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‘Carne Fraca’ causa impacto em churrascarias de Macaé e movimento é considerado baixo

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Consumidores entrevistados pelo Diário da Costa do Sol afirmam que o receio é grande e que pretendem substituir carnes por outros alimentos

 

Na última sexta-feira (17), a Polícia Federal deflagrou a Operação ‘Carne Fraca’ e desarticulou uma organização criminosa liderada por fiscais agropecuários federais e empresários do agronegócio.  Irregularidades como reembalagem de produtos vencidos e venda de carne imprópria para consumo  foram encontradas. A descoberta dos crimes causou impacto negativo em restaurantes, churrascarias e açougues de Macaé. A equipe de reportagem do Jornal O Diário da Costa do Sol, nessa segunda-feira (20) percorreu vários restaurantes e churrascarias de Macaé. Nos estabelecimentos, movimento baixo no final e início da semana. No centro da cidade, em uma churrascaria, o fluxo de consumidores, principalmente no horário de almoço, antes da operação, era em torno de 35%. Nessa segunda-feira (20), caiu drasticamente, de acordo com o gerente Renato Soares de Aquino, para 20%. “Acredito que nossos consumidores e clientes ficaram assustados com tamanha repercussão. Porque esse movimento baixo e fraco já começou no sábado, um dia depois da operação e permaneceu até hoje (ontem)”, explicou. Ainda segundo ele, que preferiu não divulgar o nome do estabelecimento, tanto a gerência, quanto os donos do local, acompanham toda recomendação e cuidados com o consumo com carnes de empresas envolvidas no esquema, como Friboi, Swift, Seara, Sadia e Perdigão. “A orientação é para substituir as carnes dessas marcas e já estamos fazemos isso”.

O impacto da Operação ‘Carne Fraca’ causou impacto também em restaurantes, que não apenas servem, diariamente, os alimentos, mas também revendem os produtos. Dono de um restaurante na Lagoa, Deivison Estevão Olmo, afirmou que nesse final de semana, período em que consegue vender carnes, o freezer está completamente cheio e que ainda não conseguiu registrar vendas, principalmente dos produtos citados na operação. “As pessoas procuram o estabelecimento nos finais de semana porque, geralmente, querem fazer churrasco. Nesse final de semana, a procura foi muito baixa, acredito sim que foi devido à operação, tanto que meu freezer está lotado de filé de frango, contrafilé, carne moída e não vendi nada”.

Funcionário de um açougue na Aroeira, Manoel Barcelos, de 61 anos, afirmou que a procura, principalmente no sábado e domingo, foi muito baixa. “Aqui, os clientes procuram muito carnes da marca Friboy para churrasco. Nunca vi, realmente, o estabelecimento vazio como foi nesse final de semana. Sei que choveu muito, mas com certeza a divulgação da operação também contribuiu. Antes, vendíamos, somente em um final de semana, em média de 20 a 25%, e nesse agora, se vendemos uns 10% foi muito”.

Receio entre os consumidores

Para muitos consumidores, há agora o receio de continuar consumindo as carnes das marcas citadas na operação. Alguns cuidados, entre eles, já estão sendo tomados. É o que afirmou o comprador Marcelo Mattos, de 28 anos. “Acho que todo mundo ficou com receio depois que a operação veio à tona. Agora, vou me orientar melhor quanto às dicas de especialistas e evitar comprar as carnes das marcas envolvidas no esquema”.

Para a pedagoga Eliane Batista, de 50 anos, a opção agora é comprar mais aves, peixes e evitar a carne. “Devido à operação, acredito que o melhor a fazer é substituir a carne. E isso já estou fazendo”.

A assistente administrativo Lígia Beatriz, de 34 anos, já não estava mais comprando muito carne devido ao alto preço. Agora então, pretende banir o alimento e substituir por ovo e peixe. “Eu fiquei chocada quando acompanhei o noticiário que acharam cabeça de porco em linguiças e papelão nas carnes. Já estava evitando comer carne porque está muito caro, agora será por uma questão de saúde mesmo. Ainda mais que tenho criança pequena”.

A dona de casa Sileia da Costa Melo, 46, afirmou que o consumo de legumes, para ela, está sendo a melhor opção. “O receio é grande e acho que outras coisas ainda vão aparecer nesta operação. Então, minha escolha é pelos legumes, e mesmo assim, cuidados também precisam ser tomados não é mesmo? Porque nos legumes e verduras existe o perigo dos agrotóxicos. Daqui a pouco não vamos conseguir comer mais nada”.

A operação - Em quase dois anos de investigação, a PF detectou que superintendências regionais do Ministério da Pesca e Agricultura do Estado do Paraná, Minas Gerais e Goiás atuavam diretamente para proteger grupos empresariais em detrimento do interesse público.

Carne estragada era usada para produzir salsichas e linguiças e promovia-se “maquiagem” de carnes estragadas com ácido ascórbico, substância usada para disfarçar a qualidade do produto e que em altas doses pode provocar câncer. Outra fraude encontrada foi a produção de derivados com uma quantidade de carne muito menor que a necessária, o que exigia a complementação de outros itens. Foram encontradas também carnes sem rotulagem e sem refrigeração. A adulteração chegava até à merenda escolar. Em um dos casos, foi constatada a venda de produtos sem proteínas de carne, apenas de soja, para a merenda de escolas do Paraná.

Daniela Bairros

Crédito: Igor Faria

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