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Em audiência pública virtual, artistas de Macaé e atuantes da Cultura local pedem 'socorro' para sobreviverem diante da crise do novo coronavirus

Daniela Bairros

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Daniela Bairros

Desde quando a pandemia do novo coronavirus afetou diversos setores da economia, causando demissões, fechamento de estabelecimentos comerciais e paralisação e também fechamento de muitas empresas, trabalhadores informais sofreram sérias consequências. Entre as atividades atingidas pela crise da Covid-19, está a da Cultura. Desde então, muitos artistas estão usando as redes sociais, com a realização de lives, para continuar divulgando seus trabalhos. Muitos aderiram às vaquinhas virtuais, como forma de arrecadar recursos e tentar garantir seus sustentos e de familiares.
Em Macaé, o setor cultural foi muito atingido, já que os artistas, entre músicos, atores, artesãos, dançarinos, produtores culturais, enfim, estão impedindos de trabalhar.
Na tarde dessa quinta-feira (28), em audiência pública virtual realizada pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara Municipal de Macaé, representantes da categoria pediram 'socorro' ao Poder Público, já que tentam sobrevevir diante do atual cenário. Um dos pontos do encontro virtual foi apresentar a necessidade e urgência de conceder, auxílio emergencial financeiro à uma categoria que se encaixa como trabalhadores informais.
Segundo o presidente do Conselho Municipal da Cultura de Macaé, Helder Santana, a entidade criou um GT (Grupo de Trabalho) para verificar o que precisa ser feito, devido a atual situação, em prol dos artistas. Durante a audiência, Santana ressaltou a necessidade de um auxílio emergencial financeiro à classe, já que são três meses de paralisação e nenhum artista está trabalhando. Durante o debate também , foram apresentadas reivindicações. Helder falou da necessidade de muitos de adquirir ajudas com cestas básicas. " Setenta porcento dos trabalhadores e trabalhadoras da cultura macaense atuam na cidade há mais de dez anos. Muitos vivem de cachê, de chapéu, vendas de ingressos, porque são trabalhadores informais. E estamos três meses parados, precisamos sim de auxílios. Porque quando a cidade começar a retomar as atividades, nosso setor, a Cultura, será o último a ver alguma recuperação", afirmou. Números apresentados também por Santana durante a audiência, apontam que em Macaé, o setor da cultura movimenta R$ 750 mil na economia. " É um setor transverso, que movimenta o turismo, a gastronomia. Quem vai assistir um show ou vai ao cinema, depois sentam para comer. O auxílio será necessário pós pandemia, porque a retomada neste setor será lenta", acrescentou.
Atualmente, segundo Helder, 406 artistas estão cadastrados no conselho. A proposta da classe se unir e criar campanhas virtuais com objetivo de angariar recursos financeiros para ajudar os artistas, foi defendida por músicos da cidade que participaram do encontro.
Uma das alternativas apontadas pelos artistas locais, é que o município, por meio do Fundo Municipal de Cultura, seja contemplado pela Lei Aldir Blanc, aprovada no último dia 26 de maio e que destina R$ 3 bilhões à cultura, como 'socorro' aos artistas e espaços culturais. A lei depende de aprovação no Senado e da sanção do presidente Jair Bolsonaro.
O ex-secretário de Cultura de Macaé, Thales Coutinho, que participou da audiência, ressaltou a importância do Fundo Municipal da Cultura como fomento para criação de editais, como chamamento para os artistas locais continuar trabalhando no pós pandemia. Atualmente, a pasta está sendo ocupada por Bruno Ribeiro, também presente à audiência virtual.
O relator da Comissão de Educação e Cultura da Câmara, vereador Marcel Silvano (PT) destacou que a prefeitura precisa estudar medidas para que taxas municipais nos espacos públicos usados pelos artistas, deixem de ser cobradas. Segundo o parlamentar petista, o Fundo Municipal de Cultura existe por lei, mas não estar regularizado, e por outras questões burocráticas, não funciona. " A regularização do fundo é importante, mas é preciso haver interesse e sensibilidade por parte do Poder Público. Foi feito esse diálogo da nossa parte enquanto Legislativo com o conselho de Cultura, mas é preciso olhar para as necessidades da classe artística e cultural de Macaé, que são urgentes", ressaltou. Silvano afirmou que todas as reivindicações apresentadas pela classe durante a audiência serão levadas para votação no plenário da Câmara nas próximas sessões ordinárias.
Outro ponto discutido foi com relação ao orçamento anual de R$ 2 milhões, destinados ao setor da Cultura de Macaé. O recurso, para os artistas, poderia ser destinado à concessão de auxílio emergencial à classe, segundo apontou os participantes.

Crédito: Divulgação

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