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Primeira transmissão em cores da TV aberta brasileira completa 50 anos neste sábado, 19

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Quem já nasceu na época dos smartphones, internet e streamings talvez não faça ideia, mas a televisão, que não tinha nada de plana, e poderia facilmente ser confundida com um objeto alienígena pela Geração Z, também já teve imagens apenas em preto e branco. E não faz nem 50 anos que ela deixou de ser.

Bom, faz neste sábado, 19, pois foi em um dia 19 de fevereiro, em 1972, que ocorria a 1ª transmissão em cores da TV aberta no Brasil, depois de estudos e testes para que a então TV analógica, em preto e branco, ganhasse cores finalmente.

Significando um marco para a história da comunicação e da própria televisão brasileira, a 1ª transmissão em cores foi da Festa da Uva, realizada em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul (RS), pela TV Difusora, de Porto Alegre, afiliada da TV Bandeirantes, com uma programação sendo transmitida em cores em circuito fechado.

Curiosamente, porém, levou mais de 1 mês para que as cores estreassem oficialmente na TV brasileira, em 31 de março de 1972, segundo Elmo Francfort, diretor do Museu da TV, Rádio e Cinema, localizado em São Paulo.

Já a 1ª novela transmitida em cores no país, da TV Globo, só estreou em 22 de janeiro de 1973. Era O Bem Amado, de Dias Gomes, uma adaptação da peça teatral Odorico, O Bem Amado, também do famoso autor baiano.

Para os mais jovens, que talvez tenham dificuldade de imaginar as antigas TV em preto e branco, e para quem não sabe como funcionavam as antigas transmissões televisivas, o coordenador do Módulo Técnico do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (Fórum SBTVD), Luiz Fausto, explica.

“O olho humano possui 3 tipos de receptores de cores diferentes que nos permitem distingui-las: um que absorve mais o vermelho, outro que absorve mais o verde e outro que absorve mais o azul. Assim, as telas coloridas combinam para cada ponto da imagem (os famosos pixels), esses 3 componentes de cor (vermelho, verde e azul, ou, em inglês, red, green and blue, daí o sistema RGB)”.

De acordo com o site, Memórias da Ditadura, entre 1971 e 1973, a TV Globo já estava adaptando seus equipamentos e treinando funcionários para a utilização das cores nas imagens, impulsionada por investimentos do então governo ditatorial.

O Portal Memória Brasileira lembra ainda que o próprio general Garrastazu Médici, então presidente, participou daquela Festa da Uva, conforme notícia do jornal O Globo, de 19 de fevereiro de 1972, que tinha o título “Uva faz hoje a festa em Caxias do Sul com a presença de Médici”.

O mesmo site lembra que, apesar de ter sido gravada no exterior, com equipamentos coloridos, a transmissão, no Brasil, da Copa do Mundo de 1970, vencida pela Seleção, ainda foi feita em preto e branco.

O que causa da confusão é que todas as imagens gravadas daquela Copa podem ser vistas, seja em reprises ou mesmo pela internet, de forma colorida, porque os equipamentos usados pela transmissão internacional já era em cores.

O próprio coordenador do Módulo Técnico do Fórum SBTVD, Luiz Fausto, ressalta que para que as telas pudessem exibir imagens coloridas, as câmeras também precisavam ser capazes de separar esses 3 componentes de cor (RGB).

O Portal Memória Brasileira reforça que, no Brasil, em 1970, ainda não havia autorização da Ditadura Militar para a utilização desses equipamentos coloridos pelas emissoras de televisão, algo que só foi iniciado nos anos seguintes.

Mesmo assim, como lembra o site Terceiro Tempo, do UOL, como o sistema PAL (Phase Alternating Line), que depois ficaria conhecido como PAL-M, e que já estava em fase de testes nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, algumas poucas famílias abastadas da época conseguiram ver os jogos do time de Pelé, Tostão, Gérson, Jairzinho e Rivellino em cores.

Curiosidades à parte, ao longo das décadas, a tecnologia das telas e das câmeras continuou e continua evoluindo, permitindo maior precisão na representação das cores, como também, o uso de um espaço de cores maior à medida que as telas passam a ter cada vez mais definição nas imagens.

Luiz Fausto explica também que, na antiga TV colorida analógica (TV 1.5) o espaço de cores suportado compreendia cerca de 32% das cores visíveis, diferente dos cerca de 35% das TVs atuais, embora a diferença do número de linhas seja enorme, saltando de 480 para 1.080, que impactam na resolução da imagem.

“Já na TV Digital, a resolução do vídeo melhorou muito. O espaço de cores também obteve uma melhora, compreendendo cerca de 35% das cores visíveis”, aponta Luiz Fausto.

Seguindo nessa evolução, veio o suporte opcional a HDR (High Dynamic Range) introduzido na TV 2.5, que tornou possível um aumento do contraste suportado, de 1.000:1 para 200.000:1, que, ainda que o espaço de cor seja o mesmo, aumenta o volume de cores devido a uma faixa maior de ajuste de brilho.

“A TV 3.0, além de suportar resoluções de vídeo maiores (incluindo 4K e 8K), vai suportar um espaço de cores ampliado (WCG, Wide Color Gamut), compreendendo cerca de 76% das cores visíveis. Combinando isso com HDR você terá um volume de cor tão grande como se a sua TV fosse uma janela para o mundo real, ou para o mundo das obras de ficção”, acrescentou Luiz Fausto, sobre a chegada da TV Digital.

E não para por aí, pois segundo Luiz Fausto, entre as novidades que ainda virão estão o aumento de bits por componente de cor, de 8 para 10, dará mais precisão na reprodução de cada tonalidade, e o aumentando da taxa de quadros de 29,97 quadros por segundo para até 120 quadros por segundo (HFR, High Frame Rate), o que permitirão que vejamos com mais nitidez movimentos rápidos como em esportes e filmes de ação.

Com todos esses avanços, não vai demorar para que qualquer um se surpreenda na frente de uma TV, independente de ser Baby Boomer (geração nascida entre 1946 e 1964, ou que vivenciou a juventude nos anos 60 e 70), se é da Geração X (nascidos entre 1965 e 1980), se é Millennial ou da Geração Y (nascidos entre 1981 e 1999), ou se é da Geração Z (nascidos a partir dos anos 2000).

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