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Descoberta de pau-brasil por renomado biólogo letão levou a criação de APA na Região dos Lagos

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Dr. Janis Roze, hoje com 94 anos, estudou a floresta por 15 anos, residiu em Búzios e, atualmente, desenvolve trabalhos com indígenas de Serra Nevada, na Colômbia. 

Búzios, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, conta com uma das últimas unidades de Mata Atlântica original da costa brasileira, nem reflorestada e nem desmatada: a APA Pau Brasil. Ela faz parte de uma Unidade de Preservação Ambiental de 10.564 mil hectares, criada por decreto estadual, em maio de 2002, e a atuação do Instituto Ecológico Búzios Mata Atlântica (IEBMA) foi fundamental nesse processo.

Ele foi fundado em 1996 pelo empresário Hugo Iurcovich e o biólogo Dr. Janis Roze, que com a participação da professora Amanda Bernal, da Universidade da Cidade de Nova York, da Instituição de Estudos Científicos e Ambientais Earthwatch Institute, com sede em Boston, e de participantes de diversas partes do mundo, descobriram e catalogaram 574 mudas e árvores jovens e maduras de pau-brasil no local. Ao todo, foram 15 anos de trabalho.

A Mata Atlântica, devido à expansão da agricultura e o desenvolvimento urbano, teve cerca de 93% de cobertura destruída. Em Búzios, além do pau-brasil, a mata preservada também tem plantas raras como a orquídea de baunilha, que crescem nos troncos de pau-brasil, além de 30 espécies de bromélias, que retém água e servem de fonte de água para os animais em tempo de seca, em especial o mico leão dourado e o bicho preguiça.

Hugo, hoje presidente do IEBMA, explica a importância do biólogo Janis Roze para que a floresta ainda esteja de pé e cheia de vida. “Eu moro na Praia das Caravelas desde a década de 1980. Já me preocupava, junto com as minhas filhas, com a preservação do local, mas tudo se ampliou quando Janis chegou aqui e colocou seu conhecimento e energia à disposição desse lugar, desenvolvendo um trabalho sério e reconhecido em todo mundo”, conta.

O Dr. Janis Roze, nasceu na Letónia, país europeu localizado às margens do Báltico e, fugindo da guerra, morou na Alemanha e, posteriormente, foi para os Estados Unidos. É biólogo e lecionou por anos na Universidade de Nova York, um dos principais especialistas em serpentes no mundo. Ele dirigiu o Museu Americano de História Natural e o Centro de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento da Ciência da Organização das Nações Unidas (ONU).

Fundador do Centro Internacional de Estudos Integrados e autor de diversos livros, é reconhecido mundialmente como cientista e também defensor do meio ambiente. O IEBMA também continua atuante, ao longo desses anos, no resgate de animais silvestres, combatendo incêndios e realizando caminhadas educacionais pela floresta.

Atualmente, em uma ação de cooperação com a Associação Civil Village Praia das Caravelas (ACVPC), com apoio do Hotel Apa Pau Brasil, fomenta o objetivo de tornar o vilarejo encravado dentro da mata no primeiro bairro ecológico de Búzios. Essa cooperação mantém também uma das poucas Estações de Tratamento de Esgoto e Reuso (ETERS) com reutilização de água tratada do interior fluminense e a primeira da região.

O Dr. Janis Roze acompanha o trabalho à distância, no momento, com 94 anos, está ainda em plena atividade. No momento está desenvolvendo projetos junto aos indígenas de Serra Nevada, na Colômbia, alta Amazônia. Apesar de todo o reconhecimento mundial e o legado que deixou em Búzios, poucos sabem que já morou na cidade, onde ainda tem residência e pretende retornar para uma temporada ainda esse ano.

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