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"Disco é cultura" - Colecionadores de vinil promovem 1º Encontro na Praça do Rodo em Macaé

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Projeto, idealizado e fundado por quatro apaixonados por disco de vinil, pretende chegar a todas as praças da cidade

 

 

Daniela Bairros

Tem para todos os gostos. Rock, MPB (Música Popular Brasileira), Chorinho, Samba, Jazz e por ai vai. Imagina só também  ouvir grandes sucessos de Elis Regina,  Cartola e Nelson Gonçalves no saudoso disco de vinil. Coisa rara nos dias de hoje, não!.

Em Macaé, quatro apaixonados colecionadores de discos de vinil, fundaram e idelizaram o Vinil na Brasa, uma iniciativa que reunia os quatro amigos para um bate-papo, regado à churrasco e cerveja gelada. Mas não bastava somente os encontros. Faltava música, e de preferência, do disco de vinil. Os quatro, amantes do rock rave metal, criaram, numa rede de relacionamento, o Grupo Vinil na Brasa, já com adeptos na cidade, como o grupo de Motociclistas Feões do Asfalto. Desde 2016, o encontro Vinil na Brasa acontece todas às quintas-feiras na Feirinha do Horto.

Com objetivo de resgatar a cultura do disco de vinil, os fundadores e idealizadores do grupo Diógenes Meireles de Lima, de 45 anos, Patrick Quinani, de 39 anos, e os irmãos Daniel Santos Lemos, 34, e Rafael Santos Lemos, querem agora fomentar o vinil nas praças da cidade, criando o projeto Encontro de Vinil na Praça. O primeiro já aconteceu nessa semana na praça do Rodo, no bairro Visconde,  em Macaé. No encontro, é possível trocar e comprar  discos, além de apreciar sucessos na tradicional vitrola. Daqui para frente, o grupo pretende visitar todas as praças da cidade, semanalmente, para mostrar uma grande variedade de discos de vinil e de grandes sucessos, sempre com muita música, bate-papo e churrasco.

Colecionando discos de vinil desde os 12 anos, o autonômo Patrick Quinani, além de ser apaixonado pela variada coleção que possui, encontrou também uma alternativa para driblar o desemprego. Nas reuniões, ele comercializa discos, cujos preços variam de R$ 20 a R$ 50, mas a ideia, segundo ele, é simplesmente resgatar a cultura dos vinis. "A pessoa não é obrigada a comprar. Basta chegar, sentar, bater-papo  ao som do vinil".

Além dos sucessos do rock, samba, chorinho, MPB, jazz, vinis de música clássica também poderão ser apreciados nos encontros, segundo o também idealizador e fundador do grupo, Diógenes Meireles, que coleciona discos de vinil desde os 14 anos e tem o rock como o carro chefe.

Patrick e Diógenes explicam que não basta somente colecionar os vinis e deixá-los guardados em caixas. É preciso cuidado com os discos, e para mantê-los conservados, sem arranhões, é preciso lavá-los. "As vitrolas de hoje em dia possuem os braços muito leves. Então, o disco tem que estar muito limpo para não pular quando estiver tocando", orienta Patrick. As condições meteorólogicas também interferem. "Quando nos encontramos para ouvir vinil, se tiver ventando muito, por exemplo, não é possível ouvir porque o vento arrasta e pode danificar o disco", explica Diógenes.

Outro apaixonado por vinil

Na Praça do Rodo, onde comercializa churros, o comerciante Valderli Nunes Vilar, de 52 anos, há 20 anos coleciona discos, dos mais variados cantores e gêneros, como Gilberto Gil, Leila Pinheira, Guilherme Arantes, Rita Lee, entre outros. Hoje com 2.600 discos, o comerciante revela que não troca, porque simplesmente considera a coleção, verdadeiras relíquias. Quanto à iniciativa de levar o projeto às praças da cidade, Vilar avalia como positiva, principalmente pelo resgate cultural. "Conheci os meninos do grupo há uma semana e já posso dizer que o projeto vai ajudar e muito nosso bairro e também fomentar a cultura do vinil para que mais apreciadores surjam e conheça, pessoalmente, grandes sucessos da nossa música e internacional".

O presidente da Associação de Moradores do Visconde, Miller Vilar, também elogiou a iniciativa e a considerou importante para interação da comunidade. "Além de proporcionar aos moradores momentos para ouvir uma boa música, o projeto contribui para movimentação do comércio local, do bairro, a praça fica movimentada. Isso é muito importante para nossa comunidade".

Outro comerciante e apoiador da iniciativa, Cid Barbosa, ajuda no suporte para que o vinil seja apresentado, auxiliando com mesas e energia elétrica. Ele também acredita que o encontro, além de inovador, vai ajudar no comércio local e até mesmo na geração de renda.

O 1º Encontro Vinil na Praça já reuniu colecionadores de vinil. É o caso do técnico de segurança do trabalho, Fernando César, de 47 anos, que também integra o grupo Vinil na Brasa.  Ele, que atualmente tem 30 discos de vinil antigos, por meio do projeto, quer voltar a resgatar a coleção e confessa que também é apaixonado por discos. "Meu gênero preferido é o jazz. Sou músico e gosto muito. E atráves do Patrick quero agora aumentar minha coleção, trocando e comprando discos".

O Encontro Vinil na Praça estará às quartas-feiras na praça do Rodo, a partir das 20h. Às quintas-feiras, o Vinil na Brasa, na Feirinha do Horto.

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