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Primeiro aluno com deficiência auditiva do curso de Medicina vai ter apoio de tradutores de libras em Macaé

Daniela Bairros

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Matheus da Silva Oliveira, a partir da próxima segunda-feira (2 de abril) vai estudar na UFRJ em Macaé com dois professores de libras  contratados pela prefeitura.

Daniela Bairros

Diariamente, acompanhamos diversas superações de pessoas com alguma deficiência, seja ela física ou mental. E nem a surdez total, impediu Matheus da Silva Oliveira de  estudar medicina na UFRJ em Macaé. Ele é o primeiro aluno com deficiência auditiva do curso de medicina  da UFRJ e do Brasil. E a partir da próxima segunda-feira (2°), Matheus inicia a realização do seu sonho: ser médico. Ele será acompanhado por dois tradutores de libras. Os profissionais Andréa Alexandre da Silva Moraes e Felipe Giraud Moraes foram contratados, por meio de edital, para acompanhar o estudante durante o curso.

Em entrevista ao Diário da Costa do Sol, o secretário Adjunto de Ensino Superior, Márcio Magini, explicou que a UFRJ tinha recebido o estudante de medicina e portador de deficiência auditiva do Brasil, mas a instituição não possui um plano específico para o aluno.  E, segundo Magini, com muito esforço e dedicação, Matheus está conseguindo absorver todo conteúdo. E engajada na inclusão social, a Prefeitura de Macaé concluiu o processo seletivo de bolsas para Tradutores Intérpretes de Libras Temporários, com objetivo de apoiar o processo de inclusão de alunos com deficiência auditiva das Instituições de Ensino Superior (IES) da Cidade Universitária. “Os dois profissionais já foram selecionados por meio de edital e a partir de segunda-feira estarão junto ao Matheus, dando todo suporte necessário a ele”, explicou Magini.

Para o Superintendente Acadêmico da UFRJ Macaé, Meynardo Rocha, a colocação do estudante Matheus, sendo o primeiro portador de deficiência auditiva do curso de Medicina, é muito importante para inclusão social. “Por lei, toda pessoa com deficiência tem que trabalhar e estudar, mas sabemos que há uma distância muito grande entre a lei e a realidade. E a Prefeitura de Macaé agiu para sanar a questão, enquanto a universidade se organiza . Foi aberto edital para as três instituições de ensino superior da Cidade Universitária: Femass, UFF e UFRJ. Os dois profissionais já foram selecionados. Isso significa a abertura de um novo paradigma no ensino superior, pois o Matheus é o primeiro aluno com deficiência auditiva do Brasil do curso de medicina e que vai estudar em Macaé. Com certeza, é um passo muito importante para que a instituição possa se aprimorar e acolher outros que poderão vir”, enfatizou.

Para Magini, a ação da prefeitura vai gerar novas perspectivas na linguagem de sinais, e isso tornará Macaé uma referência e modelo em libras na área de medicina. “Macaé já é considerada como uma cidade do conhecimento e estamos implantando o primeiro projeto nessa área no Brasil. Isso vai trazer novos símbolos para a linguagem dos sinais, pois serão construídos e preparados, a partir deste momento, para o curso de medicina”.

Matheus é natural da cidade de São Fidélis e conheceu a Cidade Universitária em 2016, durante uma Oficina de Extensão, quando ficou sabendo do curso de medicina da UFRJ. "Ainda estou conhecendo a cidade, mas a escolha por Macaé também se deve pela proximidade da família. Ainda sinto um misto de felicidade, emoção e ansiedade, mas os colegas e professores têm colaborado com o uso de materiais visuais", pontuou.

A Prefeitura de Macaé, segundo Magini, possui uma secretaria Adjunta de Ensino Superior, ligada à Secretaria de Educação, mas possui uma secretaria que cuida do ensino superior de Macaé. “Isso é um modelo único no município. E essa ação da Prefeitura para ajudar o Matheus com toda preparação em libras, sem dúvida, será um novo marco para a educação superior de Macaé”.

Os dois tradutores de libras que vão acompanhar o estudante possuem mais de cinco anos de experiência na linguagem de sinais, bem como na área de saúde, critérios que foram exigidos pelo edital.

Moradia estudantil universitária

Segundo Magini, a Prefeitura de Macaé, também sensibilizada com alunos das instituições de ensino superior de Macaé, mas que são de outras cidades e que até mesmo enfrentam problemas por questões de isolamento, alugou o antigo Hotel Colonial, na Imbetiba, e depois de um termo de cessão à UFRJ, vai se transformar em moradia estudantil universitária. “O contrato já foi assinado. A UFRJ já tomou posse das chaves e vai fazer as ações necessárias internas para criar esta moradia. A previsão é que em dois ou três meses, estes alunos já estão sendo abrigados no local”, explicou. A moradia estudantil, ainda acordo com Magini, vai abrigar 70 alunos. “Essa moradia, certamente, vai criar um ambiente bastante familiar a estes alunos. Um aluno que fica isolado numa casa com duas ou três pessoas, por exemplo, ou até mesmo em um apartamento, agora vai fazer parte de um ambiente com 70 pessoas. Isso vai contribuir e muito com o convívio social de todos”, concluiu.

Crédito: João Barreto

 


 

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