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Estudo encomendado pela Firjan e pela FAERJ apresenta diagnóstico preocupante do agronegócio fluminense

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A Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan) divulgou, nesta semana, o resultado de um estudo que mostra, a partir de dados de 2020, que o Estado do Rio teve a maior redução de área plantada do Brasil em 25 anos.

O estudo, encomendado pela Firjan e pela Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do Estado do Rio (FAERJ) à Fundação Getúlio Vargas (FGV) Agro diagnosticou que o Estado do Rio está na última colocação do país em quantidade de área plantada, tendo perdido 62,4% dessa área entre 1995 e 2020.

Apesar da queda vertiginosa, o estudo, batizado de Diagnóstico do Agronegócio Fluminense, afirma que os municípios de Campos dos Goytacazes e de São Francisco de Itabapoana ainda se destacam na conjuntura estadual.

Conforme mostra o estudo, em 2020, do total de 110,5 mil hectares de área plantada no Estado do Rio, 28% ficava em Campos e 20,5% em São Francisco de Itabapoana, que, juntas, somavam 48,5%, ou seja, quase metade da área plantada em todo o Estado.

“O cultivo, porém, teve redução de 55,1% em 1995 para 48,4% em 2020. Apesar disso, a cana-de-açúcar ainda é o principal produto agrícola do Norte Fluminense, representando mais de 83% de toda a cana produzida no Estado”, revelou o estudo.

Outra participação importante no agronegócio fluminense presente no Norte Fluminense está em Macaé, que ocupa a 4ª posição em rebanho bovino no Estado do Rio, com 3,8% de todo o rebanho fluminense, atrás apenas de Valença, na Região do Médio Paraíba, com 4%, e de Itaperuna, no Noroeste Fluminense, com 5%, além de Campos, com 10,5%, que também lidera os números de rebanho suíno no Estado, com 7,4% de todo o rebanho fluminense desse gado.

Os resultados foram apresentados em uma reunião do Conselho Empresarial de Agronegócios, Alimentos e Bebidas da Firjan, sendo considerado o 1º passo na busca por um plano de ação para revitalizar as cadeias produtivas do agronegócio fluminense, já que o Estado do Rio é o 2º maior mercado consumidor do Brasil.

A reunião contou com representantes de diversas indústrias fluminenses, além do vice-presidente da FAERJ, Maurício Cezar Gomes de Salles, do pesquisador do Centro de Agronegócios da FGV, Felippe Serigati, do gerente de projetos da FGV Agro, Giuliano Senatore, e do diretor de Relações Institucionais da Firjan, Márcio Fortes.

“O relatório mapeou as principais características do agronegócio do Estado por meio de fontes de dados oficiais e gratuitos. O mapeamento buscou identificar as características mais estruturais do setor para evitar possíveis distorções causadas pelos impactos econômicos e sociais provocados pela pandemia [do coronavírus]. Foram consideradas informações pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE): a Produção Agrícola Municipal (PAM); a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM); Pesquisa Trimestral do Leite, Produção de Ovos de Galinha (POG); e a Pesquisa Trimestral do Abate de Animais e Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS). A versão final do estudo será disponibilizada em breve no site da Federação”, detalhou a Firjan.

Segundo os dados apresentados no estudo da FGV Agro, a queda de mais de 60% de área plantada no Estado do Rio contrasta e muito com o aumento da média nacional no mesmo período, que foi de 60,8%, o que teria gerado uma perda de 1 bilhão de reais nesses 25 anos, considerando os dados já inflacionados, colocando o Rio na antepenúltima posição, com queda de 32,2% em termos de valor real em todo o país.

“Esta é uma amostra da urgência em se recuperar o setor, que tem um enorme potencial, após décadas de falta de investimentos dos governos e da ausência de políticas públicas voltadas ao Agronegócio e à Indústria de Alimentos”, pontuou o Conselho de Agronegócios, Alimentos e Bebidas da Firjan.

O presidente da Firjan Norte Fluminense (Firjan NF), Francisco Roberto Siqueira, reconhece que a maior vocação da região é o petróleo e as energias renováveis, mas ressalta que o agronegócio ainda é um motor importante da economia do Norte Fluminense, mas como um grande potencial de desenvolvimento.

“E com a futura Estrada de Ferro 118, que vai conectar o Porto do Açu à malha ferroviária nacional, poderemos contribuir ainda mais para o desenvolvimento deste setor no Estado, barateando fretes e insumos e, assim, melhorando a competitividade dos produtores de todo o Estado”, ponderou Francisco Roberto de Siqueira.

Para o presidente do Conselho de Agronegócios, Alimentos e Bebidas da Firjan, Antonio Carlos Celles Cordeiro, o estudo representa um 1º passo para que o setor encontro soluções para se revitalizar no território fluminense.

“Este estudo é um 1º passo para desenvolvermos propostas concretas que revitalizem o agronegócio fluminense. Comprovamos o quanto o setor encolheu nas últimas décadas, e nosso desafio passa, por exemplo, na revisão de questões tributárias. Mas temos um enorme potencial a ser explorado, e isso significa novas oportunidades e uma maior diversificação da economia fluminense”, afirmou Antonio Carlos Celles Cordeiro.

De acordo com a Firjan, o estudo, ainda em versão preliminar, foi apenas um 1º módulo do Diagnóstico do Agronegócio Fluminense, que passará por uma análise pelos membros do Conselho da Firjan, que ficarão responsáveis por eleger as 5 principais cadeias produtivas do Estado.

O passo seguinte será a transformação dessas 5 cadeias em alvos do 2º módulo do estudo, que terá o objetivo de se aprofundar nos dados e definir as propostas de políticas públicas e de desenvolvimento em prol do setor no Estado.

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