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Oásis na crise hídrica, Juturnaíba garante abastecimento de água para a Região dos Lagos

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Reservatório que abastece 7 municípios mantém bom nível de volume de água, mas população deve colaborar para a diminuição do desperdício

TOMÁS BAGGIO

Em meio a um cenário de crise hídrica em diversos locais do Brasil, os municípios da Região dos Lagos do Rio de Janeiro têm a garantia de regularidade no abastecimento de água para os próximos meses. Essa segurança vem da Represa de Juturnaíba, que mantém bons índices de volume de água e garante o abastecimento de sete cidades.

Verdadeiro oásis em meio a locais predominantemente secos, Juturnaíba tem 45 Km² de espelho d'água e permite a chegada regular da água em municípios onde, na maior parte do ano, chove pouco. Segundo os responsáveis pelo manancial, a explicação é simples: os rios que alimentam a represa nascem em pontos de chuva farta e regular, permitindo o abastecimento constante a uma população estimada em 420 mil pessoas, que, por estar em uma região turística, pode ter picos de até 1,2 milhão de pessoas na alta temporada.

A Represa de Juturnaíba é administrada pela Prolagos, empresa da Aegea Saneamento, que além de operar a represa também possui a concessão para os serviços de saneamento básico nos municípios de Cabo Frio, Armação dos Búzios, Iguaba Grande, Arraial do Cabo e São Pedro da Aldeia. Já nos municípios de Araruama e Saquarema, que também recebem a água do mesmo manancial, a empresa responsável pelo abastecimento é a Águas de Juturnaíba.

Segundo o gerente operacional da Prolagos, José Vicente Marino, a segurança hídrica da região se deve à logística implantada na bacia hidrográfica.

"Temos uma represa artificial, que foi formada a partir da antiga Lagoa de Juturnaíba, e que tem uma capacidade muito grande. Essa represa é alimentada por três corpos hídricos, o rio Bacaxá, o rio Capivari e o rio São João. Eles se unem no grande espelho d'água. Embora estejamos em uma região de baixo índice de chuvas, as nascentes desses rios ficam em áreas serranas, onde chove muito, e essa água vai escoando até chegar na represa. Por isso, mesmo nos períodos de seca o reservatório não baixa. Temos um volume bastante satisfatório em todas as épocas do ano", explica Marino.

Ele faz o alerta de que o cenário atual está condicionado à manutenção dos corpos hídricos que compõem o sistema de abastecimento. Problemas como o assoreamento dos rios, o desmatamento e a prática de crimes ambientais, como a extração irregular de minérios, podem comprometer a quantidade e a qualidade da água disponível.

"Recentemente fizemos um sobrevoo na área da bacia hidrográfica, com o apoio da Marinha do Brasil, para verificar as condições dos corpos hídricos. Ficamos em alerta com diversos aspectos que nos trazem preocupação, como o extrativismo de areia e argila para produção de cerâmica, o plantio desordenado em muitas áreas e a escassez de mata ciliar. Os municípios precisam fiscalizar melhor essas práticas e trabalhar bastante a educação ambiental. Além disso, estamos investindo em projetos de reflorestamento da mata em diversos pontos no entorno de Juturnaíba", acrescenta Marino.

Entre esses projetos de reflorestamento está o Revivendo Águas Claras, em parceria com o Comitê de Bacia Hidrográfica Lagos São João e o Consórcio Intermunicipal Lagos São João. Na primeira fase, o projeto realizou um levantamento de áreas que podem receber as ações de reflorestamento. Na segunda fase, o plantio passa a ser feito nas áreas indicadas pelo banco de dados.

"Essa é uma ação de grande importância, principalmente neste momento de crise hídrica e de aumento da incidência de desmatamentos, queimadas, poluição e destruição de nascentes. O reflorestamento colabora para recuperar a natureza e promover mais qualidade de vida, não apenas para a população humana, mas para todos os seres vivos", afirma a secretária executiva do Consórcio Intermunicipal Lagos São João, Adriana Saad.

Para o presidente do Comitê de Bacia Hidrográfica Lagos São João, Eduardo Pimenta, o abastecimento de água na região é satisfatório, e o grande desafio atualmente é aprimorar o tratamento de esgoto, com a possibilidade de transposição dos efluentes para evitar que sejam direcionados para a Lagoa de Araruama.

"Na década de 1990, a Região dos Lagos tinha um grande problema com o abastecimento de água, que em grande parte era feito por caminhões pipa. Além disso, também tivemos o colapso ambiental da Lagoa de Araruama, que estava totalmente poluída. Sem nenhuma dúvida, a partir das concessões do serviço de saneamento essa situação mudou. Atualmente o abastecimento de água chega com boa qualidade a 99% da população fixa, e a situação da Lagoa de Araruama também melhorou muito. Como a oferta de água não é mais um problema, o grande desafio para o futuro é o aprimoramento da destinação dos efluentes tratados. É fundamental que cada município ofereça opções para o destino final dos efluentes, já que esse material, mesmo sendo tratado, não deve continuar sendo lançado em um corpo hídrico fechado, como a Lagoa de Araruama ou a Lagoa de Saquarema. O ideal é que passe a ser lançado em corpos hídricos abertos, no caso o oceano", explica Pimenta.

EXPANSÃO DA REDE DE ÁGUA

A água percorre um longo caminho, desde Juturnaíba, até chegar nas torneiras da população. Tudo começa na Estação de Tratamento de Água (ETA) localizada em São Vicente de Paulo, em Araruama, com capacidade para produzir 1.500 litros por segundo. No local, a água passa pelos procedimentos químicos necessários para o uso humano. Depois é encaminhada para os municípios atendidos, em grande parte com o uso da força da gravidade. A rede de água da Prolagos possui 2.855 Km de extensão, entre adutoras e redes normais de distribuição. O equivalente a uma viagem de carro de Cabo Frio a Fortaleza (CE).

"Estamos investindo forte na expansão da rede de água. Somente neste ano já fizemos 5 mil metros de rede na Rasa, em Búzios, e 6 mil metros em Tamoios, distrito de Cabo Frio. A previsão para o total deste ano, até dezembro, é de ampliação de 35 Km de rede de água", planeja o supervisor operacional da Prolagos, João Cláudio da Silva Macedo - supervisor operacional.

Quem passou a receber água encanada recentemente celebra o novo momento.

“Como comerciante, percebi que era um anseio da população ter acesso a água tratada. Antes só tinha um braço de água na rua, todos tinham que ir até lá pra buscar. Agora estamos recebendo a água em casa, então é muito melhor", considera o comerciante Vaudio Luiz.

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