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Pesquisadores do interior do Rio desenvolvem 'medicamento' que evita até 90% do crescimento do câncer

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O composto desenvolvido ainda está em fase laboratorial em camundongos. Próximo passo é oferecer um medicamento para os humanos.

Pesquisadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) desenvolveram um medicamento capaz de inibir a evolução de 10 tipos de linhagens de câncer. O novo composto, testado em camundongos, tem a capacidade de evitar em até 90% o crescimento dos tumores. Um trabalho que tem 15 anos de dedicação a pesquisa laboratoriais até alcançar os resultados considerados satisfatórios para toda a equipe de cientistas.

Os pesquisadores deixam claro que o objetivo do estudo é de longe encontrar a cura do câncer. Porém a proposta é oferecer um alternativa terapêutica mais seletiva e menos tóxica para o tratamento do câncer.

“Sabemos que o tratamento do câncer é muito agressivo. São várias as sessões de quimioterapia. O paciente fica fraco e a qualidade de vida dele passa a ficar muito comprometida. Por isso decidimos foca isso na nossa pesquisa. Não é uma busca da cura do câncer e sim oferecer qualidade de tratamento das doenças”, reforçou o pesquisador Adolfo Horn Júnior.

Para essa realidade se concretizar, moléculas foram desenvolvidas e até mesmo patenteadas pelos cientistas. Atualmente o que há de concreto é um novo composto, um futuro medicamento. O elemento químico base do estudo é o metal.

“A gente escolhe o metal por ser de relevância para o próprio organismo. Naturalmente o cobre não é entendido como um metal extremamente tóxico para o organismo. Por isso a gente pode aumentar a dose do composto que vai ser administrado e com isso também obter melhor tratamento no combate ao câncer," explicou Horn Júnior.

Início de tudo
Esse novo composto foi desenvolvido no Laboratório de Ciências Químicas do Centro de Ciência e Tecnologia (CCT) da UENF. Os estudos começaram em 2003. São quase 15 anos de pesquisas, com testes laboratoriais em 10 tipos de câncer. Entre eles: o de pele, de intestino grosso, pulmão, pâncreas, leucemia, próstata e a mama.

A metodologia científica utilizada foi in-vivo que envolve testes em camundongos. O uso dos animais teve o aval do comitê de ética da universidade por obedecer os elevados padrões de qualidade e produção científica

O crivo possibilitou avançar nos estudos, por exemplo, no câncer de pele melanoma. Para essa linhagem, o novo composto desenvolvido na UENF apresentou resultados satisfatórios. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA) a estimativa, em 2018, é de 6.260 novos casos, sendo 2.920 em homens e 3.340 em mulheres.

Resultados alcançados
Nos estudos laboratoriais os cientistas dividiam os camundongos em três grupos. Os animais ficaram incubados durante 42 das.

No primeiro grupo, os camundongos não recebiam o tratamento do câncer. Nesses animais o tumor cresceu 4cm.

No segundo grupo, os pesquisadores aplicaram o novo composto que já é utilizado no tratamento convencional do câncer. Neste caso o tumor evoluiu até 1,8cm.

Já no terceiro grupo de camundongos, no mesmo período, foi utilizado o novo composto.// a evolução do câncer ficou em 0,5cm.

Nas outras linhagens de câncer, os resultados alcançados foram igualmente satisfatórios. Para os pesquisadores, isso evidencia que estão no caminho correto. “Esses resultados que a gente teve corresponderam a expectativa que tínhamos. Esse composto foi capaz de reduzir em torno de 80% a 90% da massa tumoral do animal que nós tratamos. É um resultado promissor e estamos animados a prosseguir com essas pesquisas”, disse Milton Kanashiro, pesquisador da UENF.

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