Mídias Sociais

Política

Com quase 4 mil empregos criados no 1º semestre, Campos e Macaé puxam desenvolvimento da região e do estado

Publicado

em

 

Impulsionada pela retomada ainda lenta da indústria do petróleo, Macaé é a segunda cidade do estado que mais registrou a criação de novas vagas de trabalho nos primeiros 6 meses de 2018

Uma boa notícia para a Região Norte Fluminense, o desemprego que assolou as cidades da região desde que estourou a crise internacional do petróleo, em 2014, começa a dar sinais de recuo.

Apesar dos números ainda altos de profissionais fora do mercado de trabalho, o Norte Fluminense foi responsável pela maior parcela na geração de empregos nos primeiros 6 meses deste ano, com mais de 5.000 vagas criadas na região, principalmente nos setores de agropecuária e indústria de transformação.

Os dados foram divulgados pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), na última quinta-feira, 30, e colocam as cidades de Campos dos Goytacazes, Macaé e São Francisco de Itabapoana como as que mais geraram vagas em todo o estado neste primeiro semestre.

As informações são da 3ª edição da série Retratos Regionais – Cenário Econômico, divulgada pela Firjan esta semana, que revela ainda que, no comércio, as demissões continuam, somando 834 vagas a menos no mesmo período.

Conforme a Firjan, os novos empregos se devem à retomada do setor de óleo e gás e às contratações sazonais ligadas à safra de cana-de-açúcar, que permitiu a Campos abrir 2.625 novos postos de trabalho, Macaé, 1.164, e São Francisco de Itabapoana, 961 desde janeiro,

Outra mostra de que a atividade produtiva da região está sendo retomada é o volume do repasse de Royalties, que subiu 20% em 2017, em relação a 2016. Segundo polo industrial do estado, o Norte Fluminense concentra grande parte da indústria do petróleo instalada no interior do Rio.

Os dados divulgados pela Firjan mostram ainda que a indústria representa 46% do Produto Interno Bruto (PIB) da região, com destaque óbvio para o setor de petróleo, que desde o ano passado, vem retomando investimentos depois do sucesso dos leilões de pós-sal e pré-sal, aliados à política de investimentos da Petrobras.

Juntos, os municípios de Campos e Macaé respondem por 81% do PIB da região, mas São João da Barra, que representa 11%, tem recebido um volume significativo de investimentos, principalmente devido ao Porto do Açu.

“O Norte Fluminense foi muito impactado pela crise, logo, com a retomada do setor de óleo e gás, a região que tem muito a ganhar” , lembra a analista em desenvolvimento econômico da Firjan, Júlia Pestana.

Apesar dos sinais positivos em alguns setores da região, a produção industrial seguiu em queda em junho, segundo a pesquisa Sondagem Industrial, o que indica que a atividade econômica, apesar da retomada, continua lenta.

“Diante desse cenário, as condições financeiras das empresas ainda estão muito ruins, principalmente das pequenas e médias. As margens de lucro estão baixas e o acesso ao crédito, difícil. Dessa forma, para os empresários do Norte Fluminense, os principais entraves para a retomada da economia são a elevada carga tributária e a falta de capital de giro”, analisa a Firjan.

Entre outras avaliações feitas da Federação das Indústrias fluminenses, o ambiente de negócios da região está estruturado para receber novos investimentos, mas ainda faltam ações em áreas como a segurança pública, investimentos que muitas vezes, são de responsabilidade do estado e da União.

A Região Norte Fluminense ainda sofre com o roubo de cargas, 1 a cada 5 dias, e mesmo apresentando dados menores que no restante do estado, este tipo de roubo preocupa os industriais da região, na medida em que as empresas transportam suas cargas por todo o Estado do Rio, onde são  registradas 26 ocorrências a cada 24 horas.

“Outra questão preocupante na região é o aumento no registro de casos de letalidade violenta (homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e homicídio decorrente de oposição à intervenção policial), que cresceram 57% no 2º trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Campos é responsável por mais da metade das ocorrências”, acrescenta a Firjan.

Além dos dados positivos do mercado de trabalho, uma outra boa notícia para a região são os investimentos anunciados, como o Hub de Gás Natural em São João da Barra e a Usina Termelétrica (UTE) Norte Fluminense, em Macaé. No total, serão 9,3 bilhões de reais em novos investimentos.

“Apesar do momento difícil que a região ainda vive, as perspectivas são bastante positivas. Porém para que a atividade econômica da região volte a crescer, é preciso que outros setores, além do de óleo e gás, também se recuperem”, avalia Júlia Pestana.

Brasil – Se o Norte Fluminense começa a voltar a gerar empregos, com a retomada, mesmo que ainda tímida, da indústria do petróleo e do setor do agronegócio, no restante do país, o desemprego começa a recuar neste ano.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil iniciou o 3º trimestre de 2018 com queda na taxa de desemprego pela 4ª vez seguida, mas registrou número recorde de desempregados diante das incertezas atuais em torno da economia, segundo dados divulgados nesta quinta-feira, 30.

A taxa de desemprego atingiu 12,3% nos três meses até julho, depois de ter ficado em 12,4% no 2º trimestre, na quarta queda seguida, de acordo com o IBGE. No mesmo período do ano passado, o desemprego era de 12,8%.

Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, e mostram que, no trimestre até julho, o Brasil tinha 12,868 milhões de desempregados, contra 12,966 milhões nos três meses até junho e 13,326 milhões no mesmo período do ano passado.

O mercado, porém, continua fortemente marcado pela desistência dos trabalhadores em procurar uma recolocação, dado que 4,818 milhões de pessoas desistiram de buscar uma colocação no período, número recorde para a pesquisa iniciada em 2012.

“O desemprego vem caindo no Brasil por conta do desalento, principalmente neste ano de 2018”, afirmou o coordenador do IBGE, Cimar Azeredo.

Também permanece a degradação do emprego formal. Nos três meses até julho eram 32,981 milhões de pessoas com carteira assinada no setor privado no Brasil, uma queda de 1,1% sobre o ano anterior. Já o emprego sem carteira no setor privado aumentou 3,4% em relação ao ano anterior, com 11,094 milhões de trabalhadores.

O IBGE mostrou ainda que o rendimento médio do trabalhador foi a R$ 2.205,00 no período, contra R$ 2.213,00 no segundo trimestre, e R$ 2.188,00 no mesmo período de 2017.

Dados do Ministério do Trabalho mostraram que o Brasil registrou a criação líquida de 47.319 vagas formais de trabalho em julho, com destaque para a agropecuária, cuja participação da Região Norte Fluminense foi significativa. Mesmo assim, o cenário nacional, assim como o da região, é de lentidão do mercado de trabalho em se recuperar e incertezas diante de uma atividade econômica que não consegue engrenar em um ritmo intenso.


 

Mais lidas do mês