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Desde o ano passado professores sofrem com problemas no salário, em Cabo Frio

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Há meses o salário dos servidores se tornou motivo de muita confusão, em Cabo Frio. Neste mês, não foi diferente; Os servidores da saúde e da educação decidiram acampar na secretaria de Fazenda do município, como forma de protesto, após a prefeitura divulgar uma nota informando que os grevistas receberiam em data posterior aos não grevistas.

A ocupação aconteceu no final da tarde de terça-feira, 21. A Guarda Municipal ainda tentou impedir o grupo que chegou com cartazes e gritos de ordem, mas não conseguiu. Duas equipes de policiais militares foram chamadas para acompanhar o protesto. A PM também tentou viabilizar uma negociação entre ambas as partes o que não foi possível. Ao final do expediente da secretaria, às 17h, a luz do prédio foi desligada, mas os manifestantes se mostraram irredutíveis; Porém, foram obrigados a desocupar o prédio após uma liminar concedida pela justiça.

A medida não inibiu os manifestantes, que decidiram acampar na porta do prédio. Eles amanheceram no local, e o atendimento ao público foi suspenso nesta quarta-feira, 22, devido ao bloqueio que fizeram na entrada. Os funcionários que trabalharam tiveram que entrar pela lateral do prédio, incluindo o secretário de Fazenda, Axiles Francisco Corrêa, irmão do prefeito Alair Corrêa (PP), que também foi impedido de entrar pela porta da frente.

 

 Nota oficial não é real – Na nota emitida pela Prefeitura de Cabo Frio sobre os salários foi informado que na terça-feira, 21, seria quitado 65% da Folha de Pessoal. Ressaltando que na Educação, seriam priorizados o pagamento dos professores que não participaram da greve, e que nos próximos dias (sem uma data definida) estariam pagando as demais Secretarias, Coordenadorias e os efetivos da Saúde.

Porém, segundo inúmeros professores, a lógica não funcionou. Dibersos servidores que não aderiram à greve continuam sem receber. A situação gerou um grande mal-estar, e muitos questionaram quem estava administrando esse pagamento.

Uma professora contou que até recebeu, porém menos do que o esperado. “O meu salário veio menos 50 por cento do que recebo. Absurdo total! Nunca fiz greve. Será que vale apena continuar na escola para que a comunidade entenda que está tudo bem com os problemas pipocando dentro dela? Em um contexto de 29 professores fora os demais funcionários somente 2 receberam. Será que os e demais estão felizes e bem emocionante para exercerem a função como deveria? Como mudar esse quadro?”, questionou.

Outra contou que não para de atualizar o aplicativo da sua conta, na expectativa de receber, mas o que vê são suas contas vencendo e já não sabe mais o que fazer. Ainda teve servidor que jura que conhece grevistas que receberam.  E esse impasse segue, sem nenhuma certeza.

 

Salários atrasados não é um problema recente – O motivo dos servidores estarem tão revoltados, é que a falta de salários não é um problema que começou esse mês. Desde outubro do ano passado, a categoria tem brigado para conseguir receber o pagamento no dia previsto, sem sucesso. Além disso, há outros problemas, de acordo com o sindicato, a luta é “contra o sucateamento das escolas públicas e a total falta de respeito com nossos profissionais que não tem calendário de pagamento, não teve o décimo terceiro de 2015, o 1/3 de férias, vale transporte, liberação das aposentadorias, direitos negados e agora ameaça de parcelamento de salário”.

Diante deste cenário, a solução encontrada foram as paralisações. Alguns dias, semanas, meses, até conseguir encerrar o ano letivo de 2015, já então em 2016. Porém, o próprio sindicato relatou que a greve só iria encerrar em consideração aos alunos, já que a administração municipal não demonstrava nenhum interesse em resolver o impasse. Pelo contrário, quando mais os professores brigavam por seus direitos, mais o governo buscava justificativas para acusa-los.

Ainda sem solução, o sindicato entrou na justiça contra o governo. Mas apesar das inúmeras determinações para o pagamento do salário no quinto dia útil, o prefeito, Alair Corrêa, continua a persistir na ideia de que o município não tem verba para pagar os servidores, e por isso, pode atrasar, uma semana, quinze dias, um mês, e por ai vai.

Além das paralisações e processos, a categoria também realizou diversos atos pela cidade. Panfletagem pelas ruas da cidade, caminhadas, carreatas e ocupações. A categoria já acampou na Câmara Municipal, inclusive mais de uma vez, e também na Prefeitura. Em um dos atos mais recentes antes da secretaria da Fazenda, a categoria fechou a ponte Feliciano Sodré, que liga o Centro a demais bairros da cidade.

Com muito atraso, o ano letivo de 2016 iniciou em abril, mas as paralisações continuam. Grande parte dos profissionais da educação tem aderido as paralisações. Algumas paralisações chegaram a 80% de adesão. Mesmo quem relutou a participar dos movimentos, hoje começa a enxergar com outros olhos. Afinal, essa incerteza tem gerado grandes problemas. São contas atrasadas, que geram juros, mas o salário não está vindo se quer completo, quem dirá com o acréscimo legal.

 

 

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