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Inundação em localidade de Casimiro de Abreu deixa prejuízos para dezenas de famílias

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Local fica entre o limite de Casimiro de Abreu e Sebastião Lan. Famílias alegam que problema foi gerado pela abertura de comportas de lagoa Juturnaíba.

Cerca de 80 famílias estão vivendo debaixo d'água no pré-assentamento Sabastião Lan. A área de 1,3 ,mil hectares está inundada trazendo prejuízos nas plantações de aipim, típicas da região. Também é possível encontrar moradores vivendo na estrada, já que a água atingiu a residência. O problema, garantem os produtores rurais, foi provocado pela abertura da comporta da Lagoa de Juturnaíba, em Silva Jardim, com o objetivo de diminuir os impactos da enchente que atingiu o município na semana passada.

A melhor maneira de chegar ao pré-assentamento é por uma estrada de terra, em Casimiro de Abreu. Pelo caminho é possível ver os impactos da inundação. Há pontos, na estrada, com mais de um quilômetro com água chegando até 50cm. Poucos se arriscam em passar pelo local com carro pequeno. A 121ª DP do município até investiga a morte de um morador de Sebastião Lan que teria se afogado no local.

A inundação trouxe transtorno para os produtores rurais do pré-assentamento. O produtor rural Romário Barreto, por exemplo, não terá como negociar cerca de 10 mil caixas de aipim. O motivo, segundo ele, é que a área foi atingida pela água. No começo da propriedade, o aipim plantado está completamente submerso.

“Eu calculo que meu prejuízo é de R$ 70 mil reais. Ainda vou perder dinheiro quando a área voltar ao normal. Vou ter que investir na recuperação do solo, já que o aipim está podre debaixo da terra. Ainda tenho uma área que não foi atingida pela inundação. Vou vender, mas não será o suficiente para arcar com os prejuízos”, afirmou Barreto.

Os últimos dias foram caracterizados típicos de verão. Faz sol forte na parte da manhã e chove a tarde. Segundo os produtores rurais, a chuva é responsável pela inundação. “Aos poucos a água foi invadindo nossa área. De um dia para o outro foi aumentando. Recebemos a informação que abriram a comporta da lagoa de Juturnaíba porque lá a cidade estava de baixo d'água. Tomaram essa medida lá, mas prejudicaram dezenas de famílias por aqui”, disse o produtor rural Antônio Fortini Neto.

O produtor rural Miguel Neto não teve dúvidas. Ao ver a água subindo logo providenciou a saída da família de dentro da residência. Na estrada mesmo, em um ponto mais alto, ele providenciou uma espécie de acampamento. “Trouxe fogão, panelas e uma barraca. Minha família está dormindo dentro de uma barraca. A água vai subindo aos poucos, sem avisar. Não posso correr o risco de ficar em casa e quando menos ver a água pode estar no nosso pescoço”, disse.

O outro lado

A ProLagos é a responsável pela operação e manutenção da barragem da represa de Juturnaíba. A empresa confirmou que abriu as comportas com base nas orientações do Manual de Operações, aprovado pela Agência Reguladora (AGENERSA), e a Resolução do Comitê de Bacias Lagos São João. A concessionária destacou ainda que obedeceu as regras estabelecidas pelo Comitê de Bacias Hidrográficas e pela Resolução nº 014/2007. O controle das comportas evita a extravasão das águas sobre as áreas próximas à represa. Esta operação baseada em critérios técnicos visa garantir a segurança da barragem e, portanto, das pessoas e das propriedades ao redor. Os relatórios sobre a operação da barragem são enviados mensalmente para a AGENERSA. Além disso, as defesas civis dos municípios de Silva Jardim e Casimiro de Abreu também são comunicadas. Por fim, a empresa reforça que monitora as condições da barragem e opera as comportas para assegurar os níveis e vazões definidos no Manual de Operação e Resolução do Comitê de Bacias Lagos São João. 


 

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