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Hidrômetros registram ar ao invés de água em residências de Macaé

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Consumidores denunciam "mágica" responsável pelo aumento de até 86% na conta dividida entre os dois serviços oferecidos pela Cedae (água) e BRK (esgoto).

Não sai uma gota sequer das torneiras, mas o hidrômetro - aquele aparelho que registra o consumo de água continua girando e marcando um gasto que não existe. Parece até que nos canos corre uma espécie de "água fantasma".

Uma consumidora de Macaé fez um vídeo mostrando o hidrômetro da sua casa em funcionamento mesmo sem correr água nas torneiras. E chegou à conclusão que estava pagando pelo ar que passa por dentro do encanamento. Junto com a conta de março da recepcionista Vanessa Ramalho Paula França, moradora do Mirante da Lagoa, veio o susto: R$ 436,07 a pagar pelos serviços de água e esgoto.

O valor da conta, dividida entre os dois serviços oferecidos pela Cedae (água) e BRK (esgoto), vem subindo há pouco mais de um ano, segundo a consumidora. Em 2017, Vanessa, que mora em uma casa com outras quatro pessoas, pagou faturas com valores entre R$ 77 e R$ 246.  O valor máximo aumentou 86% em 2018. Vanessa afirma ter solicitado perícia pela empresa. O resultado, segundo ela, foi a constatação de que estaria pagando pelo ar que passa pelo hidrômetro.

“O funcionário disse que ia fazer uma média pelo consumo anual e abater na conta que veio alta. Perguntamos ao funcionário como poderíamos fazer pra colocar um filtro de ar e ele disse que ele mesmo poderia instalar por fora nos finais de semana, mas teríamos que pagar um valor a mais a ele. Um absurdo, pois se trocaram o registro por um mais moderno e mais preciso, tinha que ter automaticamente um filtro de ar, sem cobranças adicionais”, denuncia a recepcionista, que filmou o caso e publicou nas redes sociais.

“Decidi fazer esse vídeo ao perceber um enorme aumento na nossa conta de água após a troca do registro, feito pela própria empresa, pois a mesma afirmou que foram trocados por registro mais modernos para ter mais precisão na medida, mas ao observar por algum tempo percebemos que ele estava medindo muitas vezes apenas ar. Não acho certo que a gente tenha que reclamar toda vez que a conta vem muito alta por conta do ar que passa pelo medidor (muita gente nem presta atenção nisso), e se você não perceber  vai continuar pagando pelo ar”, enfatizou Vanessa.

Não é só no Mirante que o hidrômetro consome ar, em muitos outros bairros macaenses, como o Jardim Santo Antônio, o mesmo feito acontece. “Com o meu marcador está acontecendo a mesma coisa. Meu marido percebeu isso há 15 dias. E a minha conta esse quadriplicou de valor esse mês”, destacou a fisioterapeuta Kelly Lira.

Na Capital do Petróleo, a saída tem sido pagar para instalar o filtro de ar. Foi o que fez um morador do Jardim Franco. Antes de instalar o filtro, ele chegou a pagar pouco mais de R$ 1.500 em uma só conta. Após a instalação de uma válvula retentora, o valor não passa R$ 70 mensais, segundo ele. “Foi o jeito que encontrei de não ser mais enganado pelas empresas fornecedoras do serviço de água e esgoto em Macaé”, disse o consumidor.

As denúncias em Macaé trouxeram a tona casos parecidos em muitos outros lares em cidades como Carapebus, Rio das Ostras e Campos dos Goytacazes.  “Aqui em Rio das Ostras acontece isso também, quando eles desligam a água , depois religam, vem mais ar do que água e o hidrômetro gira muito rápido”,  alertou a consumidora Ingrid Hernny.

O que diz a BRK ?

Questionada sobre as denúncias em Macaé, a BRK Ambiental informou por meio de nota que a operação dos serviços de água em Macaé é feita pela Cedae. Segundo a empresa, a BRK é responsável pela implantação, operação da coleta e tratamento de esgoto assim como pela gestão comercial das contas de água, efetuando a troca de hidrômetros, emissão de faturas, religações de água e atualização de cadastros.

Sendo assim, constatações acerca da presença de ar na rede só podem ser atestadas pela equipe da Cedae, responsável pelo fornecimento e distribuição de água em Macaé. A BRK afirmou que nenhum funcionário está autorizado a fazer intervenções na rede de abastecimento de água fora de escopo contratual com a Cedae, e que está investigando a conduta de seu funcionário. A concessionária disse que encaminhou a reclamação para a equipe Operacional da Cedae.

Entramos em contato com o superintendente regional da Cedae, Fernando Arruda, mas até o fechamento desta edição, não tivemos retorno da companhia.

 

 

Autor: Bertha Muniz

Foto: Arquivo Pessoal

 


 

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