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Cabo Frio se credencia para captação de órgãos para transplantes

Thaiany Pieroni

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O município de Cabo Frio agora faz parte da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT). A inclusão de Cabo Frio ao CIHDOTT dá autonomia para que todo o procedimento de captação de órgãos para transplante seja feito por profissionais locais, sem a necessidade de acionar equipes da capital, o que torna o processo mais rápido e eficiente.  Com a implantação da Comissão, Cabo Frio passa constar na Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos e Tecidos (CNCDO).

“Essa Comissão coloca a Saúde Pública de Cabo Frio em outro patamar, passando a receber mais atenção tanto do governo Federal quanto do governo Estadual e pode trazer dividendos positivos para a administração, pois os municípios que possuem o CIHDOTT recebem verbas federais para sua manutenção”, explicou a coordenadora de Enfermagem da Secretaria Municipal de Saúde, Beatriz Trindade.

De acordo com a Prefeitura, a conquista só foi possível pelo empenho de toda a Coordenação Municipal de Enfermagem e ao discernimento do secretário em reconhecer o trabalho desenvolvido pela Coordenação.

O CIHDOTT de Cabo Frio é coordenado pela enfermeira Lilian Almerinda Moraes Brandão, que passou por cursos de capacitação no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, maior referência em transplantes de órgão da América do Sul, e irá realizar a capacitação de um grupo de enfermeiros para que estejam aptos a fazer a captação dos órgãos e até a retirada de córneas para transplantes. Vale ressaltar que a implantação do CIHDOTT só foi possível após inclusão do HCE junto ao CNES – Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde.

Para o secretário de Saúde, Márcio Mureb, o credenciamento do município simboliza um avanço para a Saúde de Cabo Frio. “Além da cidade passar a figurar Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos e Tecidos, que significa entrar efetivamente no mapa da Saúde Pública brasileira, teremos a vinda de diversos cursos de capacitação do pessoal que vai atuar na Comissão e eles se tornarão multiplicadores dessa nova forma de abordagem aos pacientes e familiares, que passará a ser o padrão de todas as nossas unidades de saúde, criando um vínculo de humanização benéfico para todos”, avaliou.

Atualmente, 41.236 pacientes estão à espera de um órgão no Brasil. No ano passado, foram realizadas no país 23.666 cirurgias de transplante de órgãos, sendo 95% dos procedimentos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em mais da metade das operações (58%), 13.793 pacientes receberam novos corações saudáveis. Os transplantes de rim estão em segundo lugar: foram 5.409 cirurgias em 2015, o que corresponde a 23% de todos os procedimentos.

Apesar do grande volume de cirurgias realizadas, a quantidade de pessoas à espera de um novo órgão ainda é grande. O rim é o órgão mais demandado: 25.077 esperam por um transplante renal. Em seguida, vêm as córneas (12.686) e o fígado (2.193).

Para vencer a atual desproporção entre número de pacientes na lista e o número de transplantes realizados, é importante conscientizar a população sobre todas as etapas do procedimento, que começa com o diagnóstico de morte encefálica de um potencial doador e termina na recuperação do paciente que recebeu um novo órgão. Entre essas etapas, é preciso correr contra o tempo, levantar informações importantes sobre o histórico do doador e do paciente e, a etapa mais delicada, contar com a solidariedade de uma família que passa por um momento de dor.


 

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