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Hospitais de Araruama e Saquarema superfaturam contratos de gestão

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Acordos foram feitos com a Cruz Vermelha e esquema é desbaratado pela Polícia Civil e MP do Rio

 

Contratos no valor de R$ 605 milhões foram assinados entre a Cruz Vermelha do Rio Grande do Sul e gerencia de oito entidades hospitalares, entre eles o Hospital Estadual dos Lagos, em Saquarema;
o Roberto Chabo, em Araruama e a UPA de São Pedro da Aldeia. Esse superfaturamento foi desmantelado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro e a Polícia Civil, que durante a operação Calvário, contra fraudes na Saúde no estado do Rio resultou na prisão de dez pessoas. As investigações apontam que houve desvio de R$ 15 milhões e prejuízo a várias unidades da rede pública no estado.

Além dessas três unidades da Região dos Lagos que faziam parte dos contratos fraudados participavam os gestores do Hospital Municipal Albert Schweitzer, na Zona Oeste do Rio; e das UPAs de Botafogo; Engenho de Dentro; Magalhães Bastos e de Itaboraí que renderam R$ 605 milhões. Empresas ligadas à instituição receberam, entre 2011 e 2018, R$ 1,7 bilhão em recursos públicos para gerir unidades de saúde em quatro estados.

Durante a manhã desta sexta-feira (14) foram expedidos e cumpridos dez mandados de prisão nas cidades do Rio de Janeiro, Duque de Caxias, Itaboraí e Nova Friburgo e nos estados da Paraíba e de Goiás. Entre os detidos está o empresário Daniel Gomes da Silva que comanda a Cruz Vermelha no Estado do Rio Grande do Sul. O empresário – via telefone criptografado – coordenava todo o esquema, inclusive quando residia em Portugal.

A quadrilha direcionava contratações de serviços, fazia pagamentos superfaturados para empresas pré-selecionadas e repassava valores correspondentes ao superfaturamento para Daniel. Ele recebia o dinheiro em espécie, através de funcionários de confiança. Os contratos da Cruz Vermelha com os fornecedores das unidades de saúde administradas por ela - como empresas de alimentação, limpeza, engenharia clínica, portaria e laboratórios de análise clínica - eram superfaturados. A Cruz Vermelha pagava valores superfaturados aos oito fornecedores, que depois devolviam parte do dinheiro. Até as 13h, foram apreendidos R$ 2 milhões distribuídos em 32 envelopes, com R$ 50 mil em cada. O restante do dinheiro, em euros, estava em uma mala, na casa do pai do empresário.

O número dois no esquema era Antônio Vicente Carvalho, responsável por arrecadar o dinheiro. Ele tinha como função fazer com que a parte do dinheiro que não era destinada aos serviços de Saúde fosse sacada e retornasse para o esquema. Ele também recolhia valores com fornecedores para entregar para uma mulher identificada como Michele, responsável por fazer os valores arrecadados chegassem aos envolvidos no esquema.

Tânia Garabini


 

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