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Um dos alunos que humilhou professor em Rio das Ostras pode pegar até 9 anos de prisão

Bertha Muniz

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Polícia Civil inclui o crime de injúria na lista de crimes cometidos pelos estudantes do Ciep, após professor confessar já ter sido chamado de “macaco”.

Um dos alunos que aparece nas imagens onde estudantes humilham um professor em Rio das Ostras pode pegar uma pena de até nove anos de prisão por conta dos crimes desacato, dano ao patrimônio público e corrupção de menores, além de injúria, segundo a Polícia Civil.

O estudante, não identificado, é maior de idade. Além deles, outros cinco envolvidos já foram identificados e ainda serão ouvidos ao longo desta semana na 128ª Delegacia Policial de Rio das Ostras (128ª DP), que instaurou por iniciativa própria um inquérito para apurar o caso, que ganhou repercussão nacional.

Os alunos começaram a serem intimados nesta segunda-feira (24). Quatro funcionários da escola já foram ouvidos, incluindo a diretora e a coordenadora. O fato aconteceu na última terça-feira (18), no CIEP Mestre Marçal Municipalizado, localizado no Jardim Campomar, em Rio das Ostras.

A Polícia Civil também realizou uma perícia na escola na última sexta-feira (21) na escola, onde agentes apreenderam uma calça amarrada com nós, que foi lançada pelos alunos contra o professor e que atingiu o quadro da sala. No local foi constatado que houve danos ao patrimônio público por parte dos indiciados.

A vítima, o professor de Língua Portuguesa, Thiago dos Santos, de 32 anos, prestou depoimento neste sábado (22). Na delegacia ele contou que antes do episódio, já havia sofrido racismo por parte dos alunos.  “Segundo a vítima, certo dia ao chegar à sala de aula, ele encontrou a palavra “macaco”' escrita no quadro. Desta forma, incluímos o crime de injúria no inquérito” disse o delegado Carmelo Santalúcia, responsável pelas investigações.

Relembre o caso

Na última terça-feira (18), o professor Thiago dos Santos foi agredido por um grupo de alunos enquanto aplicava uma prova de Língua Portuguesa.  Um dos estudantes gravou toda a ação e o vídeo foi parar na internet, causando revolta e comoção popular.

No vídeo, era possível ver alunos depredando o quadro branco, rasgando as provas e atirando objetos no professor.  Um dos adolescentes chega a arremessar uma pochete na direção do professor quando ele escrevia no quadro. O professor questiona se a intenção era atingi-lo e outro aluno responde: “‘Peraí’ que agora vai acertar”. O aluno chega a fazer ameaças graves quando é questionado por um colega.

“Vai matar o professor, cara? Faz isso não. O cara te dá aula, o cara é maneiro”, diz o colega, que recebe a resposta: “O cara nunca mais vai dar”.

Em outro momento do vídeo, o mesmo adolescente que arremessou a pochete amassa a prova na frente do professor. O jovem também tenta destruir as provas dos colegas e quando rasga uma folha, o colega debocha: “Aí, professor, acabou a prova!”. As imagens mostram ainda que um dos jovens chega a empurrar o professor exigindo que a porta ficasse aberta.

Ministério Público entra no caso

O Ministério Público (MPRJ), por meio da Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude da comarca de Rio das Ostras, tomou ciência do caso também nesta quinta (20), e imediatamente fez contato telefônico com a escola e com a Secretaria de Educação do Município (Semed), buscando saber as providências adotadas bem como a qualificação de todos os envolvidos, incluindo o professor vítima.

Aluno fica de frente com professor e pede perdão em entrevista

Durante uma entrevista gravada pelo Fantástico, que foi ao ar neste domingo (23), um dos alunos que participou das agressões pediu perdão ao professor. O adolescente de 16 anos confessou estar arrependido.  “Eu só tenho que pedir perdão ao professor. Foi um erro o que a gente fez com ele. Foi um erro que ninguém merece. Ele sempre tratou a gente com amor e com carinho", disse.

"Eu acredito na educação que transforma", disse o professor em entrevista ao Fantástico.

Em um dos pontos mais emocionantes da entrevista, o professor Thiago aceitou o pedido de desculpas, mas se disse frustrado por não ter conseguido mudar os jovens para quem lecionava. "Sabe o que me deixa mais triste? É que o meu objetivo era ajudar vocês e é com pesar que eu não consegui. Mas eu acredito na educação que transforma", lamentou o professor.


 

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