Mídias Sociais

Cultura

Em manifestação pacífica no bairro Parque Aeroporto, músicos e artistas macaenses pedem ‘socorro’ e auxílio emergencial financeiro em meio a crise causada pelo novo coronavírus

Daniela Bairros

Publicado

em

 

Daniela Bairros

Há 90 dias sem poderem trabalhar em eventos na cidade devido às medidas de prevenção ao novo coronavírus, como o isolamento social ou quarentena, artistas e músicos macaenses, desde então, estão sofrendo sérias consequências financeiras. Muitos estão passando por necessidades básicas, sem ter, muitas vezes, como garantir o próprio sustento. Desde a paralisação de eventos na cidade, muitos artistas, nas mais variadas classes, estão usando as redes sociais para realização de lives para divulgarem seus trabalhos, e se mobilizam para arrecadação de recursos, por  meio de vaquinhas virtuais.

Na manhã desta quinta-feira (18), um grupo de 12 artistas realizaram uma manifestação pacífica no bairro Parque Aeroporto, em Macaé. No protesto, que reuniu músicos, técnicos de som e luz, seguranças, DJs, garçons, bar-man, atores, entre outros, a categoria, que está há 90 dias sem trabalhar, exibiu uma faixa “SOS Vamos morrer de fome ! Estamos abandonados! Músicos e artistas macaenses”. O objetivo da manifestação, segundo Jean Macaé, que é músico da noite macaense, foi para pedir ‘socorro’ e o direito ao auxilio emergencial financeiro. “Permanecemos na praça do Aeroporto por meia hora com as faixas pedindo socorro ao Poder Público e a sociedade macaense. São 91 dias sem trabalho para nós, da cultura. Fomos os primeiros a parar e seremos os últimos a retomar as atividades. Sabemos que o momento é muito difícil e o isolamento social é necessário, por isso realizamos a manifestação com o menor grupo possível de artistas”, explicou. Para ele, na Capital Nacional do Petróleo, não existe nenhum um projeto de políticas públicas. “Viraram as costas para a cultura de Macaé. Muitos artistas já começaram a ser despejados dos imóveis, pois  não conseguem pagar aluguel, passam por necessidades básicas, como alimentos e remédios. A fome é algo também que atinge e atormenta já alguns artistas da cidade, como eu, que estou também vivendo de doações e vaquinhas de amigos. Muitos de nós nem o auxílio emergencial do governo federal receberam. É triste demais. Estamos enfrentando graves problemas de sobrevivência”, desabafou.

No dia 21 de março deste ano,  a União dos Músicos Macaenses protocolou ofício à Secretaria de Cultura de Macaé e ao então secretário da pasta, Thalles Coutinho, solicitando auxílio emergencial financeiro durante a pandemia do novo coronavírus. No documento, 100 músicos, por meio de abaixo-assinado, registraram a reivindicação. “É sabido que o cachê do músico é seu salário, sendo assim, com todos os  shows cancelados, necessitamos de suporte para manter nossos lares e arcar com as necessidades básicas como contas de água, luz, aluguel, alimentação, remédios, etc. Diante desse cenário, nós músicos macaenses, que ganhamos a vida promovendo arte e cultura, muitas vezes não vistos como trabalhadores, nos unimos para solicitar uma ajuda financeira de um salário mínimo para cada assinante deste documento, durante o período inicial de três meses, e assim podemos sobreviver junto aos nossos familiares no período em que não podemos trabalhar”.

Audiência na Câmara

No dia 28 de maio, a Comissão de Educação e Cultura, em audiência virtual, reuniu artistas da cidade e trabalhadores da cultura, que também pediram ‘socorro’ ao Poder Público, já que tentam sobreviver diante do atual cenário. Um dos pontos do encontro virtual foi apresentar a necessidade e urgência de conceder auxílio emergencial financeiro a uma categoria que se encaixa como trabalhadores informais.

Na audiência, o presidente do Conselho Municipal da Cultura de Macaé, Helder Santana, informou que a entidade criou um GT (Grupo de Trabalho) para verificar o que precisa ser feito, devido a atual situação, em prol dos artistas. Durante a audiência, Santana ressaltou a necessidade de um auxílio emergencial financeiro à classe, já que são três meses de paralisação e nenhum artista está trabalhando. Durante o debate também , foram apresentadas reivindicações. Helder falou da necessidade de muitos de adquirir ajudas com cestas básicas. " Setenta porcento dos trabalhadores e trabalhadoras da cultura macaense atuam na cidade há mais de dez anos. Muitos vivem de cachê, de chapéu, vendas de ingressos, porque são trabalhadores informais. E estamos há  três meses parados, precisamos sim de auxílios. Porque quando a cidade começar a retomar as atividades, nosso setor, a Cultura, será o último a ver alguma recuperação", afirmou. Números apresentados também por Santana durante a audiência, apontam que em Macaé, o setor da cultura movimenta R$ 750 mil na economia. " É um setor transverso, que movimenta o turismo, a gastronomia. Quem vai assistir um show ou vai ao cinema, depois sentam para comer. O auxílio será necessário pós pandemia, porque a retomada neste setor será lenta", acrescentou.

A reportagem do Clique Diário encaminhou à Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Macaé, solicitando junto à secretaria de Cultura, informações quanto à concessão de auxílios emergenciais financeiros aos artistas da cidade, mas até o fechamento desta matéria, nenhuma resposta foi dada.

Mais lidas da semana