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BNegão celebra 15 anos do emblemático disco “Enxugando Gelo” em show nesta quinta (23) no Teatro Sesi Macaé

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Cantor sobe ao palco do Teatro Sesi Macaé às 20h em sua turnê nacional e para lançar o álbum em vinil.

 

Da redação

O ex-integrante da Banda Planet Hemp e rapper BNegão sobe ao palco do Teatro Sesi Macaé nesta quinta-feira (23), às 20h, para celebrar os 15 anos do disco “Enxugando Gelo”. É uma turnê nacional para lançar o álbum em vinil.  O trabalho lhe mostrou que na verdade já estava escudado pelos Seletores de Frequência.  Os fãs ainda podem garantir os ingressos, que estão custando R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). A classificação é 16 anos.

“Enxugando Gelo” é o primeiro álbum da carreira solo de BNegão. O trabalho de 2003 surgiu da vontade do MC  de escrever sobre coisas que não cabiam nem no Planet Hemp, nem no Funk Fuckers. A vontade de juntar o social e o espiritual de uma forma que ainda não havia acontecido dentro do hip-hop nacional.

Junto com isso, a necessidade de eliminar fronteiras entre gêneros e estilos, avançar nas alquimias que sempre pautaram a sua caminhada. A busca por fazer uma arte que seja, segundo BNegão, “o mais imperecível possível”. Foi um dos discos mais aclamados do ano e considerado um dos mais importantes da música brasileira do século XXI. Sucesso absoluto de crítica, público e vendas, “Enxugando Gelo” é referência sobre a síntese do rap com outros estilos da música negra como: reggae dub, samba, funk, jazz, funk carioca, rock e hardcore (representados aqui pelos Bad Brains).

O disco, vendido em bancas de jornais e lojas físicas, foi o primeiro álbum lançado comercialmente no Brasil a ser disponibilizado pelos próprios artistas para download gratuito na internet. Este ativismo digital gerou extrema polêmica na época, mas além de influenciar grandes movimentos neste sentido, acabou sendo o passaporte de BNSF para vários shows muito bem sucedidos no Velho Continente.

Quinze anos depois, BNegão & Seletores de Frequência revisitam este álbum fundamental com uma turnê nacional e com o lançamento do vinil, que está à venda em algumas lojas e, principalmente, pela Assustado Discos.  E para dar ainda mais sustentação moral e instrumental à arte de BNegão, lá estão os Seletores de Frequência, um sexteto fumegante formado por Pedro Selector (trompete), Robson Riva (bateria), Nobru Pederneiras (baixo), Ulisses Cappelletti (guitarra), Marco Serragrande (trombone), DJ Rodrigues e Paulão King (voz).

“Enxugando gelo”

A proposta musical do disco é vasta e a mensagem das letras continua atual, repleta de explanações filosóficas, espirituais e políticas sobre a realidade brasileira. Entre as 13 faixas, estão grandes hits da banda, que não podem faltar nos shows, “senão o pessoal fica bolado”. Sons como “Funk até o caroço”, um funk 70 com rap e o vocal de grindcore do Paulão, cujo refrão, costuma ser cantado em coro, de norte a sul do país.

Ou como a clássica “A verdadeira dança do patinho” onde a ideia de juntar vanguarda e música pop de impacto imediato deu muito certo. Aqui, a banda alquimizou um funk carioca ultra-minimalista com uma letra política (atual até os dias de hoje), peso nas guitarras e samples de samba do início do século passado e da orquestra de Duke Ellington. “V.V”., com sua forma única de mix entre o samba e o raggamuffin/rap (cortesia de Gabriel Muzak e Marcos Suzano), também se destaca. Ou ainda a importantíssima “Dorobo”, feita junto com o rapper Sabotage, com participação do Dengue (Djeik Sandino), da Nação Zumbi, no baixo, Alexandre Basa na flauta e Tejo Damasceno (Mpcs e programações), do Instituto. “Inclusive, eles - Tejo Damasceno, Rica Amabis e Daniel Ganjaman, são fundamento no disco. Contribuíram muito (com suas mixagens) pra gente chegar no som que a gente chegou”, apontou  BNegão.

E vale ainda destacar a última, “Prioridades”. Com oito minutos, é uma espécie de epopeia dub com refrão de samba no formato chamado-e-resposta.

O disco abre com Fábio Kalunga na introdução, recitando “A Palavra”, poema de Chacal.

BNegão apontou ainda  que os shows são todos dedicados ao Fábio Kalunga, baixista dos Seletores de Frequência que faleceu em 2017 e que é peça fundamental na construção da coisa toda. “Tudo começou comigo e ele, na casa dele, ouvindo discos de Hermeto Pascoal, Gil e Jorge Ben, fazendo experiências com fita cassete, sampleando coisas e tal”, relembrou o rapper.

A produção de “Enxugando Gelo” é do próprio BNegão junto com Pedro Garcia

Crédito: Divulgação

 

 

 

 

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