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Pesquisa aponta que limitar horários de bares e restaurantes devido à pandemia não possui efeito positivo de combate à doença

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Daniela Bairros

Uma pesquisa da London School for Hygiene and Tropical Medicine (LSHTM) aponta que limitar os horários de funcionamento de bares e restaurantes, que estão tendo que fechar diariamente às 22h, não tem efeito positivo no combate à Covid-19. A regra quanto ao funcionamento de bares e restaurantes foi adotada em vários países, entre eles, o Brasil e Reino Unido.

De acordo com o levantamento, feito por meio de entrevistas com 1.868 pessoas,  metade dos entrevistados (50,3%) se encontrou com a mesma quantidade de pessoas que via antes da implantação da restrição de horários, enquanto 25,6% viu menos pessoas e 24% viu mais pessoas.

Para os pesquisadores, “não há indicativo de que o fechamento de restaurantes e bares às 22 horas reduziu o número médio de contatos”.

As medidas restritivas foram ainda mais ineficazes com jovens adultos com menos de 30 anos, a maior parte dos que alegam ter visto mais pessoas do que antes.

Em Macaé, bares e restaurantes estão operando com regras rígidas de distanciamento e horários. No almoço, podem funcionar de 11 até as 15h e no jantar, das 18 às 22h.

O chefe de cozinha Guilherme Veiga afirmou que ficou seis meses com o restaurante fechado. E com isso, viu o faturamento cair de 20 a 30%. “Tivemos de renegociar aluguel, custos fixos, e infelizmente, demitir. Quando reabrimos, tivemos algumas questões principais: uma é que o público de fato diminuiu, já que muitas pessoas continuam em quarentena, ou, no caso de Macaé, retornaram à sua cidade de origem, ou estão em home office. Além disso, as regras, que são extremamente necessárias, de certa maneira, nos impactam”. De acordo com Veiga, o restaurante é um negócio de varejo. “De serviço de varejo, então, uma mesa que seja, é um faturamento relevante. Perder uma mesa por conta do horário, ou por conta da quantidade de pessoas, é um problema enorme para gente. Na última semana, nós negamos reservas de nove lugares, na véspera do Natal. Isso para gente, que tem apenas 20 lugares, tem um impacto enorme. Na minha opinião, o poder púbico deveria sentar novamente com o setor e dialogar, apresentar uma luz no fim do túnel. Tenho amigos que já fecharam, outros que ficarão só no delivery”, declarou Veiga, proprietário do Petit Petit.

O Instituto Liberal de São Paulo (ILISP) ingressou com uma ação judicial contra o governo da capital paulista devido à restrição do horário de funcionamento de bares, restaurantes e comércios em geral, sem qualquer base científica.

Setor opera no prejuízo em grande parte do país

Nova pesquisa nacional da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (ABRASEl),  indica que a recuperação após a reabertura na maioria das cidades do país está melhor do que a associação previa para o período, mas ainda desaponta muitos empresários. Mais da metade (53%) dos donos de bares e restaurantes diz que suas empresas operam no prejuízo, e para 52% deles o faturamento está abaixo da expectativa na retomada. Em setembro, com a extensão do horário de funcionamento em algumas capitais, houve ligeira melhora nas receitas. Mesmo assim, 56% dos empresários dizem estar faturando menos da metade do que no mesmo período do ano passado.

“Em algumas cidades ficamos fechados por seis longos meses, e no começo da retomada só nos foi permitido abrir em horários muito restritos. Agora começa uma flexibilização maior e a expectativa é termos uma retomada gradual do faturamento. Alguns perfis de empresa estão sofrendo mais, como os que atendem as classes A e B. Outros, como os que têm perfil de público C e D, estão tendo uma retomada melhor, parte explicada pela renda relacionada aos benefícios emergenciais. Em volume estimo que já chegamos a 60% do que era na mesma época de 2019, antes da pandemia”, afirmou Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel.

Para ele, este último dado confirma a expectativa da associação de que com o equilíbrio da oferta, já que 30% dos estabelecimentos deixou de operar, quem sobreviver até dezembro voltará a fazer o faturamento pré-crise.

A pesquisa, realizada nos 27 estados, apontou também um alto nível de endividamento das empresas. Nada menos que 62% disseram ter contraído empréstimos para sobreviver durante a crise  e outros 18% afirmam haver tentado, mas receberam negativa dos bancos. Quase um terço (30%) dos respondentes estima levar até dois anos para trazer as dívidas a um patamar normal ou aceitável.

“A pesquisa mostra que quem conseguiu sobreviver terá um caminho duro pela frente nos próximos meses e até nos próximos anos. O setor precisa de atenção contínua para assegurar os empregos e ter alguma perspectiva de recontratação”, afirma Solmucci.

Responsáveis por mais de seis milhões de empregos no Brasil antes da pandemia, os bares e restaurantes operam hoje com menos funcionários e a perspectiva da maioria é não contratar no curto prazo, se o faturamento continuar decepcionando. Dos respondentes, 57% dizem não ter a intenção de contratar agora. E dos que dizem pretender fazê-lo, a expectativa da maioria é aumentar o quadro em apenas 10%.

A pesquisa também avaliou a percepção dos empresários quanto ao aumento dos insumos na retomada. Sem estoques, devido ao longo tempo fechado, o susto foi grande na hora de reabastecer a cozinha: quase metade (47%) avalia que o preço dos insumos está pelo menos 15% mais caro do que era antes da pandemia, um número bem acima da inflação geral. Com o aumento, muitos têm de repassar parte dos custos para o cardápio. Metade dos empresários (50%) afirma ter aumentado os preços dos pratos entre 6% e 10%. Com os custos em alta e faturamento ainda abaixo do ideal, 23% esperam levar seis meses para equilibrar o caixa, e outros 20% dizem esperar alcançar o equilíbrio em até um ano.

Crédito: Divulgação

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