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Exposição sobre Intolerância religiosa, étnica e de gênero poderá ser visitada a partir desta sexta-feira (25) em Rio das Ostras

Daniela Bairros

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Mostra da artista visual Lilian Vieira ficará aberta ao público até o dia 07 de junho, na Artmanha.

Daniela Bairros

A exposição sobre Intolerância religiosa, étnica e de gênero poderá ser visitada a partir desta sexta-feira (25) em Rio das Ostras. A mostra da artista visual Lilian Vieira ficará aberta ao público até o dia 07 de junho, na Artmanha.

São telas que compõem a exposição “Nós”, retratando a intolerância religiosa – não a fé particular, mas a institucionalização da mesma, do gênero e étnica.  “Nós” lendo ao contrário, em letra de máquina, vira “Sou”. “Sou o Nós”, se traduz a artista.

Com uma bagagem cheia de leituras, músicas, cores, texturas e recortes, que vem de uma longa experiência, a pintora imprimiu, em 13 quadros, ícones de fortes representações pessoais e do profundo estudo sobre religião e religiosidade.

“Minha inspiração veio de provocar uma reflexão para aonde estamos caminhando e como temos lidado com as diferenças, tão representadas nos labirintos expostos nas telas. Os negros, por exemplo, são os que mais morrem assassinados e, por meio de pesquisas, descobri que as religiões de raiz africana são as que mais sofrem preconceito – cerca de 73%”, relata Lilian, que é formada em artes pelo Parque Lage.

Cartas e naipes de baralho, tinta acrílica misturada ao papel sobre tela, cordões e triângulos de cores e tamanhos variados, geometria do feminino, como bem Lilian se inspirou em seus mestres, Aluísio Carvão e Carlos Scliar. Tudo isso junto com símbolos representativos das entidades da Umbanda, como o machado e a seta. Seja o vermelho, o amarelo, o azul ou o verde, as fortes cores estão lá, convidando para a reflexão.

A recente morte por assassinato de Marielle Franco (Psol-RJ) também é tema de um quadro que Lilian expressou a luta da vereadora pelos moradores de comunidades e da busca pela igualdade da mulher e da população negra.

Curadoria

A literata e curadora da exposição, Analice Martins, tem a refinada sensibilidade sobre a obra de Lilian. Para ela, “Nós” é um autorretrato da trajetória da pintora, que mostra sua bagagem musical e de leituras do cotidiano desmaterializando traços e cores originais “para codificarem um ‘mundo’ onde tons, letras como signos gráficos e fragmentos de textos são conduzidos por setas que ora alinhavam, ora desnorteiam sentidos nem sempre tão à vista. Estão lá, no entanto, o feminino, o corpo, a rua, a intolerância étnica e religiosa, as inquietudes existenciais e as forças da criação artística”.

Crédito: Lilian Vieira

 

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