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A solução do problema do esgoto em Búzios não é tão fácil como se imagina, nem tão difícil que não se possa começar

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Se a situação do saneamento básico se resolvesse com discursos ou campanhas eleitorais, não teríamos dois grandes cartões postais das grandes metrópoles, como o Rio Tiête em São Paulo e a Baia de Guanabara no Rio de Janeiro, transformados em verdadeiras latrinas a céu aberto.

Segundo o Instituto Trata Brasil, em pesquisa publicada em 2015, a média nacional de tratamento de esgoto é de 38,7%, enquanto somente na coleta de esgoto, a média nacional, somados todos os municípios, é de 48,3%.

Evidentemente que a situação de Búzios salta aos olhos, pois o transbordamento do esgoto á céu aberto, extravasa diretamente no principal produto turístico que é vendido mundo a fora, que são nossas praias, um verdadeiro contra censo que a fotografia estampada na folheteria do setor hoteleiro camufla muito bem. Está mais do que claro que a revisão do contrato da PROLAGOS é urgente e necessária, mas não depende somente da iniciativa de uma das prefeituras cobertas pela concessão. Qualquer tentativa isolada de um dos prefeitos de se insurgir contra a concessão atual, será imediatamente abafada pela mão pesada da burocracia do estado, onde as represálias são sutis e ocorrem exatamente no ponto fraco dos municípios da região dos lagos, dependentes quase que exclusivamente de repasses governamentais.

Os prefeitos de Búzios são testemunhas disto, quando se trata da prorrogação da concessão, quando o alto escalão do Governo do Estado do Rio de Janeiro vem pessoalmente colher as assinaturas. A palavra de ordem é: assina, ou assina. Enquanto não se discute um consorcio público com a participação dos municípios abrangidos pela concessão, o jeito é articular e influenciar no Consorcio Lagos São João, exatamente como age o coletivo de prefeitos do país que vai a Brasília pressionar o governo federal por mais verbas ou renegociação de suas dívidas.

Atacar a PROLAGOS apontando-a como o ator principal das valas negras que escorrem para nossas praias é não sair da zona de conforto e ficar gritando para as moscas, usurpando uma função que é exclusiva da agencia reguladora, que por sua vez se utilizará do mesmo clichê de sempre: Ela cumpriu e com sobra seu compromisso previsto no plano qüinqüenal, inclusive, avalizado pelo Ministério Público. A formalização do casamento entre o ativismo institucional (ai incluídas as lideranças das prefeituras e das Câmaras dos Vereadores) e o ativismo social (ONGs, associações empresariais e de moradores) é a pedra de toque para que vençamos a pratica inescrupulosa de incluir insistentemente nas campanhas eleitorais o saneamento nos programas de governo ou de ações parlamentares, que já nascem natimortos, pois não ultrapassam o calendário eleitoral.

Hamber Carvalho

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