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No mês da Conscientização Mundial do Autismo, mães de crianças portadoras do transtorno criam grupo em Macaé para tornar a cidade mais inclusiva

Daniela Bairros

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MOPAM (Motivados pelo Autismo Macáe) é integrado por  mães de crianças que são autistas

Daniela Bairros

Nessa segunda-feira (2), foi o Dia Mundial da Conscientização do Autismo. Em Macaé, um grupo de mães de crianças portadoras do transtorno criaram o MOPAM (Motivados pelo Autismo Macaé) com objetivo de tornar o município mais inclusivo, no desenvolvimento de ações engajadas e preocupadas com a evolução e inclusão das crianças e filhos autistas à sociedade.

O MOPAM é integrado por mães e foi criado com objetivo também de ajudar na construção de uma comunidade cada vez mais inclusiva, que saiba integrar o diferente em todos os direitos de cidadão, reunindo pais, familiares, cuidadores, profissionais da área da educação e da saúde e amigos de pessoas diagnosticadas com TEA (Transtorno do Espectro Autista).

Mãe de um filho autista, a psicóloga Jamile Portugal, que integra o MOPAM, começou a observar alguns comportamentos diferenciados no filho e procurou uma neuropediatra e, após dois anos de acompanhamentos e exames, foi diagnósticado o transtorno em Davi. “Como eu já havia trabalhado em uma clínica de reabilitação com crianças especiais, esse olhar fica mais aguçado e sensível a certos tipos de comportamentos. Após dois anos de acompanhamento com a neuropediatra, foi diagnostico o autismo em Davi”. Jamile relatou que ao receber o diagnóstico do filho, ficou com muito medo, no primeiro momento. Era o medo do desconhecido, segundo ela, mas logo saiu da fase de negação do diagnóstico para a fase de aceitação e percebeu que precisava ser resiliente.  “Mediante a tantos desafios, meu filho me impulsionou e me motivou a buscar mais conhecimentos sobre o autismo para que eu pudesse ajuda-lo e acabei me apaixonando pela área. Comecei a fazer cursos de qualificação profissional, a participar de seminários, workshop, ler e me aprofundar nesse universo tão particular”.

Para ela, trabalhar com crianças especiais é um aprendizado diário,  pois eles ensinam muito.  “Cada pequena evolução é uma grande vitória e  comemorado com muita alegria. Ver a evolução de cada  deles é uma grande alegria. Não há nada mais gratificante. O que eu mais amo na minha profissão é poder oferecer um ambiente onde a criança e o adolescente se sintam seguros e acolhidos. Também ajudar esta criança e ou adolescente a se restabelecer de forma mais saudável e também orientar os pais e a escola para a continuação do processo de melhora, promovendo uma melhor qualidade de vida a todos”.

O autismo não tem cura. Estima-se que no Brasil, com seus 200 milhões de habitantes, possua cerca de dois milhões de pessoas enquadradas dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA). De causa desconhecida, em poucas palavras, o autismo é uma síndrome que afeta vários aspectos da comunicação, além de influenciar também no comportamento do individuo.

Aproximadamente uma em cada 68 pessoas recebe o diagnóstico do autismo, segundo estudo realizado nos Estados Unidos. Quanto mais cedo for descoberto o transtorno e iniciado o tratamento, maiores são as chances de autonomia e adaptação social destas pessoas.

Com a missão de divulgar e conscientizar a comunidade macaense, as entidades públicas e particulares da cidade, de forma a praticar a inclusão que se trata a Lei Federal 12.764/2012, a qual institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, o Mopam, realiza palestras, rodas de conversa, caminhada, panfletagens e utilização de mídias em espaços públicos e privados, proporcionado esclarecimentos em escolas, comércio, locais de entretenimento.

Mãe de um filho autista de 16 anos, Lúcia Anglada, natural do Rio de Janeiro mas que há quatro anos está em Macaé, contou que conheceu o Mopam quando começou a participar do grupo Mães Azuis, por meio do whatsapp. Para ela, é muito importante participar de grupos como estes, porque ajuda na troca de experiências. “Hoje eu faço parte da equipe do Mopam. E tenho muita satisfação disso. Nos chamamos de equipe. Um dos grandes objetivos do Mopam e um sonho que vamos tornar realidade, é transformar Macaé numa cidade inclusiva. Temos vários trabalhos que estamos expandindo pela cidade, com a conscientização e divulgação do autismo. Achamos que através disso, podemos conquistar uma qualidade de vida melhor para nossos filhos e filhas. Estou muito feliz em participar deste grupo e apoiar esta causa”.

 

Crédito: Divulgação

 

 


 

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