 de janeiro se os laboratórios conseguirem autorização em caráter emergencial juntamente à Anvisa. O 2º cenário apresentado pelo ministro seria entre 20 de janeiro e 10 de fevereiro, enquanto que o 3º cenário seria entre 10 de fevereiro e o início de março.

O ministro da Saúde comentou ainda que a estimativa é que os 2 produtores nacionais, o Instituto Butantan e a Fiocruz, cheguem ainda neste ano à capacidade de fabricação de 30 milhões de doses por mês.

Sobre a vacina da Pfizer, o governo federal revelou que segue em negociação para a aquisição do imunizante produzido em parceria entre a farmacêutica norte-americana e a farmacêutica alemã BioNTech, que já mostrou eficácia na prevenção de mutações do vírus em países do Reino Unido, além da África do Sul, entre outros.

De acordo com Eduardo Pazuello, o entrave se deve ao fato de que a empresa apresentou exigências que foram mal recebidas pelo Ministério da Saúde, como a desresponsabilização por qualquer efeito colateral, a designação dos Estados Unidos (EUA) como foro para resolver eventuais ações decorrentes de problemas como este, e a obrigação de o Brasil fornecer o material para diluir o imunizante.

“Não paramos de negociar com a Pfizer. E o que queremos? Que ela nos dê o tratamento compatível com o nosso país, que ela amenize essas cláusulas. Não podemos assinar desta forma. Ela ofereceu 500 mil em janeiro, 500 mil em fevereiro e 2 milhões em março, 2 milhões em abril, 2 milhões em maio e 2 milhões em junho. Pensem se isso resolve o problema do Brasil. Toda a vacina oferecida pela Pfizer no 1º semestre vacina a metade da população do Rio de Janeiro”, contou o ministro.

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