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Comissão da Alerj discute situação da indústria do Estado do Rio e impactos da pandemia do coronavírus na economia

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Em audiência pública realizada por videoconferência nesta semana, a Comissão de Economia, Indústria e Comércio da Assembleia Legislativo do Rio (Alerj) debateu a situação da indústria fluminense nesse momento de pandemia do coronavírus.

O evento no canal do YouTube do presidente da comissão, deputado estadual Renan Ferreirinha (PSB), contou com a participação do deputado estadual Welberth Rezende (CIDADANIA) e de empresários de diversos setores da economia fluminense.

O objetivo do encontro era discutir o impacto das medidas de isolamento social e restrição de circulação na indústria fluminense, bem como debater as ações para recuperação produtiva e econômica do Estado.

Também participando do encontro, o subsecretário estadual de Indústria e Comércio do Rio, Guilherme Mercês, ressaltou a importância de uma reflexão conjunta entre medidas para proteção da saúde e da economia, lembrando que não existe dicotomia entre as duas áreas.

“Nós precisamos implementar medidas para proteger a saúde da população, mas também estamos dialogando com os setores que movimentam a economia para preservar nossa produtividade. Não existe dicotomia entre saúde e economia”, destacou o subsecretário, que respondeu a Welberth que o governo estadual segue mantendo diálogo com os municípios nesse momento de crise.

O deputado estadual, ex-vereador de Macaé, havia questionado o representante do governo estadual sobre as medidas mais enérgicas que alguns municípios vêm tomando para conter o avanço da pandemia, e que, segundo Welberth, poderia prejudicar a economia fluminense.

Indústria do petróleo – Secretário executivo da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Petróleo (ABESPetro), Gilson Coelho ressaltou a importância no município de Macaé para a cadeia de óleo e gás, uma das mais importantes da economia do Estado, responsável por 13% do Produto Interno Bruto (PIB) do Rio de Janeiro em 2019.

O representante da ABESPetro explicou que, antes da crise do coronavírus, a indústria do petróleo tinha a expectativa de 650 mil empregos diretos e indiretos até 2026, devido ao momento de retomada que o setor vinha vivendo nos últimos anos, mas lembrou que com as questões geopolíticas na Rússia, o preço do barril de petróleo, que chegou a estar acima dos 80 dólares em 2018, hoje, devido à crise do coronavírus, opera na casa dos US% 28,30.

Segundo Gilson Coelho, a expectativa do setor é de quedas ainda maiores, com o valor do barril do petróleo girando em torno de 23, 24 dólares, caso a pandemia se mantenha por muito mais tempo, provocando impactos na economia mundial.

“Vamos ter que nos ajustar com uma realidade do barril a 40 dólares. O Estado vai ter que se readaptar”, acredita Gilson, falando sobre as previsões para o preço do barril do petróleo mesmo após a pior fase da pandemia.

Para Gilson, mesmo após a pandemia, a indústria de óleo e gás vai ser a primeira que vai se recuperar, pelo volume de investimentos que ela atrai, mas atualmente muitos contratos estão sendo reduzidos, e muitas empresas estão com as atividades paradas.

Apesar de dizer concordar com todas as medidas preventivas da Organização Mundial da Saúde (OMS), Gilson Coelho alertou que as barreiras sanitárias estão impedindo a entrada de estrangeiros no país, e que, apesar de algo em torno de 90% a 95% dos profissionais da indústria do petróleo serem brasileiros, ainda há uma pequena parcela de estrangeiros, que são responsáveis por muitas atividades de risco, e que, sem eles, pode haver risco até mesmo de danos ambientais.

Apesar da situação de emergência em Saúde Pública e também na economia, o subsecretário Guilherme Mercês se disse confiante na recuperação do Estado do Rio, e comentou ainda a necessidade de uma mudança no funcionamento da indústria fluminense nos próximos anos.

“Estou confiante que a gente vai conseguir realizar uma boa agenda de competitividade. Cheguei tem 2 meses, mas tivemos que virar as baterias para essa emergência do coronavírus. Temos tentado dialogar com todos os setores da economia. Na indústria extrativa, por exemplo, não há restrições. Mas é claro que existe lima dificuldade de governança, de comunicação entre o governo federal, os estados e os municípios, que muitas vezes tomam medidas diferentes, de acordo com o que consideram necessário. Mas isso aconteceu no mundo todo, essa dificuldade de governa, e está acontecendo no país. De forma geral, a gente teve uma preocupação muito grande de dialogar com todos os setores para poder preservar a economia do Estado do Rio. Antes havia uma discussão que está ficando para trás que é que a crise do coronavírus deve ser mais intensa, duradoura, talvez o ano todo ainda estaremos lidando com isso. Estamos observando a experiência de outros países onde há segundas, terceiras ondas da doença. Estamos vivendo uma revolução tecnológica. Esse resquício de petróleo de 20, 30 anos que a gente ainda tem, precisa preparar essa nova economia. As demandas do mundo serão diferentes pós-coronavírus”, avaliou Guillherme Mercês.

Ainda segundo ele, atualmente o Estado do Rio é um dos que mais importa no país, e com as restrições de comércio internacional natural devido ao coronavírus, é preciso preparar a economia do Estado para deixar de ser a maior importadora do Brasil e passar a ser produtora de insumos para exportação dentro e fora do país.

De acordo com dados apresentados pelo secretário executivo da ABESPetro, atualmente a indústria de óleo e gás do Estado do Rio possui 433 campos de petróleo em produção, e tem a previsão de gerar 408 bilhões de reais em royalties e Participações Especiais (PE) até 2054, além de uma expectativa de investimentos na casa dos 2,5 trilhões de reais até 2030.

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